Cães brasileiros sobem de classe social, mas ainda comem rações baratas

Estudo mostra que 900 mil animais deixaram de comer restos de comida para comer ração, mas das mais em conta

Equipe InfoMoney

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SÃO PAULO – Não é só a população brasileira que está subindo de classe social, em razão do melhor panorama econômico que o País vem apresentando nos últimos anos. Os animais de estimação também apresentam melhoria no padrão de vida.

De acordo com a Anfalpet (Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais Domésticos), cerca de 900 mil cães e gatos deixaram de comer restos de comida, em 2006, e passaram a comer ração, em 2007.

No entanto, as pessoas ainda não gastam muito com o produto. Apesar da alimentação responder por 75% do total de vendas de produtos para pets – seguida por serviços (13%), medicamentos, higiene e embelezamento (7%) e equipamentos e acessórios (5%) -, as rações mais baratas são as que dominam o mercado.

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Produtos econômicos

Ainda de acordo com a Anfalpet, o segmento de produtos econômicos ou básicos representa 65% do mercado e absorve todo o crescimento do setor. Já as rações Standard, que representam 23% do mercado, permanecem estáveis, e os segmentos Premium e Super Premium, que respondem por 8% e 4% do mercado, respectivamente, apresentam queda.

No entanto, segundo o veterinário Reinaldo Perez, comprar a ração mais barata não é sinônimo de economia. “Há uma diferença grande de preços entre as chamadas básicas e as super premium, mas o custo benefício precisa ser levado em conta. Com rações mais bem balanceadas, os animais comem menos – o que já equilibra os gastos – e adoecem menos, diminuindo as despesas com veterinário e medicamentos”, explica.

Na ponta do lápis

Mas, afinal, quanto custa alimentar os animais com os diferentes tipos de ração? “Não dá para falar exatamente quanto cada animal come, pois depende do peso, da idade e da ração escolhida. Mas no mercado há rações que variam de R$ 2,50 a R$ 40 o quilo”.

Para se ter idéia dos gastos, pesquisamos os preços dos diferentes tipos de alimentos para cães no Pet Center Marginal, uma da maiores casas de produtos para animais domésticos de São Paulo, levando em consideração o ranking de animais mais registrados em São Paulo da Fecesp (Federação de Cinofilia do Estado), que revelou que os yorkshires, os shi-tzus e os malteses são os cachorros favoritos dos paulistas.

As rações Super Premium costumam ter linhas específicas para cada raça de animal, já que possuem ingredientes que suprem as necessidades de cada raça. Para os yorkshires, por exemplo, há a Premier Pet de 1,5 kg, que custa R$ 34,90, a Royal Canin, que sai por R$ 24,90 o quilo, e a Supreme Cães, a R$ 11,90 o meio quilo.

Para os shi-tzus, há apenas a Royal Canin, que custa R$ 24,90 o pacote de 1 kg, tanto para adultos quanto para os filhotes. Já a ração específica para malteses é a Premier Pet, que custa R$ 34,90 o pacote de 1,5 kg para adultos e R$ 36,90 a mesma quantidade para filhotes.

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Mais baratos

Já a Pedigree, uma das rações mais tradicionais do mercado, é considerada Premium e custa R$ 30,90 o pacote com 3 kg para raças pequenas, ou seja, serve para os cães mais populares do Estado. A Dog Chow, outra ração premium para raças pequenas, sai por R$ 9,90 o quilo.

Já na categoria básica e standard há marcas como a Biriba, cujo pacote de 3 kg é vendido por R$ 7,90, e a Champ, que custa R$ 9,90 a embalagem de 2kgs.

Para explicar os preços tão baratos, a Anfalpet faz uma séria denúncia. “As empresas no segmento dos produtos econômicos ou básicos sonegam 60% dos impostos. O valor sonegado é repassado ao consumidor, beneficiando-o com queda nos preços em até 30%. Isto significa que o crescimento do mercado ocorre nas faixas mais pobres da população. Assim, os produtos classificados como econômicos ou básicos têm como característica o baixo valor nutricional e a não-arrecadação dos impostos. E, por esta razão, induzem as empresas do setor a uma grave crise, visto que o crescimento tem por base produtos de baixa qualidade e a sonegação de impostos – baseia-se na informalidade, colocando os ativos das empresas que atuam no segmento econômico em situação de alto risco”, afirma informativo da empresa divulgado para a imprensa.

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Ainda de acordo com o comunicado, os preços dos produtos Premium e Super Premium são caros, pois são taxados com 49,9% de impostos, enquanto os insumos agropecuários, com 15,25%, e a cesta básica, 7%. ” A diferença é que os alimentos para cães e gatos são taxados como supérfluos, apesar desta nutrição substituir os alimentos de consumo humano. A reivindicação do setor é enquadrar os alimentos para os animais de companhia com alíquota idêntica àquela determinada ao alimento humano, assim como é feito nos Estados Unidos (onde alimentos humanos e pet food têm alíquotas idênticas e não superiores a 7,5%) e na Europa (a maior taxa é a da Alemanha, que não ultrapassa 18%)”.