Destaques da bolsa

Cielo desaba até 9% com novo capítulo da concorrência no setor; Petrobras sobe 3% com reajuste

Confira os destaques do mercado na sessão desta quinta-feira (18)

SÃO PAULO – A sessão é de ganhos para o Ibovespa, com o mercado repercutindo positivamente o reajuste do diesel pela Petrobras, além de repercutir o noticiário sobre a Reforma da Previdência, com os sinais do governo de “fazer política” em busca de apoio para que ela passe no Congresso. 

Atenção ainda para o início da temporada de resultados, com a Usiminas dando o pontapé inicial. Já entre as perdas, o destaque fica para a Cielo, que cai até 9% com o novo capítulo da guerra das maquininhas. Confira os destaques do mercado nesta quinta-feira, véspera de feriado: 

Cielo (CIEL3)

A Rede, do Itaú, informou que mudará significativamente seus preços e datas de liquidação para compras à vista no cartão de crédito. Nenhuma taxa será cobrada em adiantamentos a clientes com volumes anuais abaixo de R$30 milhões e com domicílio bancário no Itaú, que receberão o valor em 2 dias.

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“Assumindo que as transações à vista representem de 30 a 40% do volume total de crédito, a Cielo poderia ter seu lucro líquido de 2019 reduzido em 10-20%”, destaca a XP Investimentos. A Stone deve ser mais impactada, uma vez que atua principalmente no mercado de PMEs e possui maior exposição relativa ao pré-pagamento em seus resultados, destaca a equipe de análise. 

Veja mais: Itaú zera taxa de antecipação da Rede em golpe agressivo na guerra das maquininhas

Os analistas apontam que a iniciativa da Rede, apesar de agressiva, faz parte do processo de corte de preços pelo qual a indústria vem passando nos últimos seis meses.

“Continuamos cautelosos com a Cielo e os adquirentes puros em geral, uma vez que os grandes bancos têm espaço significativo para abrir mão de receita nesse segmento a fim de reter e atrair clientes SME para sua base”, avaliam os analistas da XP. 

Usiminas (USIM5)

A Usiminas abriu a safra de balanços corporativos nesta manhã com a publicação de um lucro líquido de R$ 76 milhões no primeiro trimestre, representando uma retração de 51,6% na comparação com o desempenho do mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado recuou 23,8%, para R$ 488 milhões, gerando uma retração de 6 pontos porcentuais na margem Ebitda, que ficou em 14%. A receita líquida somou R$ 3,5 bilhões, representando uma alta de 8,8%, puxada pelos maiores preços e volumes de venda de minério de ferro no período.

A siderúrgica informou ainda que prevê para este ano investimentos de R$ 1 bilhão e despesas financeiras líquidas de R$ 421 milhões.  

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De acordo com a XP Investimentos, a siderúrgica mostrou um resultado acima do esperado, mas ainda não empolga. Segundo a XP, o ambiente doméstico continua desafiador, com volumes fracos e dificuldade para que as empresas do setor siderúrgico implementem aumentos de preço. “Os resultados da Usiminas devem seguir pressionados no segundo trimestre, talvez se estendendo para o terceiro”, aponta a corretora em relatório.

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras anunciou um aumento no preço do diesel de R$ 0,10 por litro, o que implica numa variação mínima de 4,518% e máxima de 5,147%, nos seus 35 pontos de venda no Brasil. O reajuste passa a vigorar a partir de hoje e é uma importante sinalização da direção da companhia em relação à sua independência na determinação do preço final dos combustíveis aos consumidores.

Em entrevista coletiva para anunciar o reajuste, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou que a companhia não registrou perdas financeiras pelo adiamento do reajuste, por conta de mecanismos de hedge adotados pela empresa.

Segundo a empresa, o preço estabelecido representa, em média, 54% do preço do diesel nos postos de serviço. O preço médio do óleo ao consumidor no Brasil é 13% menor do que a média global, havendo 105 países com preços superiores ao da Petrobras, segundo a globalfuelprices.com.

“O reajuste levou em consideração os mecanismos de proteção, através dos derivativos financeiros, e as variações de demais parcelas que compõem o Preço Paridade Internacional (PPI) com destaque para redução recente do frete marítimo”, informou a petroleira, reafirmando “a rigorosa observância do alinhamento de seus preços com a paridade internacional”.

Castello Branco afirmou ainda que pretende apresentar uma proposta de venda de refinarias à direção executiva e posteriormente ao conselho de administração, que ainda não se reuniu este mês. “As vendas de refinarias vão mostrar que a companhia não vai ter interferência externa”, disse, acrescentando que a determinação do valor e a periodicidade dos reajustes cabe à companhia. Sobre a possibilidade de novos movimentos grevistas por parte de caminhoneiros, o executivo comentou que não existe possibilidade de eliminação deste risco, que “sempre existe”.

De acordo com o Itaú BBA, o reajuste traz uma leitura positiva sobre a independência da empresa e a execução de sua política de preços.  “Embora, no curto prazo, as ações possam ser negociadas em função da dinâmica macroeconômica do Brasil e do fluxo de notícias sobre a evolução da reforma previdenciária, do ponto de vista fundamentalista, a Petrobras parece atraente”, destacam os analistas. 

Já a Coluna do Broadcast informa que a venda da TAG fez com que a Petrobras segurasse por mais um tempo a emissão de debêntures, de cerca de R$ 3 bilhões. Segundo a publicação, no entanto, a expectativa é de que a emissão aconteça ainda no primeiro semestre deste ano.

Ainda sobre Petrobras, o diretor financeiro da companhia, Rafael Grisolia, disse ontem que a petroleira deverá perder o controle que detém atualmente na BR Distribuidora, de 71%. Segundo ele, o tema ainda está sendo debatido internamente e a tendência é de que a Petrobras siga como acionista relevante, mas sem o controle. A companhia anunciou que contratou nove bancos para conduzir o processo de venda das ações.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, afirmou ontem que a Eletrobras está aprofundando os seus estudos para definir se vai partir para uma capitalização ou venda da companhia, com uma definição podendo ocorrer até o meio do ano.

Segundo ele, um processo de venda de 40 Sociedades de Propósito Específico (SPE) deve ser iniciado em maio, o que poderá resultar numa redução da alavancagem para a abaixo de três vezes ao final do segundo trimestre. Além disso, a empresa poderá concluir até junho os estudos sobre as alternativas de desenho societário para a venda de Angra III, com sua possível apresentação a investidores na segunda metade do ano.

Aéreas

O jornal Valor Econômico destaca que a Gol (GOLL4) e a Latam, juntas, podem perder cerca de R$ 378 milhões caso a Avianca tenha que encerrar suas atividades antes do leilão de venda de seus ativos. Em recuperação judicial, a Avianca está com seu passivo aumentando rapidamente, somando mais de R$ 2,4 bilhões. Segundo a publicação, citando uma fonte a par do assunto, a Avianca tem 60% de chances de entrar em colapso antes do leilão, previsto para o dia 7 de maio. Se a companhia aérea for à falência, Gol e Latam poderiam reaver, cada, cerca de R$ 51,1 milhões, porém o cenário seria pouco provável, já que as despesas trabalhistas viriam antes do pagamento a credores.

Gafisa (GFSA3)

O investidor Nelson Tanure deverá subscrever as sobras não exercidas pelos acionistas atuais da Gafisa na primeira tranche do aumento de capital da companhia, diz o jornal Valor Econômico citando fonte próxima à construtora. A publicação afirmou que Tanure comprará parte da fatia da Planner na companhia e subscreverá as debêntures que devem ser emitidas, além de participar da capitalização.

Triunfo (TPIS3)

A Triunfo informou que o tráfego nas rodovias sob concessão no primeiro trimestre recuaram 2,7% em comparação ao mesmo período do ano passado. A maior retração aconteceu na Econorte, com queda de 42,5%. O volume de cargas transportadas pelo aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), subiu 2,6%, enquanto o total de passageiros avançou 2,6%.

Engie (EGIE3)

O Conselho de administração da Engie aprovou a emissão de debêntures no montante de R$ 2,5 bilhões. Os recursos serão usados para formação de capital de giro com foco na implementação do plano de negócios da companhia.

Copel (CPLE6)

A Copel segue avaliando alternativas para a venda de subsidiárias. Segundo a empresa, o conselho aprovou a continuidade de estudos sobre potencial alienação da Copel Telecomunicações.

Vivo (VIVT4)

A Telefônica Vivo pagará juros sobre capital próprio relativos ao exercício de 2019 no montante de R$ 570 milhões. As ações ficam ex-juros após 30 de abril.

Recomendações

A BR Distribuidora (BRDT3) teve a recomendação elevada a compra pelo Citi, enquanto a Eneva (ENEV3) teve a recomendação reduzida a neutra pelo Bradesco BBI, com um preço-alvo de R$ 23. 

(Agência Estado e Bloomberg)

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