Com crédito, consumidor compra mais no varejo

Porém, análise do Bradesco cita que a obtenção de "empréstimo" também mostra ampliação da necessidade de financiamento das contas

•

Publicidade

SÃO PAULO – Com mais acesso ao crédito, as famílias gastam mais com compras no comércio varejista. Segundo análise da equipe do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco, esse setor é o primeiro a sentir os impactos: em maio, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), realizada pelo IBGE, as vendas cresceram 10,5% em relação ao mesmo período do ano passado e surpreenderam o mercado, que projetava crescimento de 8,25%.

Os técnicos citaram também a nota do Banco Central com dados de junho. O estoque total de crédito alcançou o saldo de R$ 799,2 bilhões, atingindo com isso 32,3% do Produto Interno Bruto (PIB), relação que cresceu três pontos percentuais em comparação ao mesmo mês do ano anterior. As carteiras com recursos livres de pessoa física cresceram 27,7% em relação ao mesmo mês de 2006.

Compra x necessidade

Contudo, o documento lembrou que a obtenção de crédito não só quer dizer maior compra, mas também ampliação da necessidade de financiamento das contas. A utilização do cheque especial, por exemplo, cresceu 5,38% em um ano, ao passo que o financiamento por meio do cartão
de crédito (pagamento com juros e utilização do rotativo) atinge alta de 21,34%.

De qualquer maneira, foi citado que o desempenho do crédito de pessoas físicas deve ser visto com bons olhos pelo mercado, pois sugere dados positivos para o comércio e, conseqüentemente, um bom ritmo do consumo das famílias – responsável por 88,6% do volume de vendas no comércio varejista.

Juro x prazo

Os técnicos ressaltaram que “o ambiente macroeconômico e as condições de financiamento
melhoraram”. A taxa de juros média cobrada nas operações de crédito de pessoa física atingiu em junho 48,4% ao ano, o menor patamar da série, que começou em julho de 1994. No mesmo período do ano passado, a taxa média era de 55,8%.

Na trajetória oposta, o prazo médio de financiamento (em dias corridos) das operações com recursos livres de pessoa física atingiu no mês 405 dias, contra 300 dias do mesmo período de 2005.