Com boas projeções, MRV figura entre top picks do setor

Empresa se beneficia de foco em consumidores de baixa renda e múltiplos melhores que pares do setor, que deve ter bom 2010

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SÃO PAULO – A construção civil possui perspectivas positivas, assim como a economia brasileira, que tem forte correlação com o setor. Além disso, a companhia é a top pick para analistas de bancos de peso, como JP Morgan e Citigroup. Com isso, o cenário para a MRV (MRVE3) não poderia ser melhor.

Para o analista do JP Morgan, Adrian Huerta, a perspectiva positiva para o setor e a forte expectativa de crescimento é justificada pela boa saúde dos balanços das construtoras, pelo cenário otimista com relação à economia brasileira e pelas receitas com segmentos de baixa renda.

Em termos acionários, entretanto, Huerta acredita que o setor deve operar de lado, em função do forte desempenho no ano passado e a provável falta de surpresas positivas nos resultados do quarto trimestre. Outro fator que deve ser visto com cautela é o início do aperto na política monetária.

Os analistas do Citi, Dan McGoey e Heber Linghurst, chamam atenção para o perfil demográfico brasileiro favorável, que aliado à expecativa de crescimento para o País, que faz com que a equipe recomende exposição acima da média para as construtoras que possuam linhas voltadas para as classes mais baixas.

Financiamento
Os dados do crédito imobiliário referentes a 2009 mostraram crescimento de 13,3% frente a 2008 no quesito financiamento com recursos de popupança, atingindo R$ 34 bilhões. Somando os recustos do FGTS, o montante alcança R$ 49,6 bilhões.

“A demanda por crédito tende a continuar evoluindo em ritmo acentuado durante o ano, muito em função do ambiente macroeconômico favorável”, conclui Henrique Koch, analista do BB, citando estimativa de avanço de 47% dos recursos de crédito do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, que é constituído pelas instituições que captam essa modalidade de aplicação financeira, com diretrizes de direcionamento de recursos estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional).

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Entretanto, Koch alerta para a necessidade de diversificação das fontes de financiamento ao setor, dado que os recursos da poupança só devem ser suficientes para mais quatro anos de empréstimos, citando dados da ABECIP (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).

Outro ponto para que Koch chama a atenção é a forte participação do capital externo no setor de construção civil, que deve deixá-lo suscetível às instabilidades do cenário internacional. “Isso aliado à forte valorização de 2009 pode levar a novas quedas dos papéis”, avalia o analista do BB.

Além disso, o lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida, em abril de 2009, que pretende reduzir o déficit habitacional no País, estimado em 7,2 milhões de habitações, através de financiamento hipotecário mais acessível é destacado pelos analistas dos três bancos.

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Riscos: aperto monetário e crédito habitacional
Ainda não há consenso sobre quando e até que ponto o ciclo de alta da Selic deve chegar, com parte do mercado prevendo a primeira elevação na taxa em março, e outros acreditando que apenas no final do primeiro semestre isso deve ocorrer. Com relação à intensidade, o relatório Focus desta segunda-feira espera que 2010 termine com a Selic em 11,25% ao ano (ou seja, alta de 250 pontos-base frente aos atuais 8,75% ano ano).

Ainda assim, o analista acredita que a alta nos juros não será necessariamente negativa – embora também não seja positiva – para as empresas, de modo que os investidores devem esperar e observar a magnitude e a duração do próximo ciclo de apertos.

Outro fato que deve ser acompanhado com cautela pelo investidor é o crédito habitacional. “Entretanto, no curto prazo, com a proximidade das eleições presidenciais, ele ainda deve ser um dos pilares do governo e parte integral da campanha”, explicam McGoey e Longhurst.

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MRV: preferida pelos analistas
Eleita top pick do setor para o JP Morgan e o Citigroup, a empresa tem a seu favor o foco em imóveis acessíveis e o pontecial de alta rentabilidade e crescimento agressivo. Para o analista do Citi, o nome é o preferido na América Latina. “Vemos a MRV como uma das companhias mais eficientes do setor’, resume.

A margem Ebitda (relação percentual entre geração operacional de caixa e receita líquida) de 27,5% no último resultado reportado é o principal fator citado por Huerta para justificar a preferência pela empresa no setor brasileiro. “Com relação aos pares, a margem é sólida: a da PDG fica em 24,3% e a da Cyrela em 22,6%”, afirma. Isso tudo apesar do analista adotar uma perspectiva conservadora com relação à empresa, colocando suas estimativas abaixo do guidance de 2010.

“As ações da MRV são particularmente sensíveis ao desenvolvimento econômico – positivo ou negativo – que afetam os que ganham salários reais menores, incluindo os que estão relacionados ao programa Minha Casa Minha Vida”, afirmam Dan McGoey e Heber Linghurst.

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A forte correlação é explicada pelos consumidores de baixa renda, que foi citada pelos analistas dos dois bancos como seu ponto mais forte. A MRV possui três linhas direcionadas a esse público: Parque, Spazio e Village, com preços que variam entre R$ 100 mil e R$ 220 mil por habitação.

Estimativas
No longo prazo, a estimativa é que a margem Ebitda fique em 25,7% em 2010 e 25,3% em 2011. Para os analistas do Citi, o crescimento da receita deve ficar em 52% em 2010, e 59% para o Ebitda. Já o lucro líquido e o lucro por ação devem crescer na casa dos 28%, chegando a lucro por ação de R$ 1,22.

Tomando como referência o preço-alvo para o final deste ano, de R$ 17,80 por ação, o Citigroup informa que o P/L (relação entre preço da ação e lucro estimado) deve encerrar 2010 em 15 vezes.

Por outro lado, o fluxo de caixa livre deve vir negativo em 2010. “Esperamos que a empresa termine o ano com dívida líquida de R$ 490 mil”.