Publicidade
SÃO PAULO – Com maior oferta de crédito e facilidade para a compra de um imóvel, o consumidor poderá, em um sentido inverso, ser prejudicado. Em resposta à maior procura de casas e apartamentos, uma tendência – não descartada – é que os preços cobrados pelos empreendimentos aumentem. A informação é da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).
Segundo o vice-presidente da entidade, Miguel José Ribeiro de Oliveira, a atual grande oferta de lançamentos impede que esse cenário seja verificado em curto prazo. “Mas os encarecimentos não podem ser descartados, por isso, no momento da compra, é necessário pesquisar não só as facilidades de financiamento, mas também o próprio preço do imóvel”, orientou.
Em quantidade
Vale lembrar que, de 2003 a 2006, o dinheiro liberado para a compra de imóveis aumentou em 45,6%, atingindo R$ 36,4 bilhões. Conforme levantamento “Economia Bancária e Crédito”, do Banco Central, a ampliação na oferta de crédito foi estimulada, principalmente, pelos incentivos lançados mais recentemente às operações.
Como exemplo, técnicos do órgão citaram, no documento de divulgação do estudo, a utilização de taxas pré-fixadas na contratação do financiamento.
No bolso
Dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp) mostraram que, de 2001 a 2006, houve encarecimento mais acentuado nos preços praticados pelo metro quadrado entre 2001 e 2004.
Na média dos valores empregados na da Região Metropolitana de São Paulo, o encarecimento chegou a quase 19% entre 2003 e 2004. No caso da capital paulista, o maior aumento, de 17,6%, ficou entre 2001 e 2002.
Continua depois da publicidade
| Variação de preços* | ||
| Ano | Região Metropolitana de São Paulo |
Capital paulista |
| 2001 | R$ 1.001 | R$ 1.103 |
| 2002 | R$ 1.169 | R$ 1.297 |
| 2003 | R$ 1.309 | R$ 1.430 |
| 2004 | R$ 1.554 | R$ 1.657 |
| 2005 | R$ 1.588 | R$ 1.709 |
| 2006 | R$ 1.760 | R$ 1.887 |
Fonte: Embraesp
* Metro quadrado de área útil
Modificações
Oliveira lembrou que as modificações sentidas na concessão de crédito para a compra da casa são inéditas. Pode-se pagar dívida em até 30 anos, financiar o valor total do bem e ainda optar pela modalidade pré-fixada: sem correção da taxa referencial (TR), a conta não muda ao longo de todo o tempo financiado.