Em cielo

Itaú zera taxa de antecipação da Rede em golpe agressivo na guerra das maquininhas

Alguns interpretam irregularidade no movimento, que poderia violar compromisso com o Cade e ser considerado uma venda casada  

Nova Maquininha Rede
(Divulgação/SM2 Fotografia)

SÃO PAULO – A Rede, credenciadora de cartões do banco Itaú, anunciou na última quinta-feira que aplicará política de taxa zero para antecipação de recebíveis de clientes com domicílio bancário no Itaú. O movimento, inédito, endurece a briga das maquininhas e pode prejudicar Cielo, Stone e PagSeguro, de acordo com analistas.

Vendas no crédito à vista cairão nas contas Itaú dos clientes em até dois dias sem custo extra, diz a empresa. A nova política vale a partir de 2 de maio para clientes com faturamento igual ou inferior a R$ 30 milhões por ano - o que corresponde a algo em torno de 30% a 40% do mercado total, de acordo com o analista André Martins, da XP Investimentos. 

O site da Rede se apressa a dizer que a oferta “não é pegadinha” e “não tem prazo para acabar”. Também garante que as taxas de transação cobradas do lojista (MDR) E o aluguel permanecerão os mesmos, respondendo de antemão àqueles que imaginariam uma diluição da mesma cobrança em outras frentes. Resta saber se todas essas promessas serão cumpridas.

Guerra das maquininhas

A iniciativa é classificada como “agressiva” por analistas da XP Investimentos, mas faz parte de uma corrida por preços mais baixos protagonizada há meses pelas tradicionais Cielo e Rede e por novas entrantes como PagSeguro, Stone e Getnet (do Santander).

Para a XP, a notícia é negativa para todos os adquirentes listados em Bolsa (Cielo, Stone e PagSeguro) em diferentes magnitudes.

“A Stone deve ser mais impactada, uma vez que atua principalmente no mercado de PMEs e possui maior exposição relativa ao pré-pagamento em seus resultados”, escrevem os analistas. Já a Cielo “poderia ter seu lucro líquido de 2019 reduzido em 10-20%” se aplicasse a mesma política.

A ação da Stone despencou até 23,6% nas negociações na Nasdaq nesta quinta. A da PagSeguro viu queda de 9,74%. No Brasil, a Cielo (CIEL3) mergulhou 7,30%.

Os analistas também assumem que as empresas atingidas devem reagir a esse movimento com suas próprias armas.

Concorrência “predatória” e venda casada?

Como a nova política é exclusiva a clientes com domicílio bancário no Itaú, existe a interpretação de que se trada de uma espécie de “venda casada”, ou seja, uma forma de vincular a compra de um produto ou serviço a outro, proibida pelo Banco Central.

Fontes do Brazil Journal afirmam que Stone e PagSeguro consideram que o banco está praticando concorrência predatória e até mesmo dumping ao zerar o preço de um produto que tem valor de oportunidade pelo menos igual ao CDI (atualmente em 6,4% ao ano de acordo com a B3).

Também citam uma possível violação do Termo de Compromisso e Cessação firmado com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no ano passado em investigação que apurou ilícitos comerciais. Leia mais sobre o inquérito aqui.

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