Cliente x distribuidor: barateamento do álcool não é linear e lucro da venda dobra

No acumulado de janeiro a julho, consumidor pagou 11,66% a menos pelo litro, contra queda de 33% ao revendedor

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SÃO PAULO – De janeiro a julho, o preço do álcool combustível vendido ao consumidor ficou 11,66% mais barato, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Já de acordo com o Centro de Pesquisas em Economia Aplicada (Cepea), a queda de preço ao distribuidor foi muito mais intensa: de 33% no período. Nesse meio tempo, a margem de lucro das distribuidoras mais que dobrou, passando de 3% para 10%, em média.

A informação foi dada na última quinta-feira (26), durante audiência pública realizada na Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal, pelo vice-presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), José Camargo Hernandes. Na avaliação do executivo, o pequeno número de revendedores de etanol é uma das causas desse aumento.

Diferença de preço

“Sofremos muito com a discrepância entre o preço do álcool praticado pelas usinas e o que chega ao consumidor”, explicou à Agência Câmara o deputado Carlos Alberto Canuto (PMDB-AL). Dados da ANP mostram que, no fechamento de julho, o litro vendido na bomba saía por R$ 1,4, enquanto que dados do Cepea apontaram que ao distribuidor girava em torno de R$ 0,60 (sem impostos).

O presidente da Associação Nacional dos Distribuidores de Álcool (Andia), Márcio Occaso, admitiu que existe uma grande concentração no setor de distribuição de álcool. Segundo ele, seis empresas dominam 40% do mercado.

Passeio

Para chegar ao posto de combustível, o etanol passa do usineiro ao revendedor e, somente então, ao posto. Na avaliação do deputado Jorginho Maluly (DEM-SP), em alguns casos, lembra, o produto sai de uma usina vizinha do consumidor, faz um “passeio” até a distribuidora a centenas de quilômetros de distância e depois volta para o lugar de onde sai – implicando em custos.

Dessa maneira, seu colega Arnaldo Jardim (PPS-SP) sugeriu que, sem intermediários, o preço do combustível seria menor. “É preciso estabelecer o justo equilíbrio para que alguns não ganhem mais do que outros”, disse.

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Longa distância

Por sua vez, o deputado Neudo Campos (PP-RR) afirmou que seu Estado não tem condições de utilizar o álcool produzido em São Paulo, por conta da distância. O parlamentar lembrou que as condições geográficas locais se assemelham às de Ribeirão Preto (SP), onde é produzida grande parte do álcool do País.

Dessa maneira, a sugestão é que o Estado se torne um produtor de álcool. Para se ter uma idéia, Roraima é uma das sete unidades federativas onde trocar gasolina pelo álcool não compensa: o derivado de cana custa mais de 80% do valor de seu concorrente.

Concentração e vendas

Mesmo diante desse cenário, o motorista ainda procura o combustível vegetal. Apenas para se ter uma idéia, de acordo com a Unica, entre abril e junho, houve crescimento de 1 bilhão de litros no consumo de álcool hidratado.

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O motivo foi o barateamento do produto: com o final de abril e começo de maio, foi iniciada a safra de cana do Centro-Sul, maior região produtora de álcool do País, o que garantiu barateamento (não tão intenso quanto ao distribuidor) ao consumidor.