Com forte redução na Selic, construção e consumo lideram altas do Ibovespa

Copom surpreendeu ao cortar a taxa de juro em 0,75 p.p.; Pão de Açúcar, Localiza e Brookfield são destaque de alta no índice

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SÃO PAULO – Depois do Copom (Comitê de Política Monetária) surpreender o mercado com um corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juro, para 9,75% ao ano, as ações relacionadas à economia doméstica e, principalmente, às empresas que têm operação relacionada à tomada de crédito pelo consumidor terminaram esta quinta-feira (7) no topo do Ibovespa.

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 86,28, +7,38%), Rossi Residencial (RSID3, R$ 11,73, +7,12%), Brookfield (BISA3, R$ 7,20, +6,19%) e Localiza (RENT3, R$ 33,40, +5,10%) estavam entre as cinco maiores altas do benchmark nesta sessão. Além disso, o IMOB, índice que acompanha as ações do setor imobiliário, e o ICON, que segue o desempenho dos papéis de empresas de consumo, subiram 2,66% e 2,01%, respectivamente, bem acima da alta de 1,35% do Ibovespa.

Oferta de crédito
Felipe Rocha, analista da Omar Camargo, explica que a primeira reação dos investidores é olhar para todos os papéis que sejam relacionados ao consumo doméstico, principalmente aqueles que tenham a ver com o oferecimento de empréstimos. Por isso as construtoras observam fortes ganhos e as empresas ligadas ao varejo também.

As ações da Hering (HGTX3), por exemplo, registraram valorização de 3,21%, cotadas a R$ 49,49, e as da Lojas Americanas (LAME4) subiram 4,41%, negociadas a R$ 18,00. A Magazine Luiza (MGLU3, R$ 12,60, +5,18%) também foi destaque positivo na sessão.

Surpresa não tão grande
No entanto, o analista da Omar Camargo lembra que nos últimos dois dias o mercado já começava a precificar um corte de 75 pontos-base na Selic, o que era visto no comportamento da curva de juros dos contratos futuros de DI (depósitos interbancários).

Mesmo assim, economistas em geral davam como consenso uma redução de 0,5 p.p., que era exatamente o patamar de baixa visto nas reuniões anteriores. Por isso, Rocha diz que parte da valorização apresentada nesta sessão pode, sim, ser atribuída a uma surpresa dos investidores frente à reunião.

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Próximo passo
Segundo ele, agora o movimento deve ser de aguardo pela ata do Copom, que vai falar mais sobre perspectivas do Banco Central, a ser divulgada na próxima quinta-feira (15). Os analistas devem tentar prever qual será o comportamento dos próximos encontros, para calcular se a estimativa de juro ao fim de 2012 será alterada.

Além disso, dependendo de como a inflação reagir aos sucessivos cortes, o mercado pode começar a olhar mais para ações de empresas com receitas atreladas a reajustes automáticos. “Eles devem escolher empresas que apresentam crescimento, mas que têm contratos atrelados à inflação”, avalia Rocha. Entre essas companhias, estão a CCR (CCRO3), a OHL Brasil (OHLB3) e a Ecorodovias (ECOR3), tendo em vista que o pedágio cobrado por elas está atrelado a índices de preços.