Mais um cenário extremo

Citi vê petróleo a US$ 65 o barril ao fim do ano se houver recessão; brent fecha em queda de 9,45%

Para o Citi, a commodity pode cair mais ainda em 2023, indo para US$ 45 o barril do brent, se ocorrer uma queda da atividade que afete a demanda

Por  Equipe InfoMoney -

Em um ambiente de grande incerteza geopolítica e de pessimismo sobre os rumos da economia mundial, os cenários para o petróleo são cada vez mais extremos. Após o JPMorgan projetar forte alta da commodity em um cenário de corte de produção russa, o Citi apontou uma perspectiva baixista em uma perspectiva de recessão global.

Para o Citi, o petróleo bruto pode cair para US$ 65 o barril até o final deste ano e ir para US$ 45 até o final de 2023 se ocorrer uma recessão que prejudique a demanda.

Essa perspectiva é baseada na ausência de qualquer intervenção dos produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep +) e um declínio nos investimentos em petróleo, apontaram analistas como Francesco Martoccia e Ed Morse em relatório nesta terça-feira (5). O brent fechou a sessão da véspera a US$ 113,50 o barril.

A perspectiva do Citi comparou o atual mercado de commodity com as crises da década de 1970. No cenário base, porém, os economistas do banco não esperam que os EUA mergulhem em recessão.

“Para o petróleo, as evidências históricas sugerem que a demanda por petróleo fica negativa apenas nas piores recessões globais”, apontaram. “Mas os preços do petróleo caem em todas as recessões para aproximadamente a cotação que equivale a seu custo marginal.”  Este cenário leva em conta um aumento do desemprego, falência de empresas e endividamento das famílias, o que deve afetar a demanda e, consequentemente, as margens do setor.

Cabe destacar que, em relatório recente, o JPMorgan fez uma projeção bastante altista sobre os preços do petróleo. Para os analistas do banco, a cotação pode subir para “estratosféricos” US$ 380 o barril no “cenário mais extremo” da Rússia reduzira produção de petróleo em 5 milhões de barris por dia (bpd) em retaliação a um teto de preço considerado pelo Grupo dos Sete.

Na semana passada, o Grupo das Sete potências econômicas (G7) concordou em analisar impor uma proibição ao transporte de petróleo russo vendido acima de um determinado preço.

O Credit Suisse ressalta que as preocupações com a produção da Opep, além das interrupções no fornecimento da Líbia, da Noruega e da Rússia, continuam a manter os preços do petróleo elevados, apesar dos temores inflacionários e de recessão. A Opep descumpriu a sua meta de produção de junho com a produção da Líbia em baixa. Contudo, destaca em nota, os investidores têm, progressivamente, reduzido a sua exposição altista aos contratos de petróleo.

Sessão de forte queda para o petróleo

O contrato futuro do brent para setembro fechou em queda de 9,45%, a US$ 102,77 o barril, justamente com os temores de recessão voltando a abalar o mercado. Já o WTI para agosto fechou em queda de 8,24%, abaixo dos US$ 100, a US$ 99,50 o barril.

“O mercado está ficando apertado, mas ainda estamos sendo derrotados, e a única maneira de explicar isso é o medo da recessão em todos os ativos de risco”, disse Robert Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho, Nova York, à Reuters. “Estamos sentindo a pressão.”

Dados divulgados mais cedo ajudaram a aumentar a cautela com a economia global. O crescimento dos negócios na zona do euro desacelerou ainda mais no mês passado, com indicadores prospectivos sugerindo que a região pode entrar em declínio neste trimestre, já que a crise do custo de vida mantém os consumidores cautelosos.

No entanto, as preocupações com a oferta ainda pairavam. No início da sessão, o WTI subiu mais de US$ 3 e o Brent mais de US$ 1 com relatos de interrupção da produção na Noruega por conta de uma greve. Contudo, o governo norueguês interveio para encerrar a paralisação no setor de energia que havia reduzido a produção de petróleo e gás do país, disseram um líder sindical e o Ministério do Trabalho da Noruega.

Trabalhadores da indústria de petróleo e gás offshore da Noruega entraram em greve por salários nesta terça-feira, o primeiro dia de uma ação planejada que ameaçou cortar as exportações de gás do país em quase 60% e acentuar a escassez de oferta ligada à guerra na Ucrânia.

“Os trabalhadores estão voltando ao trabalho o mais rápido possível. Estamos cancelando a escalada planejada”, disse o líder sindical de Lederne, Audun Ingvartsen, à Reuters. Questionado se a greve acabou, ele disse: “Sim”.

O Ministério do Trabalho confirmou separadamente que exerceu o seu direito de intervenção.

“Quando o conflito pode ter consequências tão terríveis para toda a Europa, não tenho escolha a não ser intervir no conflito”, disse o ministro do Trabalho, Marte Mjoes Persen, em comunicado.

Enquanto isso, a Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, elevou os preços do petróleo bruto em agosto para os compradores asiáticos para níveis quase recorde em meio à oferta apertada e demanda robusta.

(com Reuters)

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