Citi corta preço-alvo de bancões com macro e maior custo de capital; veja preferidos

De acordo com ⁠os analistas, um ambiente ​macroeconômico mais difícil ​está pressionando a qualidade dos ativos em todo o sistema bancário brasileiro

Reuters

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

Publicidade

SÃO PAULO, 24 Jun (Reuters) – Analistas do ⁠Citi cortaram o preço-alvo das ações de vários ⁠bancos brasileiros, afirmando que estão adotando uma postura mais cautelosa ‌com o setor em meio à deterioração do cenário macroeconômico, com aumento das pressões sobre a qualidade dos ativos, especialmente no crédito ‌ao consumidor e no agronegócio.

‘Nós reduzimos nossos preços-alvo para refletir um custo de capital próprio mais elevado, impulsionado pela abertura da curva de juros e pela expectativa de juros mais altos por mais tempo’, afirma relatório do banco norte-americano assinado por Gustavo Schroden, Arnon Shirazi e Brian ⁠Flores.

‘Permanecemos ‌seletivos, com Itaú Unibanco (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11) como nossas principais escolhas, ⁠onde acreditamos que a execução consistente trará resultados e onde os valuations atuais parecem desalinhados’, escreveram no documento enviado a clientes na noite de terça-feira, no qual acrescentaram que Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11) são os nomes menos preferidos.

Itaú e BTG ​permaneceram com recomendação de compra, mas os respectivos preços-alvo passaram de R$54 para R$50 e de R$74 para R$70. Também com recomendação ​de compra, Bradesco (BBAS3) teve o preço reduzido de R$24 para R$20. Banco do Brasil e Santander Brasil, que tiveram a recomendação mantida como neutra, viram os preços-alvo recuarem de R$25 para R$21 e de R$36 para R$28, respectivamente.

A equipe do Citi também diminuiu o ‌preço para as units do BR Partners (BRBI11; de R$24 ​para R$20), dos papéis do Banco ABC (ABCB3, R$30 para R$28) e das ações do Agibank (de US$18 para US$16), com manutenção da recomendação de compra para os três.

De acordo com ⁠os analistas, um ambiente ​macroeconômico mais difícil ​está pressionando a qualidade dos ativos em todo o sistema bancário brasileiro.

‘Observamos um aumento sistêmico ⁠de ativos problemáticos e de despesas ​com provisões, particularmente entre players digitais. Os níveis de inadimplência (NPLs) estão subindo impulsionados principalmente por pessoas físicas, com pontos específicos de pressão em financiamentos de ​veículos, cartões de crédito e crédito não consignado’, argumentaram.

Eles destacaram que, embora o endividamento agregado das famílias permaneça estável — em ​níveis elevados –, o comprometimento ⁠de renda com dívida está aumentando entre as camadas de menor renda, sugerindo uma pressão ⁠concentrada, não sistêmica, por enquanto.

‘Ainda assim, o ambiente de juros mais altos por mais tempo no Brasil exige cautela no segmento corporativo. Portanto, é provável que isso limite o crescimento do crédito e reduza o potencial para revisões positivas adicionais nos lucros.’

Continua depois da publicidade