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SÃO PAULO – O cenário de inflação reforça uma atitude consciente em quem já pensa na sustentabilidade no momento da compra. Já quem não tem esse tipo de informação sobre o consumo consciente, que é a maioria da população, acaba optando por um produto mais barato.
“Em pessoas já estimuladas para a questão da sustentabilidade, a inflação pode ser, sim, um motivo a mais para que ela seja mais consciente”, afirmou a coordenadora da área de capacitação comunitária do Instituto Akatu para o Consumo Consciente, Raquel Diniz.
O problema é que esta é a menor parcela da população. “Um terço, ou 33%, dos brasileiros pratica oito dos 13 comportamentos considerados conscientes. Os mais engajados são das classes B e C”, disse Raquel.
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Há espaço para o consumo consciente?
Diante da inflação, Raquel disse que é possível praticar o consumo consciente e ainda economizar. “Sempre há espaço para trabalhar a sustentabilidade. A gente desperdiça muito: compra mais do que o necessário, não checa prazo de validade e não vê se o alimento está adequado”, exemplificou Raquel, que ainda disse que tudo é uma questão de planejamento, que deve ser feito independentemente da inflação.
Outra medida que pode ser tomada é comprar produtos locais. Assim, o consumidor contribui para amenizar a emissão de gases poluentes que provocam o efeito estufa e ainda paga mais barato, uma vez que essas mercadorias não precisam ser transportadas por longas distâncias e o vendedor não repassa este custo ao preço final.
Como a inflação está mais focada nos alimentos, Raquel ainda indica aos consumidores que comprem em locais confiáveis, e que saibam da origem dos produtos, como feiras, por exemplo.
Crédito
Em relação à tomada de crédito, Raquel disse que, apesar de não ter nenhum dado que comprove uma situação de maior consciência, ela acredita que a inflação faz com que as pessoas parem um pouco mais para pensar antes de aderir a um empréstimo. “Elas tomam mais cuidado para que a inflação não pegue de surpresa”, afirmou.
A mesma idéia é dividida pelo executivo-chefe da Losango, Hilgo Gonçalves. Segundo disse, o cenário atual de alta inflação e de muita concorrência no mercado de crédito está levando o brasileiro a tomar um empréstimo mais consciente.
Ele explicou que a concorrência é uma característica muito forte do mercado de crédito, a qual leva os clientes, principalmente aqueles das classes C, D e E, a analisar melhor as diferentes propostas.
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Outro ponto que incentiva a tomada de crédito consciente é o cenário atual de inflação e aumento das taxas de juros, que diminuem o poder de compra. “Com menos dinheiro, as pessoas são levadas a pensar melhor em como usar o dinheiro, ou seja, analisar o que é realmente necessário”, afirmou o executivo.