Casa na praia: será que vale a pena ter uma?

Para quem não sabe se vai usufruir da casa na praia o melhor é alugar o imóvel por um tempo antes de optar pela compra

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SÃO PAULO – Nos últimos 20 anos, os lançamentos imobiliários na costa brasileira vêm crescendo de tal maneira, a ponto de algumas localidades apresentarem um metro quadrado
tão valorizado quanto o de um bairro de alto padrão nas grandes cidades. São excelentes oportunidades para investidores e amantes do litoral. Nesse sentido, é complicado entender porque a maior parte desses imóveis permanece desocupada durante todo o ano.

Experiências mal sucedidas

Um apartamento no Guarujá era o sonho de consumo do empresário Luiz Carlos Jovita. Um lugar onde ele pudesse passar o fim-de-semana e os feriados com a família, trazer os amigos e relaxar. Há quatro anos, quando ele de fato adquiriu um apartamento de três dormitórios na praia da Enseada, imaginou que finalmente estaria satisfeito. Mas não foi o que ocorreu. Passada a euforia, Luiz Carlos se arrependeu. “Parece mentira, mas no ano passado eu fui apenas quatro vezes para o Guarujá”, conta.

Imóveis no litoral nem sempre são aquela maravilha que pensamos. Além de dar trabalho, eles geram gastos que muitas vezes desconsideramos ao fechar o negócio. Condomínio, IPTU, contas de luz, gás, telefone, faxineira, manutenção da piscina, jardineiro. Somando todas essas despesas, o resultado final pode ser desanimador.

E mesmo com toda essa lista, muita gente não abre mão de um refúgio para os finais de semana. A produtora de moda Kelly Abrão não vê a hora de chegar a sexta-feira para descer para o litoral. “Se eu não vou até Ubatuba, fico maluca. Não consigo mais descansar em São Paulo. Preciso de paz”.

Imóveis só valem a pena para quem tem tempo

Se há alguém que aproveita o máximo o que seu imóvel pode oferecer, essa pessoa é a aposentada Tereza Figueiredo da Cunha. “Hoje eu digo que meu apartamento em Santos é minha primeira casa, e não mais a segunda. Passo metade da minha vida na praia. Volto para São
Paulo só para ver a família”, explica a proprietária de um imóvel de 200 m2 de frente para o mar. “É uma delícia acordar e fazer uma caminhada olhando a praia, as pessoas. Em São Paulo a gente fica trancado dentro de casa”.

Para manter um apartamento de R$ 150 mil, por exemplo, será preciso no mínimo R$ 700 para cobrir os gastos com o condomínio e as demais contas. Além disso, é preciso contabilizar o custo de oportunidade do dinheiro que foi investido na compra do imóvel, isto é, quanto ele estaria rendendo se estivesse aplicado em algum fundo de investimentos.

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Em uma aplicação conservadora, os R$ 150 mil renderiam pelo menos algo em torno de R$ 1.800,00. Na realidade, o proprietário desse imóvel está empregando R$ 2.200 todos os meses,
o suficiente para um casal para passar dois finais de semana com todo conforto numa pousada no litoral.

Se você utiliza o imóvel mais de uma vez por mês, esse cálculo pode perder o sentido. Mas dificilmente as famílias, em média, passam mais de dois dias por mês na praia. Foi esse motivo que levou o engenheiro agrônomo Antônio Fernandez a vender a casa em São
Sebastião, no litoral norte de São Paulo. “Eu não estava mais indo para a praia. A casa ficava para minha filha levar os amigos. Isso estava errado. Estava rasgando dinheiro”. Vender a casa não foi tão simples assim. Além de receber 30% a menos do que esperava, o engenheiro demorou cerca de 14 meses para encontrar uma proposta interessante.

Opções para quem não quer gastar muito

“Quem não sabe se vai usufruir da casa na praia deve fazer uma experiência, alugando uma por um ano”, explica a corretora de imóveis Larissa Cardoso. A especialista no segmento imobiliário da Baixada Santista conta que a maioria das pessoas fica animada no começo, porém no final do contrato as viagens são menos freqüentes.

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“No começo as famílias viajam todos os finais-de-semana, e depois começam a enjoar”, conta. É natural que isso aconteça. A melhor pedida, portanto, é alugar por um período mais curto.

O casal Horácio e Cristina Coelho já pensaram algumas vezes em comprar um apartamento na praia, mas são adeptos do aluguel de temporada. “Alugamos por uma semana no mês de janeiro. Durante o ano, nós preferimos ficar em pousadas. Sai mais barato”, explica o casal, que não gosta da idéia de permanecer sempre na mesma praia.

Ainda existem aqueles que aproveitam os imóveis durante os finais-de-semana e alugam nos feriados. Praia cheia, falta de água, congestionamento nas estradas espantam muitos proprietários, cuja prioridade nos momentos de lazer é a tranqüilidade.

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Alugar a casa na praia nos feriados e durantes algumas semanas pode ser extremamente vantajoso. Em épocas de forte demanda, o preço das diárias tende a explodir.Bom para quem está alugando e melhor ainda para o proprietário. Em regiões valorizadas, a diária de uma
casa de R$ 100 mil pode chegar a R$ 400. Em uma semana, é possível receber R$ 2.800, que pode ser direcionado para pintar o imóvel ou realizar outros reparos.