Campos Neto defende modelo do real digital e regulação que não atrapalhe inovação

"Eu quero integrar o mundo digital com o mundo regulado, fazer diferente do que os outros BCs estão fazendo", disse o presidente do BC

Rodrigo Tolotti

Fachada do Banco Central do Brasil (divulgação)

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O Brasil deve ter uma moeda digital própria diferente de outros países, com um projeto que irá favorecer a inovação, sem prejudicar o balanço dos bancos, afirmou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nesta sexta-feira (12).

Segundo ele, a regulação é um passo importante, mas deve ser focada em dar transparência para o mercado, com o risco de afastar investidores para um mercado não regulado e tirar oportunidades do Brasil com novas tecnologias, citando como exemplo a área de Finanças Descentralizadas (DeFi).

“Em geral, os banqueiros centrais querem regular com mão pesada. Eu entendo, mas não concordo. Talvez seja um erro regular assim […] Não devemos deixar para trás os avanços tecnológicos que vão vir com isso”, disse Campo Neto durante o debate “A regulamentação das Criptomoedas no Brasil e no mundo”, promovido pelo Escritório Figueiredo & Velloso Advogados.

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“Eu quero integrar o mundo digital com o mundo regulado, fazer diferente do que os outros BCs estão fazendo”, completou.

O presidente do BC reforçou que a meta é que o real digital esteja em funcionamento em 2024 e que o grande desafio desse projeto é o entendimento com o resto do mundo: “Se cada país fizer uma moeda diferente, vamos continuar no mesmo sistema de hoje, que não é eficiente”.

Sobre o modelo brasileiro, Campos Neto explicou que os bancos nacionais poderão emitir stablecoins para reduzir o risco de faltar dinheiro para executar operações de crédito, algo que Fábio Araújo, coordenador do projeto do real digital, explicou essa semana em evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

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“Se alguém quiser, na liquidação, converter essa stablecoin em uma moeda emitida pelo BC, vamos garantir que toda stablecoin seja transformada em um para um em uma moeda digital”, explicou o presidente do BC nesta sexta.

Participando do mesmo evento, o novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Pedro Nascimento, também reforçou o papel da autarquia em criar uma regulação que não seja invasiva ao mercado cripto.

Segundo ele, a CVM já criou um parecer de orientação, que está em fase de revisão, que será utilizado para ajudar o mercado e dar maior segurança enquanto uma lei não for aprovada no Congresso. “Proibir uma revolução não é algo que faremos”, disse ele sobre o crescimento das criptos.

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Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.