“Calmaria” no minério pode destravar valor para ações da Vale (VALE3), diz Santander

Investidor costuma atribuir maior valor às mineradoras quando há mais previsibilidade sobre geração de caixa, lucros e distribuição de dividendos

Felipe Moreira

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Divulgação/Vale
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A redução da volatilidade do minério de ferro pode abrir espaço para uma reprecificação positiva das ações de mineradora, como é o caso da Vale (VALE3), segundo relatório do Santander assinado pelos analistas Yuri Pereira e Laura Zioli.

Na avaliação da dupla, o mercado costuma atribuir maior valor às mineradoras quando há mais previsibilidade sobre geração de caixa, lucros e distribuição de dividendos.

O estudo mostra que o preço do minério, isoladamente, explica apenas uma pequena parcela da variação dos múltiplos EV/Ebitda (valor da firma/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) das grandes mineradoras globais. Já a volatilidade da commodity apresenta uma relação muito mais forte com as avaliações de mercado. Historicamente, em períodos de menor volatilidade, o setor negociou com múltiplos cerca de 0,7 vez superior aos observados em ambientes mais turbulentos.

Segundo Yuri Pereira e Laura Zioli, a volatilidade do minério recuou de aproximadamente 50% em 2021-2022 para 17% em 2025-2026. A principal discussão agora é se essa mudança é temporária ou se reflete uma transformação estrutural do mercado.

Caso a menor volatilidade se consolide como uma característica estrutural do mercado, o Santander acredita que os múltiplos históricos do setor podem deixar de representar um ponto de equilíbrio e passar a funcionar como um piso para as avaliações. Nesse cenário, haveria potencial para uma expansão adicional de 0,4 a 0,9 vez no EV/Ebitda das mineradoras, mesmo sem mudanças no preço do minério.

Na visão do banco, a Vale está entre as principais beneficiárias dessa dinâmica por sua elevada exposição ao minério de ferro. Assim, um mercado mais previsível poderia contribuir para destravar valor nas ações da companhia, independentemente de uma alta relevante da commodity.

Com isso, o Santander reitera recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para o ADR (recibo de ações negociado em Nova York) da mineradora brasileira, com preço-alvo de US$ 15,50.

Mineradoras são grandes geradoras de caixa

Segundo o Santander, as grandes produtoras de minério de ferro são hoje geradoras de caixa voltadas para a remuneração dos acionistas. Em ambientes de elevada volatilidade, as empresas tendem a manter reservas maiores, adiar investimentos e evitar programas agressivos de recompra de ações por receio de uma queda abrupta nos preços da commodity.

Já em um cenário mais estável, a administração consegue executar estratégias de capital de longo prazo com mais credibilidade, algo que costuma ser valorizado pelo mercado.

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A redução da volatilidade também aumenta a confiança dos investidores na capacidade das empresas de manter dividendos elevados de forma recorrente, e não apenas em períodos excepcionais de preços altos.

Esse efeito é particularmente relevante para mineradoras mais concentradas em minério de ferro, como Vale e Fortescue, cujos resultados dependem fortemente da commodity.

Menor prêmio de risco

Os analistas destacam ainda que múltiplos mais elevados refletem um menor custo de capital exigido pelos investidores. Historicamente, o setor negociou com um prêmio de cerca de 0,7 vez em EV/Ebitda durante períodos de baixa volatilidade. Em outras palavras, quando o minério apresenta oscilações menores, o mercado exige um prêmio de risco menor para investir nessas empresas, elevando suas avaliações.