Vitru sobe, Cogna vira e Ânima cai após 1T: como foram os balanços das educacionais?

Ações do setor de educação do mercado brasileiro tem direções opostas nesta quinta, após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026

Victória Anhesini

Ativos mencionados na matéria

Sala de aula da Faculdade Intercultural Indígena(Faind), no campus principal da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) (Reprodução: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Sala de aula da Faculdade Intercultural Indígena(Faind), no campus principal da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) (Reprodução: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Publicidade

As principais companhias do segmento educacional brasileiro apresentaram comportamentos distintos na sessão desta quinta-feira (7), após os resultados dos balanços do primeiro trimestre de 2026 (1T26). 

Vitru (VTRU3) subiu 1,22%, a R$ 14,12, as ações da Ânima (ANIM3) tiveram queda de 6,75%, negociadas a R$ 3,87, enquanto os papéis da Cogna (COGN3) caíram 1,07%, cotados a R$ 2,90, em uma virada para COGN3 em meio ao dia negativo para a Bolsa brasileira.

Apesar da desvalorização pontual da Ânima, os analistas do Santander afirmam, em relatório divulgado nesta quinta, que a performance operacional das empresas no período foi marcada pela resiliência na rentabilidade e por avanços na desalavancagem financeira. 

A capacidade das empresas em manter margens sólidas de Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), mesmo com desafios regulatórios no ensino à distância, tem sido o ponto central das análises do Santander.

Em especial para a Cogna, cujos resultados vieram melhores do que o esperado para o Santander, o resultado “reafirma a Cogna como uma empresa fortemente geradora de caixa”, segundo o documento.

A Vitru também entrou como boa geradora de caixa, “com sólida execução operacional, robusta geração de fluxo de caixa e um batimento claro (clear beat) no nível do Ebitda”. A tendência de transformar resultados operacionais em caixa disponível aparece como um denominador comum para o setor neste início de ano.

Continua depois da publicidade

Vitru Educação

Os analistas ressaltam que a Vitru começou o ano com forte execução operacional, com a expansão de margens sendo o principal destaque. 

A receita líquida somou R$ 579 milhões, enquanto a margem operacional ajustada atingiu 40,6%, superando as projeções. No campo operacional, o modelo híbrido impulsionou os números com um salto de 14% na captação, compensando a retração observada no ensino digital puro. O endividamento líquido da companhia apresentou melhora ao recuar 9%, encerrando o trimestre em R$ 1,466 bilhão.

“A surpresa positiva foi relacionada a despesas menores do que o esperado”, diz o relatório, citando a queda na PDD (Provisão para Devedores Duvidosos), que representou 5,9% da receita.

Segundo os analistas, esse controle de gastos foi essencial para que o lucro líquido ajustado ultrapassasse as estimativas de mercado em 9%. O banco manteve a recomendação neutra para o ativo, projetando um preço-alvo de R$ 18,80.

Cogna Educação

Os resultados da Cogna trouxeram alívio ao mercado ao superarem as estimativas mais pessimistas sobre a rentabilidade. A Kroton, braço de ensino superior, faturou R$ 1,195 bilhão, beneficiada por um crescimento de 15% na captação de alunos para o ensino presencial. 

“Os preços do segmento de ensino superior (Kroton) foram melhores do que o esperado”, dizem os analistas, pontuando que a estratégia de recomposição tarifária mitigou a queda de 32% no volume de captação do ensino à distância.

Continua depois da publicidade

Na educação básica, a receita bruta consolidada atingiu R$ 951 milhões, um reflexo direto da integração entre Vasta e Saber e o ganho de participação no PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático).

Além disso, a holding conseguiu reduzir sua dívida líquida em 2%, mesmo após o pagamento de dividendos que somaram R$ 119 milhões. 

“Achamos que os resultados do 1T26 e os números de captação dão aos investidores uma oportunidade de focar na tendência positiva de geração de caixa”, dizem os analistas ao justificarem a recomendação de compra das ações.

Continua depois da publicidade

Ânima Educação

A Ânima reportou um lucro líquido 5% acima do esperado pelo Santander, sendo impulsionado pela melhora nos tickets médios em seus diversos segmentos de graduação. 

A receita líquida subiu 8%, em R$ 1,120 bilhão. O principal motor desse resultado foi a Inspirali, unidade de medicina, faturando R$ 410 milhões. “As receitas foram impulsionadas por melhores preços médios de graduação em todos os segmentos”, diz o banco. A unidade Ânima Core avançou 11% em faturamento, embora o aumento da evasão de alunos tenha impactado negativamente o volume total.

Por outro lado, a companhia sentiu uma compressão na margem operacional ajustada, que encerrou o período em 40,2%. 

Continua depois da publicidade

“A margem Ebitda ajustada diminuiu (-130 bps ano a ano) devido a maiores despesas de SG&A”, diz o documento, apontando o peso das despesas com SG&A (Vendas, Gerais e Administrativas) no resultado. 

No encerramento do trimestre, o endividamento líquido estava em R$ 2,926 bilhões, após o desembolso de R$ 45 milhões para pagamentos de M&A (Fusões e Aquisições). Apesar da queda nas ações hoje, o Santander mantém a recomendação de compra para a empresa.