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Diversas empresas divulgaram na última terça-feira (5) seus números do primeiro trimestre de 2026, com reações bastante distintas no mercado.
Entre os destaques positivos, as ações da C&A (CEAB3) e da Tenda (TEND3) avançaram com força, registrando altas de 7,06% (R$ 12,28) e 9,85% (R$ 31,55), respectivamente. O movimento também foi impulsionado pela queda dos juros futuros, que tende a favorecer empresas mais sensíveis ao crédito, como as de consumo e construção.
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Na outra ponta, a TIM (TIMS3) figurou como a principal queda da sessão desta quarta-feira, com recuo de 7,88%, cotada a R$ 24,44, seguida pela PRIO (PRIO3, R$ 66,54, -4,26%), RD Saúde (RADL3, R$ 21,76, -1,85%), Klabin (KLBN11, R$ 17,14, -1,49%), e Copel (CPLE3, R$ 15,75, -0,94%).
Confira abaixo as análises dos resultados:
C&A (CEAB3)
A C&A (CEAB3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 8 milhões no primeiro trimestre deste ano, o que representa uma alta de 218,7% sobre o desempenho obtido um ano antes.
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A XP avalia que a C&A (CEAB3) apresentou resultados sólidos no primeiro trimestre, com destaque para a melhora no desempenho da operação de vestuário após um quarto trimestre pressionado por rupturas de produtos.
Segundo a casa, a companhia conseguiu ajustar o mix e fazer uma transição mais eficiente para a nova coleção, o que levou a um crescimento de 4,8% nas vendas nas mesmas lojas (SSS), com evolução ao longo do período. A margem bruta também surpreendeu positivamente, com expansão acima do esperado.
O BTG Pactual, por sua vez, avalia que a C&A apresentou resultados ligeiramente acima das estimativas, com sinais de recuperação no desempenho operacional. A casa destaca a melhora gradual das vendas nas mesmas lojas (SSS) em vestuário e a expansão da margem bruta, impulsionada por maior disciplina de preços e melhor gestão de sortimento.
Na visão do BTG, a varejista segue avançando em eficiência operacional e mantém disciplina na operação de crédito. A recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 19.
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O Bradesco BBI entende que, apesar da fraqueza na dinâmica de capital de giro e na geração de caixa da C&A no trimestre, parte relevante desse desempenho é sazonal, ligada à antecipação da coleção de inverno. A expectativa é de normalização ao longo do segundo trimestre de 2026.
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O banco também destaca que a monetização recorrente de créditos tributários deve continuar contribuindo com cerca de R$ 250 milhões por ano até 2027, embora esse fator normalmente não seja plenamente refletido nas análises de caixa subjacente.
Diante dos sinais iniciais de recuperação operacional, o BBI reiterou recomendação de compra, embora tenha reduzido o preço-alvo de R$ 24 para R$ 18 por ação, o que ainda indica potencial relevante de valorização.
RD Saúde (RADL3)
A RD Saúde (RADL3) teve lucro líquido ajustado de R$ 299,8 milhões no primeiro trimestre, crescimento de quase 70% na comparação anual.
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A XP avalia que a RD Saúde (RADL3) apresentou mais um trimestre de resultados sólidos, mantendo um desempenho consistente nas vendas. Segundo a casa, as vendas nas mesmas lojas maduras (MSSS) avançaram 12,8%, em linha com concorrentes, sustentadas principalmente pela categoria de medicamentos (RX), com penetração de GLP-1 estável no trimestre, apesar de preocupações do mercado com uma possível desaceleração por questões de oferta e efeitos de calendário.
Em termos de rentabilidade, a margem bruta veio melhor que o esperado, ficando estável na comparação anual, com ganhos comerciais compensando efeitos negativos de mix. Já a margem EBITDA (Ebitda = lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações/receita líquida) apresentou expansão de 0,6 ponto percentual, refletindo alavancagem operacional.
Outro destaque foi a geração de caixa, com fluxo de caixa livre positivo, impulsionado por melhores resultados operacionais e melhora na dinâmica de capital de giro.
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Já o BTG Pactual destaca que a RD apresentou resultados fortes no trimestre, com crescimento de vendas nas mesmas lojas acima das estimativas e bem superior à inflação de medicamentos.
O desempenho foi impulsionado principalmente pela categoria de medicamentos de marca, com destaque para produtos GLP-1, além do avanço consistente em genéricos e OTC. A companhia também seguiu expandindo sua base de lojas e ganhando participação de mercado.
Na avaliação do BTG, a RD mantém forte trajetória de crescimento e ganhos de escala. A recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 30.
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O Bradesco BBI também reiterou recomendação de compra, apoiado em valuation atrativo e no sólido momento operacional e de resultados. Segundo o banco, o forte crescimento das vendas, a contínua expansão do canal digital e a melhora de margens reforçam a capacidade da companhia de capturar ganhos de escala, mesmo em um ambiente competitivo e com pressões pontuais de mix.
Vulcabras (VULC3)
A Vulcabras (VULC3) divulgou seus resultados registrando aumento de 10,7% na receita líquida no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período no ano anterior, para R$ 776,4 milhões. Enquanto houve avanço da receita, o lucro líquido recorrente teve um recuo de 18,9% em relação ao mesmo período de 2025, a R$ 86,1 milhões.
A XP avalia que a Vulcabras (VULC3) apresentou resultados em linha no primeiro trimestre, com desempenho operacional sólido mesmo em um ambiente competitivo mais acirrado.
Segundo a casa, a companhia registrou crescimento de volumes, principalmente em calçados esportivos, e mostrou um ponto de inflexão positivo na margem bruta, que voltou a crescer na comparação anual após pressões observadas em trimestres anteriores.
Apesar da melhora operacional, a rentabilidade ainda inspira cautela. O lucro líquido recorrente caiu na base anual, impactado pelo aumento das despesas financeiras após a distribuição elevada de dividendos em 2025, que alterou a estrutura de capital da empresa.
Para o BTG Pactual, a Vulcabras entregou um trimestre sólido e em linha com as expectativas, com crescimento consistente de receita apoiado pela expansão de volumes, especialmente em calçados esportivos. O BTG mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 21.
Tenda (TEND3)
A Tenda (TEND3) teve lucro líquido consolidado de R$ 183,4 milhões no primeiro trimestre, mais que o dobro do resultado positivo de um ano antes e acima do esperado pelo mercado.
Na avaliação do BTG, os resultados da Tenda foram fortes no 1T, com lucro líquido recorrente de R$ 152 milhões, superando as estimativas, beneficiado por menores custos de vendas, gerais e administrativos. A geração de fluxo de caixa recorrente foi de R$ 79 milhões no trimestre, acima das expectativas. A alavancagem caiu, encerrando o trimestre com Dívida Líquida/Patrimônio de 24%. O desempenho refletiu melhora operacional consistente e recuperação de rentabilidade.
Apesar da forte surpresa positiva no resultado, especialmente via margens, o Bradesco BBI optou por não revisar as estimativas de lucro no momento, diante de incertezas ainda presentes em relação aos custos de construção.
O BBI avalia, contudo, que a Tenda apresenta um nível adequado de provisões, equivalente a cerca de 11% dos custos orçados, o que limita riscos relevantes no cenário base.
O BBI reitera recomendação de compra, sustentada por valuation atrativo, crescimento projetado de lucro por ação de 23% ao ano entre 2026 e 2028, resultados de 2026 bem ancorados pelas provisões e uma perspectiva de dividend yield resiliente entre 6% e 9% em 2026e 2027.

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TIM (TIMS3)
A TIM (TIMS3) teve lucro líquido normalizado de R$ 821 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 1,3% ante o mesmo período de 2025.
A XP considerou mistos os resultados da TIM no 1T26, com receita líquida 0,8% acima das estimativas, impulsionada principalmente pelos serviços fixos, enquanto as receitas de serviços móveis ficaram amplamente em linha.
O EBITDA normalizado atingiu R$ 3,3 bilhões, em linha com as previsões da XP, mas com margem 55 bps abaixo da projeção, sugerindo alguma pressão de custos no trimestre. O principal ponto negativo foi o lucro líquido normalizado, que somou R$ 821 mi, 12,9% abaixo das estimativas.
Já o BTG avaliou números da TIM como sólidos no 1T, com receita de serviços crescendo 6,5% na base anual, ligeiramente abaixo das estimativas. O lucro líquido cresceu 1,4% na base anual para R$ 821 milhões, impactado por maiores despesas financeiras e tributárias. O banco reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 22.
O Bradesco BBI, por sua vez, classifica os resultados do 1T26 como negativos, principalmente pela frustração na linha de receita core (principal) de maior margem e pela perda de momentum na expansão de margens, que vinha sendo um dos principais pilares da tese.
Embora o desempenho absoluto ainda seja sólido, com crescimento relevante de EBITDA e boa geração operacional após capex, os números sugerem que a intensificação da concorrência pode estar começando a pressionar o desempenho da companhia, visível na desaceleração do segmento pós pago e no aumento da inadimplência.
Com ações negociando a múltiplos que considera justos e um ambiente competitivo mais desafiador à frente, o BBI reitera recomendação neutra, preferindo aguardar maior visibilidade sobre a sustentação do crescimento e do perfil de rentabilidade antes de adotar uma postura mais construtiva.
PRIO (PRIO3)
A PRIO (PRIO3) obteve lucro líquido de US$ 460 milhões no primeiro trimestre de 2026, 33% a mais do que o registrado no mesmo período de 2025, quando atingiu lucro de US$ 345 milhões.
Na avaliação do BBI, o crescimento expressivo do EBITDA foi o principal destaque do trimestre, ainda que parcialmente neutralizado pelo consumo de capital de giro, que eliminou um potencial FCFE (Fluxo de Caixa Livre para o Acionista) positivo estimado em cerca de US$ 400 milhões.
O BBI avalia, contudo, que as perspectivas para o FCFE no 2T26 são razoavelmente positivas, sustentadas por preços de petróleo ainda elevados, reversão esperada do consumo de capital de giro observado no 1T26 e redução relevante do capex com a conclusão do projeto Wahoo, apesar do impacto negativo dos impostos de exportação.
Ainda assim, o BBI reitera recomendação neutra e preço-alvo de R$ 69 por ação para o final de 2026, diante de potencial de valorização limitado sob nossa curva atual de preços do petróleo e riscos relevantes de correção em um cenário de reversão no ambiente geopolítico.
Iguatemi (IGTI11)
A administradora de shoppings de alto padrão Iguatemi (IGTI11) informou que teve lucro líquido consolidado de R$ 238 milhões no primeiro trimestre de 2026, que representa alta de 121,1% em relação ao mesmo período de 2025.
O BTG Pactual disse que a Iguatemi apresentou resultados sem surpresas no primeiro trimestre, mantendo um desempenho operacional sólido. A receita cresceu 12% na comparação anual, impulsionada principalmente pelo avanço das receitas de aluguel e pelo bom desempenho do varejo nos shoppings. O EBITDA acompanhou esse crescimento, com margem elevada, refletindo a eficiência operacional do portfólio.
Na visão do banco, a companhia segue com fundamentos sólidos e operação resiliente. A recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 25.
Já o Bradesco BBI avalia que a Iguatemi apresentou um trimestre consistente, reforçando a visão construtiva para a companhia, embora sem gatilhos claros, neste momento, para revisões positivas relevantes nas estimativas de 2026.
Copel (CPLE3)
A Copel registrou um lucro líquido de R$ 694 milhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 4,4% em relação ao reportado no mesmo período do ano passado. Desconsiderando os efeitos não recorrentes e fatores sem impacto caixa, como valor novo de reposição (VNR), marcação a mercado (MTM), ajustes de IFRS nas transmissoras e o resultado de operações descontinuadas – o lucro líquido recorrente ficou em R$ 638,9 milhões, alta de 10,7% na mesma comparação.
O Bradesco BBI considera o resultado do 1T26 como resiliente e coerente com o cenário esperado, com leve viés positivo vindo principalmente da Distribuição e do bom desempenho operacional em Geração & Transmissão. O controle de custos abaixo da inflação e a exposição favorável ao PLD reforçam a qualidade do resultado recorrente, enquanto as pressões observadas em eólica e comercialização parecem pontuais, ligadas a fatores operacionais e de curtailment.
Em geral, o BBI vê os números como neutros a marginalmente positivos, reforçando a previsibilidade operacional da Copel e a resiliência de seus principais segmentos, sem alterar de forma relevante nossa leitura estrutural para a companhia no curto prazo.
Klabin (KLBN11)
A fabricante de papel para embalagens e celulose Klabin (KLBN11) registrou prejuízo líquido de R$ 497 milhões no primeiro trimestre, em comparação com lucro de R$ 446 milhões no mesmo período um ano antes.
A XP Investimentos avalia que a Klabin (KLBN11) apresentou resultados em linha com as expectativas no primeiro trimestre de 2026, com destaque para o sólido crescimento de volumes e desempenho resiliente nos segmentos de papel e embalagens.
Segundo a casa, o principal ponto de atenção segue sendo a trajetória de custos, especialmente de fibras, que pressionou o custo caixa consolidado para perto do teto da faixa projetada, entre R$ 3,2 mil e R$ 3,3 mil por tonelada.
Para os próximos trimestres, a XP espera uma redução parcial desses custos, com a normalização das operações após a parada de manutenção em Monte Alegre. Ainda assim, a corretora acredita que o foco dos investidores deve permanecer na evolução dos custos e no processo de desalavancagem da companhia.
O Santander, por sua vez, avalia os números como neutros, com EBITDA ajustado de R$ 1,699 bilhão, ficando 3% abaixo do consenso e 2% acima da estimativa do banco.
Na divisão de celulose, os volumes ficaram praticamente estáveis, em 401 mil toneladas, com alta relevante na base anual. Os preços realizados de fibra curta subiram no trimestre, enquanto fibra longa e fluff recuaram, resultando em leve alta nos preços médios em dólar, mas queda em reais. Já o custo caixa unitário aumentou, pressionado principalmente pelo avanço nos custos de madeira, além de elevação em combustíveis e químicos.
Na divisão de papel, os volumes ficaram estáveis, com recuperação em containerboard e queda em papel cartão revestido. Os preços médios recuaram, refletindo a pressão contínua em containerboard.
Já na divisão de embalagens, houve queda nos volumes no trimestre, enquanto os preços ficaram praticamente estáveis.
No consolidado, o custo caixa total por tonelada subiu, impactado também pela parada de manutenção em Monte Alegre, que durou 14 dias e gerou custo direto relevante. O fluxo de caixa livre ajustado permaneceu negativo, embora tenha melhorado em relação ao trimestre anterior, refletindo maior consumo de capital de giro.