Vulcabras encerra 1T com recuo de 19% no lucro líquido recorrente, a R$ 86,1 mi

Receita líquida cresceu mais de 10% ao ano, mas em comparação ao trimestre teve recuo

Erick Souza

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Crédito: Divulgação
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A Vulcabras (VULC3) divulgou seus resultados nesta terça-feira (5) registrando aumento de 10,7% na receita líquida no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período no ano anterior, para R$ 776,4 milhões. Enquanto houve avanço da receita, o lucro líquido recorrente teve um recuo de 18,9% em relação ao mesmo período de 2025, a R$ 86,1 milhões.

O trimestre foi fortemente marcado por alta volatilidade, com incertezas no campo geopolítico mundial e pressões fiscais. Ao final de dezembro do ano passado, a receita líquida havia ficado em R$ 1 bilhão naquele trimestre.

O volume bruto também cresceu em relação ao ano, mas ficou atrás do resultado do 4T25. Foram 7,6 milhões de pares e peças no primeiro trimestre de 2026, contra 9,2 milhões no trimestre anterior. Em comparação com o 1T25, a empresa teve alta de 6,8%.

“O primeiro trimestre de 2026 talvez tenha sido o mais difícil dos últimos tempos e a empresa precisou se adaptar muito em cima dos planos que já tinha”, explica o CEO da companhia, Pedro Bartelle, em entrevista ao InfoMoney.

De acordo com o executivo, o trimestre foi marcado por um cenário de instabilidade e volatilidade econômica, com pressões da política fiscal – algumas já esperadas pela empresa – e, principalmente, uma guerra.

“O Brasil já vinha diminuindo o seu poder aquisitivo e a guerra ainda trouxe problemas de abastecimento e volatilidade no preço do petróleo”, afirma. Segundo Bartelle, grande parte das matérias primas utilizadas nos produtos da Vulcabras são polarizadas e sofrem com a volatilidade do petróleo.

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Adaptações ao longo do trimestre

O lucro bruto totalizou R$ 313,5 milhões, crescimento de 11,2% na comparação anual, com margem bruta de 40,4%, levemente superior ao registrado no 1T25. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente foi de R$ 156,9 milhões, alta de 11,8%, com margem de 20,2%, evidenciando a disciplina operacional e a captura contínua de ganhos de eficiência.

“Sofremos bastante ao longo do primeiro trimestre com toda essa volatilidade, mas a empresa, por ter passado pela reestruturação e se tornado uma empresa muito mais eficiente, tivemos muita velocidade, flexibilidade para nos adequar”, explica o CEO.

Ao longo do primeiro trimestre, a companhia adaptou a produção, focando em produtos de melhor custo-benefício. De acordo com Bartelle, a Vulcabras também antecipou o lançamento de alguns produtos, para aumentar a oferta. “Por causa da guerra e o aumento do preço de matérias-primas, fizemos um aumento de preço que vai começar a vigorar no segundo semestre”, destaca.

Mesmo com um alívio na guerra, Bartelle acredita que os preços não devem voltar aos patamares originais tão cedo. Por causa disso, a empresa espera ter um novo cenário de preços a partir do segundo semestre, que deve permanecer até o próximo ano.

Além da pressão com o conflito no Oriente Médio, um fator não esperado pela companhia, a Vulcabras já vinha se preparando para o aumento dos custos de mão de obra. De acordo com o CEO, a empresa está no segundo ano de oneração da folha de pagamento. “Sofremos esse impacto, mas esse já era conhecido”, explica.

Endividamento controlado

“O nosso plano é de utilizar a geração de caixa de 2026 para ir liquidando essa dívida no curto prazo”, explica Wagner Dantas, CFO da Vulcabras. Durante o primeiro trimestre deste ano, a relação dívida x Ebitda caiu de 0,9 para 0,7x Ebitda.

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De acordo com o CFO, o planejamento da companhia é de manter a estratégia para diminuir ainda mais a diferença ao longo do ano. Em março deste ano, a companhia apresentava dívida líquida de R$ 658,9 milhões. O valor estava R$ 110,5 milhões inferior ao observado no encerramento de dezembro do ano anterior, quando a empresa apresentada dívida líquida de R$ 769,4 milhões.

“A nossa agenda de distribuição em 2026 não será uma agenda pujante, mas já no final de 2026 devemos estar com endividamento no patamar que preferimos trabalhar”, destaca.

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Segundo o Dantas, as despesas administrativas, despesas com vendas e demais custos, excluindo Propaganda e Marketing, a companhia tem capturado uma alavancagem operacional dentro do esperado.

“Com essa despesa um pouco mais pesada, por conta desse endividamento de curto prazo, dilui um pouco o resultado líquido”, explica o CFO. Para o executivo, dentro do contexto atual do mercado, a perspectiva operacional cresceu satisfatoriamente.