Camex pode aumentar limite de trigo isento de tarifa vindo de fora do Mercosul

Motivo são complicações com o fornecimento argentino, que diminuem oferta do produto no País e encarecem seus derivados

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SÃO PAULO – Em virtude da decisão argentina em extinguir, por tempo indeterminado, a liberação nas vendas de trigo ao Brasil, a Camex (Câmara de Comércio Exterior), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pode rever a redução da TEC (tarifa externa comum, em 10%) do produto vindo de outros países.

Em fevereiro, o orgão desobrigou a cobrança da tarifa sobre um milhão de toneladas do cereal vindo de países de fora do Mercosul, por conta de incertezas sobre a efetivação das exportações da Argentina. A TEC é adotada para estimular o comércio no bloco econômico sul-americano, sofrendo alterações, quando necessário. Se o país vizinho falta com o fornecimento, os mercados alternativos são Estados Unidos e Canadá.

10%

Segundo a assessoria de imprensa do ministério, até o momento, apenas 10% da cota do trigo isento da TEC foram comprados. Restam portanto, 900 mil toneladas, a serem utilizadas até junho, para fechar a conta. Caso a importação total seja cumprida antes do prazo estipulado, a pasta não vê problemas em lançar uma nova discussão para garantir o benefício novamente.

Ocorre que, mesmo com a decisão, o trigo vindo dos Estados Unidos custa cerca de 15% a mais do que o oriundo da Argentina. Além disso, o produto demora cerca de 40 dias para vir dos EUA e do Canadá, sendo que da Argentina esse período é de aproximadamente uma semana.

Capacidade

O Brasil tem capacidade de moer 800 mil toneladas por mês e precisa importar cerca de 60% de seu consumo. Conforme a Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo) , a demanda estimada para o cereal é de 9,3 milhões de toneladas neste ano. A produção nacional foi de 3,8 milhões de toneladas, da safra iniciada em agosto – volume completamente vendido.

De maneira geral, a entidade estima que seja necessária, ainda neste ano, a compra de 4,2 milhões de toneladas.

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Impacto

De janeiro a dezembro, no âmbito do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o pão francês teve encarecimento de 7,93%, o macarrão, de 7,58%, e o biscoito, de 5,20%. A expectativa era de valorização de até 16% desses itens, caso a tarifa fosse mantida.

A intensificação dos problemas fez com que a farinha ficasse 40% mais cara nos três primeiros meses deste ano. Segundo o Sindicato da Indústria e Panificação do Estado de São Paulo, padarias anunciaram em março um reajuste de 10% no preço de seus produtos, entre eles, o pão francês.

Já segundo a Abima (Associação Brasileira das Massas Alimentícias), os preços dos derivados do trigo não devem cair antes do segundo semestre de 2008. O macarrão, por exemplo, que já encareceu 10% no primeiro trimestre do ano, deve valorizar cerca de 15% nos próximos meses.