Infraestrutura

CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3) disputarão Dutra no maior leilão de rodovia do mundo: o que está em jogo?

Vencedor do leilão deve desembolsar cerca de R$ 15 bilhões; para analistas, projeto tem bom potencial de receitas e disputa pode ser acirrada

Por  Mitchel Diniz -

SÃO PAULO – Trecho de ligação entre as maiores regiões metropolitanas do Brasil – São Paulo e Rio de Janeiro – a rodovia Presidente Dutra vai à leilão nesta sexta-feira (29) às 14h (horário de Brasília) como a concessão mais cara a ser disputada no país até hoje.

O vencedor do certame vai precisar desembolsar R$ 14,8 bilhões em investimentos e será responsável por operar 626 km de rodovia pelos próximos 30 anos, podendo o prazo ser prorrogado por mais cinco.

Sendo responsável pela movimentação de quase metade do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, a Dutra é considerada a “joia da coroa” nas concessões pelo tráfego, além de cortar o importante polo industrial do Vale do Paraíba.

Atualmente a concessão é da CCR (CCRO3), empresa que administrou um trecho de 402 km da Dutra por 25 anos. A empresa deve ser uma das proponentes do leilão.

“Apesar desse ser um ativo bastante desejado e conhecido, a competição estará limitada apenas à CCR e Ecorodovias (ECOR3), os únicos a apresentarem proposta”, diz relatório da XP assinado por Pedro Bruno, Lucas Laghi e Gabriela Ferrante. O leilão será no formato híbrido. Os participantes poderão oferecer um desconto de até 15,31% sobre valor de tarifa de pedágio que consta na edital do certame. Se houver empate, leva a concessão quem pagar maior valor de outorga, podendo haver disputa no viva-voz.

A CCR é vista como a favorita para continuar com a concessão da rodovia por ter acesso a todas as informações com mais detalhes que os concorrentes, afinal ela administra a estrada há 25 anos. Porém, conforme destacou Renato Sucupira, presidente da BF Capital, da mesma forma que conhece os pontos fortes da rodovia, também conhece as desvantagens, que outro concorrente não entende e pode subestimar numa oferta, diz

As principais melhorias que o vencedor da licitação vai precisar fazer inclui 80 km de obras de duplicação, 602 km de faixas adicionais, 2,6 km de túneis e a implantação de 535 pontos de ônibus ao longo do trecho concedido, além de dez praças de pedágio.

“O investimento total de R$ 14,8 bilhões (em termos reais) é altamente concentrado nos primeiros nove anos de concessão. No entanto, um forte perfil de geração de caixa é esperado para o período pós-investimentos”, afirmam os analistas da XP. Eles também afirmam que, apesar da forte concentração de investimentos na primeira década do projeto, notam um perfil de baixa alavancagem financeira, por conta do perfil maduro do trecho de São Paulo a Rio de Janeiro.

“Como principal vantagem da concessão, destacamos o seu tráfego consolidado de veículos, com a Nova Dutra tendo registrado, em 2019 (pré-pandemia), receita bruta de R$ 1,43 bilhão. Além disso, o vencedor do certame será favorecido com as receitas do empreendimento assim que assumir a concessão, ao contrário de estradas ainda não pedagiadas, que requerem intervalo até o início da cobrança”, disseram os analistas da Levante Ideia de Investimentos.

Os analistas do Itaú BBA também fazem um contraponto do valor da concessão com a geração de receitas em potencial. “Apesar do desembolso pesado, um fluxo anual de passageiros equivalente a 150 milhões de veículos pode gerar receitas próximas de R$ 1 bilhão no primeiro ano de concessão, com uma estimativa sólida de margem de lucro antes de juros, depreciações e amortizações (Ebitda) de 74%, o que não é nem um pouco ruim”, diz o relatório.

O Itaú BBA acredita que, apesar dos poucos competidores, a disputa será acirrada. Os analistas dizem que a concessão atende a objetivos estratégicos tanto da CCR quanto da Ecorodovias, no sentido de ter projetos com retornos atraentes na carteira de investimentos. “Como atual operador do trecho, a CCR pode acirrar a briga para manter essa concessão em casa, mas comprometida com sua disciplina de retorno mínimo”, descreve o relatório.

“Embora notemos que a dinâmica do leilão deve diminuir o retorno esperado, acreditamos que é razoável esperar que as empresas listadas (CCR e Ecorodovias) se beneficiem de ganhos de eficiência não capturados pelas premissas genéricas do governo”, afirmam os analistas da XP.

Para a CCR, está no radar manter sua concessão mais nobre, enquanto que a Ecorodovias pode assumir o “ativo” da concorrente. Por outro lado, quem sair “perdedor” do leilão pode ter um gás a mais para participar de concessões futuras no setor.

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