Publicidade
As principais companhias do segmento educacional brasileiro apresentaram comportamentos distintos na sessão desta quinta-feira (7), após os resultados dos balanços do primeiro trimestre de 2026 (1T26).
Vitru (VTRU3) subiu 1,22%, a R$ 14,12, as ações da Ânima (ANIM3) tiveram queda de 6,75%, negociadas a R$ 3,87, enquanto os papéis da Cogna (COGN3) caíram 1,07%, cotados a R$ 2,90, em uma virada para COGN3 em meio ao dia negativo para a Bolsa brasileira.
Apesar da desvalorização pontual da Ânima, os analistas do Santander afirmam, em relatório divulgado nesta quinta, que a performance operacional das empresas no período foi marcada pela resiliência na rentabilidade e por avanços na desalavancagem financeira.
- Confira o calendário de resultados do 1º trimestre de 2026 da Bolsa brasileira
- Temporada de balanços do 1T26 em destaque: veja ações e setores para ficar de olho
A capacidade das empresas em manter margens sólidas de Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), mesmo com desafios regulatórios no ensino à distância, tem sido o ponto central das análises do Santander.
Em especial para a Cogna, cujos resultados vieram melhores do que o esperado para o Santander, o resultado “reafirma a Cogna como uma empresa fortemente geradora de caixa”, segundo o documento.
A Vitru também entrou como boa geradora de caixa, “com sólida execução operacional, robusta geração de fluxo de caixa e um batimento claro (clear beat) no nível do Ebitda”. A tendência de transformar resultados operacionais em caixa disponível aparece como um denominador comum para o setor neste início de ano.
Continua depois da publicidade
Vitru Educação
Os analistas ressaltam que a Vitru começou o ano com forte execução operacional, com a expansão de margens sendo o principal destaque.
A receita líquida somou R$ 579 milhões, enquanto a margem operacional ajustada atingiu 40,6%, superando as projeções. No campo operacional, o modelo híbrido impulsionou os números com um salto de 14% na captação, compensando a retração observada no ensino digital puro. O endividamento líquido da companhia apresentou melhora ao recuar 9%, encerrando o trimestre em R$ 1,466 bilhão.
“A surpresa positiva foi relacionada a despesas menores do que o esperado”, diz o relatório, citando a queda na PDD (Provisão para Devedores Duvidosos), que representou 5,9% da receita.
Segundo os analistas, esse controle de gastos foi essencial para que o lucro líquido ajustado ultrapassasse as estimativas de mercado em 9%. O banco manteve a recomendação neutra para o ativo, projetando um preço-alvo de R$ 18,80.
Cogna Educação
Os resultados da Cogna trouxeram alívio ao mercado ao superarem as estimativas mais pessimistas sobre a rentabilidade. A Kroton, braço de ensino superior, faturou R$ 1,195 bilhão, beneficiada por um crescimento de 15% na captação de alunos para o ensino presencial.
“Os preços do segmento de ensino superior (Kroton) foram melhores do que o esperado”, dizem os analistas, pontuando que a estratégia de recomposição tarifária mitigou a queda de 32% no volume de captação do ensino à distância.
Continua depois da publicidade
Na educação básica, a receita bruta consolidada atingiu R$ 951 milhões, um reflexo direto da integração entre Vasta e Saber e o ganho de participação no PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático).
Além disso, a holding conseguiu reduzir sua dívida líquida em 2%, mesmo após o pagamento de dividendos que somaram R$ 119 milhões.
“Achamos que os resultados do 1T26 e os números de captação dão aos investidores uma oportunidade de focar na tendência positiva de geração de caixa”, dizem os analistas ao justificarem a recomendação de compra das ações.
Continua depois da publicidade
Ânima Educação
A Ânima reportou um lucro líquido 5% acima do esperado pelo Santander, sendo impulsionado pela melhora nos tickets médios em seus diversos segmentos de graduação.
A receita líquida subiu 8%, em R$ 1,120 bilhão. O principal motor desse resultado foi a Inspirali, unidade de medicina, faturando R$ 410 milhões. “As receitas foram impulsionadas por melhores preços médios de graduação em todos os segmentos”, diz o banco. A unidade Ânima Core avançou 11% em faturamento, embora o aumento da evasão de alunos tenha impactado negativamente o volume total.
Por outro lado, a companhia sentiu uma compressão na margem operacional ajustada, que encerrou o período em 40,2%.
Continua depois da publicidade
“A margem Ebitda ajustada diminuiu (-130 bps ano a ano) devido a maiores despesas de SG&A”, diz o documento, apontando o peso das despesas com SG&A (Vendas, Gerais e Administrativas) no resultado.
No encerramento do trimestre, o endividamento líquido estava em R$ 2,926 bilhões, após o desembolso de R$ 45 milhões para pagamentos de M&A (Fusões e Aquisições). Apesar da queda nas ações hoje, o Santander mantém a recomendação de compra para a empresa.
