Com dólar valorizado, preço da farinha importada sobe; cliente pode sentir no bolso

O produto e seus derivados já estão mais caros, por conta da interrupção das vendas argentinas ao Brasil

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SÃO PAULO – Os recentes encarecimentos da farinha de trigo devem continuar pelos próximos dias, acentuados pela valorização do dólar frente ao Real. Com a moeda norte-americana ultrapassando os R$ 2, as sacas do produto vendido pelos Estados Unidos passam a pesar mais no bolso dos importadores, que, por conseqüência, repassam a perda aos consumidores finais. A previsão é da consultoria Safras & Mercado.

Conforme a inflação oficial do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de janeiro a julho, o preço da farinha aumentou em 2,14% em nível nacional. O pão francês, por sua vez, está 3,17% mais caro. No comércio paulistano, segundo a Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP), do sexto para o sétimo mês do ano, aumentou em 1,98% o valor dos pães, e em 2,16% o de doces de padaria.

Influência do dólar

De acordo com a Safras & Mercado, o mercado internacional volátil e em níveis recordes de preços para o trigo não chega a ser uma grande novidade. Na verdade, o Brasil tem como fornecedor de trigo a Argentina. Ocorre que, por conta da proteção ao mercado interno, o país vizinho interrompeu suas vendas há alguns meses. A atitude rendeu prejuízos ao mercado brasileiro: por fazer parte do Mercosul, a comercialização entre ambos os países é livre da tarifa externa comum (TEC). A troca de fornecedor, portanto, resultou em uma alta de 10% no gasto dos compradores.

Por fim, na quinta-feira passada, foi a vez do câmbio no Brasil disparar, com o dólar atingindo um pico de alta durante a sessão de R$ 2,13. Nesta sexta, a moeda norte-americana voltou a subir. “A idéia anterior de que o dólar tendia mais para R$ 1,80 do que para R$ 2 teve de ser revista. Assim, além do mercado internacional, temos mais uma variável bastante incerta e com forte peso na formação de preços no mercado doméstico brasileiro”, apontou Élcio Bento, analista da consultoria.

Aumentos internos

Levando-se em conta o preço do trigo argentino para dezembro, a US$ 285,00 (porto argentino), a paridade no sudeste é de US$ 350,45 a tonelada. Em reais, há dois dias, seria de R$ 680,20 e, com o câmbio desta quinta, subiria para R$ 733,84. “Isso abriria espaço para nova elevação dos preços internos. A dúvida agora é se esta tendência de alta para o câmbio ganhará sustentação. No mercado global de trigo o cenário fundamental não permite recuos de preços mais expressivos”, previu Bento.

Além disso, nesta semana, a Secretaria de Comércio Interior da Argentina afirmou que “não seria má idéia” o aumento de impostos de exportação de trigo do país, buscando evitar que os altos preços internacionais do cereal resultem em aumento do preço interno do pão. A elevação na tarifa seria dos atuais 20% para 30%, tornando-se mais um fator para potencializar a alta de preços no Brasil.