Com instabilidade nas bolsas e no câmbio, ouro dispara e é melhor investimento do mês

Commodity se isola com ganho nominal de 8,70%; apesar de rentabilidade positiva, dólar é pior aplicação de outubro

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SÃO PAULO – Com ganhos nominais de 8,70%, o ouro liderou isolado as rentabilidades do mês de outubro, em meio a um cenário de incertezas sobre o caminho da economia mundial e possíveis novos pacotes de estímulo, que trouxe instabilidade aos mercados. O câmbio também ficou em foco no mês tanto por aqui quanto lá fora, em uma briga entre emergentes e os EUA.

No cenário local, resultados corporativos de peso e os efeitos do encerramento da capitalização da Petrobras também repercutiram no Ibovespa. Neste mês, o principal índice da bolsa paulista registrou ganhos nominais de 1,79%, o que lhe rendeu o segundo lugar entre as principais métricas de investimento em outubro. 

Vale dizer que, desde junho, a commodity e o Ibovespa se alternam na liderança de rentabilidade – em junho e agosto, o ouro prevaleceu, enquanto em julho e setembro foi a vez do índice ficar no topo da lista.

Variações das principais métricas de investimento em outubro:

Investimento Outubro Real* Setembro Real**
Ibovespa  +1,79%  +0,77%  +6,58%  +5,37%
CDI***  +0,77%  -0,24%  +0,84%  -0,30%
CDB ****  +0,85%  -0,16%  +0,84%  -0,31%
Poupança  +0,55%  -0,46%  +0,57%  -0,57%
Ouro  +8,70%  +7,61%  +0,14%  -1,00%
Dólar Ptax  +0,42%  -0,58%  -3,52%  -4,62%
IGP-M  +1,01%   +1,15% –

* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em 1,01% em outubro de 2010
** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em 1,15% em setembro de 2010
*** Taxa Efetiva Andima
**** Taxa pré 30 dias

Considerando os ganhos reais – ou seja, descontando o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercados), que marcou alta de 1,01% no mês – somente o Ibovespa e o ouro ficaram no campo positivo em outubro.  

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Entre as demais métricas de investimento, a aplicação em CDBs pré-fixados de 30 dias garantiu retorno nominal médio de 0,85% em outubro, acima do benchmark CDI (+0,77%). A caderneta de poupança, por sua vez, apresentou retorno nominal de 0,55% em outubro.

O dólar acompanhado pela variação da Ptax, por sua vez, registrou rentabilidade nominal de 0,42% no período – que, apesar de positiva, foi a pior do mês entre as principais métricas de investimento. Por fim, o dólar comercial encerrou outubro com valorização de 0,65%. 

 Cenário macro: QE e câmbio em foco
Nos EUA, as especulações sobre um novo pacote de flexibilização quantitativa – já apelidado de QE2 – deixaram de ser sobre sua existência e passaram a abordar seu tamanho, estimado em cerca de US$ 1 trilhão inicial. O anúncio do pacote é esperado para a próxima reunião do Federal Reserve, que termina na próxima quarta-feira (3).

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Entretanto, os indicadores no final do mês começaram a mostrar certa melhora, trazendo apreensão de que o pacote final pode ser menor do que aquele que o mercado precificara. O PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano do terceiro trimestre, que mostrou crescimento dentro das projeções, reforçou essa percepção. 

No cenário internacional, assim como no mês anterior, as discussões acerca de uma “guerra cambial” seguiram atraindo atenções. A troca de farpas entre China e EUA se estendeu aos demais mercados emergentes e às principais economias do mundo, que discutiram a questão na mais recente reunião de ministros do G-20.

Vale dizer que, além da questão cambial, a elevação das taxas de referência para depósitos e empréstimos, a inflação e o PIB mantiveram a China no foco dos mercados. Ainda na Ásia, a autoridade monetária japonesa decidiu implantar nova política de flexibilização monetária.

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No front europeu, a Irlanda trouxe preocupação ao ter seu rating cortado pela Fitch e colocado em revisão para possível rebaixamento pela Moody’s – a agência também cortou o rating espanhol. A política monetária do continente seguiu inalterada, com Bank of England e Banco Central Europeu optando por manter as taxas básicas de juro.

No noticiário internacional, destaque também para as novas projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional), que reduziu as estimativas de crescimento para os EUA e elevou as do Brasil para 2010. 

A briga pelo dólar
Por aqui, além da eleição presidencial, o câmbio também foi o principal assunto do noticiário, deixando de lado a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a Selic em 10,75% ao ano. Autoridades como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente Lula e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles têm se preocupado em assegurar que o governo está monitorando de perto o fluxo cambial no País e a possível formação de bolhas.

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Assim, o mês foi marcado por medidas do governo para tentar conter a queda do dólar – que, caso o Fed decida despejar US$ 1 trilhão para impulsionar a economia norte-americana, só tende a se agravar. A primeira delas foi a duplicação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre capital externo no mercado de renda fixa brasileiro, para 4% – valor esse que, uma semana depois, passou a ser de 6%. Mantega também anunciou a elevação, de 0,38% para 6%, do IOF cobrado sobre a margem de garantia, apenas para investimentos estrangeiros no mercado futuro.

Já o CMN (Conselho Monetário Nacional) anunciou que, excluídas operações com derivativos, investidores estrangeiros que transferirem seus recursos das operações financeiras de aplicações com renda variável, tanto na bolsa de Valores quanto na de Mercadorias e Futuros, estarão submetidos a uma regra de câmbio simultâneo. O Conselho também proibiu as instituições financeiras autorizadas pelo BC a realizarem aluguel, troca ou empréstimo de títulos, valores mobiliários e ouro como ativo financeiro a investidores estrangeiros que pretendam utilizar os recursos obtidos com operações nos mercados de derivativos.

O Banco Central , por sua vez, determinou a exclusão das cartas de fiança do rol de garantias aceitas pelas câmaras de compensação da BM&F Bovespa para colateralização de operações realizadas por investidores estrangeiros.

Cenário corporativo
O início da temporada de resultados garantiu um mês bastante agitado no cenário corporativo. Entre as companhias de peso que reportaram seus números estão a Usiminas (USIM3, USIM5), o Santander (SANB11), o Bradesco (BBDC4), a Embraer (EMBR3), a CSN (CSNA3) e a TIM (TCSL4).

O foco dos mercados, contudo, foi a Vale (VALE3, VALE5), que superou as projeções mais otimistas e postou o melhor resultado financeiro de sua história, alavancada pelo bom momento do mercado de minério de ferro, seu principal negócio. A empresa também ganhou atenção devido às especulações de que seu presidente, Roger Agnelli, seja retirado do cargo caso a candidata do PT, Dilma Rousseff, seja eleita presidente do País no próximo domingo (31) – rumor negado por Agnelli e pela Vale.

O final da capitalização não tirou a Petrobras (PETR3, PETR4) do noticiário. Depois de terminado o processo, diversas casas de research começaram a revisar suas recomendações para a empresa – salvo exceções, a maioria delas promovendo cortes de recomendação e preço-alvo. Enquanto isso, as ações ON e PN da companhia dão continuidade ao movimento de queda, fechando o mês com perdas de 6,09% e 5,28%, nessa ordem.

Ainda sobre a estatal, o noticiário também trouxe a declaração de José Sergio Gabrielli, presidente da empresa, que afirmou que a relação entre dívida líquida e capital próprio deve subir a 30%, e o anúncio da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) de que o volume recuperável de barris na reserva de pré-sal do poço Libra é estimado entre 3,7 e 15 bilhões de barris.

Também mereceram destaque no noticiário a Brasil Ecodiesel (ECOD3), que anunciou sua fusão com a Maeda Agroindustrial, e a continuação dos desentendimentos entre a JBS (JBSS3) e o grupo italiano Cremonini acerca da Inalca JBS.

Lojas Americanas e Redecard nas pontas do Ibovespa
A Lojas Americanas (LAME4) e a Redecard (RDCD3) encerraram o mês nas pontas positiva e negativa do índice, com alta de 18,31% e queda de 16,19%, respectivamente. A primeira se beneficiou de dados bastante positivos de vendas no varejo, divulgados pelo IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) e pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ao longo do mês.

Já o desempenho da operadora de cartões de crédito pode ser atribuído em grande parte ao balanço trimestral postado nos últimos dias do mês. A Redecard registrou uma queda de 2,7% no lucro líquido recorrente do terceiro trimestre de 2010 na comparação com o mesmo período do ano passado. Os números vieram abaixo do esperado pelo mercado – resultado do aumento das despesas e MDR (taxa cobrada aos estabelecimentos pelas credenciadoras de cartões por operação) menor – e as ações despencaram.

Após a divulgação dos números, a empresa teve tanto sua recomendação como o preço-alvo reduzidos pelos analistas do Bank of America Merrill Lynch.