Cielo (CIEL3): BB e Bradesco querem tirar empresa da Bolsa, mas terão que oferecer mais

Resultado do quarto trimestre foi ofuscado por anúncio de OPA, mas analistas veem termos poucos atrativos e olham próximos passos

Camille Bocanegra

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Após a divulgação do resultado do quarto trimestre de 2023, com lucro acima do esperado pelo consenso LSEG, a Cielo (CIEL3) continuou como foco das atenções do mercado, mas por outro anúncio além do balanço em si. Os controladores da companhia, Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3), lançaram OPA (oferta pública de aquisição) por R$ 5,35 por ação para fechamento de capital da Cielo, listada na Bolsa desde 2009.

As companhias envolvidas estão entre as maiores altas do Ibovespa na sessão desta terça-feira (6), com Bradesco subindo 4,10%, Banco do Brasil com alta de 0,65% e Cielo avançando 3,78%, às 11h20 (horário de Brasília).

A operação visa o cancelamento do registro da Cielo, que conta atualmente com free float (ações em circulação no mercado) de 40,6%. Pelas regras da CVM, é necessário que 2/3 dos acionistas desses aceitem a operação. Para o JPMorgan, provavelmente os investidores minoritários exigirão preço mais alto, ainda que reconheçam o valor de aquisição e serviços bancários integrados. O preço apresenta “modesto prêmio de 6%”, na visão do banco estrangeiro, em relação ao fechamento do papel na sessão de ontem, em R$ 5,03.

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Outro ponto destacado na análise do JPMorgan é a participação de 70% da Cielo na Cateno, enquanto o BB tem outros 30%, como um dos motivos para a OPA.

“Acreditamos que a participação da Cielo na Cateno sozinha valeria cerca de R$ 3,50 por ação a um múltiplo de cerca de 8 vezes o múltiplo de P/L (preço sobre lucro). Não está claro para nós se já há um acordo entre os bancos controladores sobre uma eventual reorganização da estrutura Cateno/Cielo Brasil. Para Stone e PagBank, uma reorganização da Cielo poderia significar mais concorrência”, considera o JPMorgan.

O Itaú BBA considera que os termos serão discutidos a partir de agora com os acionistas minoritários e que a movimentação apresenta valor estratégico para os desenvolvimentos no setor. Em primeira análise, o banco também destaca uma visão negativa para a concorrência de outras adquirentes, caso da Stone, pois deve acelerar a competição em pequenas e médias empresas (PMEs).

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A expectativa é que o BB detenha 49,99% do capital e o Bradesco fique com os 50,1% restantes. Apesar de os compradores serem os controladores, levantando a possibilidade de conflitos de interesse no fechamento de capital, a Genial acredita que a operação faz sentido para o Banco do Brasil (BB), Bradesco e Cielo.

O cenário de adquirência passou por mudanças significativas, e a perspectiva de um negócio consistentemente rentável é considerada baixa. A corretora destaca que o Itaú, com a Rede, e o Santander, com a Getnet, conseguiram integrar vendas cruzadas de produtos bancários e adquirência de forma mais eficaz do que o Bradesco, Banco do Brasil e Cielo.

Números do trimestre sem tanto brilho

Sobre o balanço em si (considerado fraco pelo JPMorgan), o relatório destacou a queda no volume total de pagamentos (TPV, na sigla em inglês) de 4% em relação ao ano anterior. As receitas apresentaram estabilidade, em especial devido ao maior “mix” de grandes contas, preço médio mais baixo (novos clientes a um preço mais baixo em comparação com a base) e menor penetração automática de pré-pagamento. Além disso, houve alguma perda de participação de mercado na Cateno.

O Goldman Sachs avalia que a expansão da receita líquida foi considerada sólida, mas parcialmente compensada por receitas com pré-pago mais fracas e despesas mais pressionadas. Mesmo assim, a análise destaca que os ganhos aumentaram 7% em relação ao trimestre anterior, com expansão 4% superior às projeções do banco. Como ponto negativo, o Goldman cita o custo de serviços superior às expectativas e o aumento de despesas recorrentes. O aumento foi principalmente devido à participação nos lucros mais elevada, embora as despesas com salários e administrativas também tenham aumentado no trimestre, de acordo com o banco.

O BBA considerou os números dentro do esperado, compensando piores tendências dos últimos trimestres. Ainda que o balanço mostre que a empresa segue perdendo participação de mercado, o banco considera que a Cielo está “fechando a lacuna”. Os custos e as despesas também foram destaque na análise, com a percepção de que apresentaram crescimento mais rápido do que a receita.

Para a Genial, o resultado foi considerado em linha com as expectativas do mercado, mas ofuscado pelo anúncio da oferta pública.