Balanço nesta terça!

Cielo (CIEL3): resultado do 2º trimestre justificará salto de mais de 90% da ação no ano?

Analistas projetam números fortes para a companhia no período, mas ainda há divergências sobre próximos passos da companhia na Bolsa

Por  Lara Rizério

Após anos em baixa com queda da rentabilidade e maior concorrência, as ações da Cielo (CIEL3) voltaram a chamar a atenção dos investidores e de analistas de mercado com sinais de recuperação da companhia de maquininhas. Com projeções mais otimistas e melhores números, apenas no acumulado de 2022 (até o fechamento da última segunda-feira) as ações já registram ganhos de 92%, a R$ 4,35, enquanto o Ibovespa tem queda de 2,47% no mesmo período.

Desta forma, os resultados do segundo trimestre de 2022 (2T22) da empresa, a serem divulgados nesta terça-feira (2) após o fechamento do mercado, serão acompanhados de perto pelos investidores. A expectativa dos analistas de mercado é de números fortes, ainda que haja diferentes visões sobre os próximos passos da companhia na Bolsa.

O consenso Refinitiv com analistas de mercado projeta alta do lucro de 58% na base anual, para R$ 285 milhões, enquanto a expectativa é de uma alta para o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) é de R$ 891 milhões no trimestre, alta de 53% frente o 2T21. Já para a receita, espera-se uma alta mais modesta, de 1%, a R$ 2,843 bilhões.

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No mês passado, o Itaú BBA elevou recomendação para a empresa de maquininhas para equivalente à compra, pela expectativa de fortes volumes e crescimento para a indústria, com leve impacto em reprecificação.

A expectativa dos analistas é de R$ 300 milhões de ganhos para o trimestre e de R$ 1,1 bilhão para o ano (versus projeção anterior de R$ 985 milhões), explicados pelo crescimento da receita, menores custos de aquisição e melhores resultados para Cateno.

Já as adquirentes Stone e PagSeguro, listadas nos EUA, devem continuar se recuperando, mas com menos fôlego do que nos trimestres anteriores, avaliam.

O JPMorgan, que elevou a recomendação para a Cielo para compra em maio depois de cinco anos alternando entre recomendações neutras e de venda, projeta um lucro de R$ 240 milhões no segundo trimestre de 2022, totalizando R$ 968 milhões no ano como um todo (a estimativa para o lucro anual foi elevada em 14% em julho, com a previsão anterior sendo de R$ 851 milhões). Para o próximo ano, o prognóstico passou de R$ 791 milhões para R$ 971,4 milhões.

“O aumento ocorreu principalmente devido ao maior volume esperado da indústria, o que beneficia a Cielo Brasil e, também importante, o negócio de cartões Cateno”, apontaram em relatório do mês passado.

Os analistas também incorporaram em seus números a venda da participação da Cielo na empresa americana Merchant E-Solutions, que, eles estimam, irá gerar um ganho de R$ 20 milhões a R$ 40 milhões por trimestre a partir do terceiro trimestre de 2022, com impacto parcial no segundo trimestre.

O Goldman Sachs também espera que a Cielo seja o destaque do setor, com resultados sólidos e margens líquidas superiores a 10%. Para o banco, os resultados das companhias de maquininhas – além de Cielo, Stone e PagSeguro – devem ser impactados positivamente pelo crescimento saudável do TPV (volume total de pagamentos), enquanto há outros esforços de reprecificação que beneficiam as taxas de participação.

“Esperamos que o TPV da indústria no Brasil cresça 30% na base anual (alta de 3% na comparação trimestral) no 2T22, desacelerando em relação à forte taxa de 36% na base anual no 1T22. A Cielo deve ganhar a maior participação de mercado no 2T22 entre os pares, pois esperamos que ela apresente um crescimento de volume saudável no trimestre, mas ainda perdendo participação de mercado em relação ao 2T21. Esperamos que a participação de mercado total de TPV da Cielo aumente para 27,7% no 2T22, de 26,7% no 1T22, mas ligeiramente abaixo dos 27,9% no 2T21”, avalia o Goldman.

Da mesma forma, os analistas esperam que PagSeguro e Stone cresçam seu TPV ligeiramente acima da indústria no trimestre, ganhando modesta participação de mercado em volumes no 2T22, com um aumento de 0,2 ponto percentual para 11,0% para PagSeguro e alta de 0,1 ponto percentual, a 11,3% para Stone.

O Goldman espera que o lucro da Cielo avance 51% na base anual, para R$ 279 milhões. Já as despesas financeiras líquidas devem aumentar devido a taxas de juros mais altas. Contudo, as despesas totais devem cair no trimestre, com a margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) expandindo de 31,5% no 1T22 para 37,4% no 2T22.

Enquanto JPMorgan e BBA estão mais otimistas com Cielo, o Goldman tem recomendação de venda para os ativos, com preço-alvo de R$ 2,70 (queda de 38%). Ainda que veja bons números no 2º trimestre, o banco acreditamos que a perspectiva de longo prazo para a companhia continua desafiadora.

“A ação está sendo negociada a 10,2 vezes o preço sobre o lucro (P/L) esperado para 2023, enquanto o nosso preço-alvo  implica que ela deve ser negociada a 6,3 vezes. Os principais riscos de alta incluem: 1) a redefinição de preços, que pode levar a uma melhor taxa de aceitação, 2) o melhor atendimento aos clientes, que pode levar a uma maior participação de mercado e 3) as margens, que podem melhorar mais do que o esperado devido ao aumento do foco nos custos”, avaliam os analistas do banco.

Já o JP tem preço-alvo de R$ 5,50 para os ativos CIEL3 (potencial de alta de 26%), enquanto o BBA tem preço-alvo de R$ 5 (ou upside de 15%).

Segundo compilação da Refinitiv com analistas de mercado, de 13 casas que cobrem o papel, 3 possuem recomendação de compra, 8 recomendação neutra e 2 de venda, com preço-alvo médio de R$ 3,92 (valor cerca de 10% menor do que o fechamento da véspera).

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