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BRF registra primeiro lucro anual desde 2015, MRV lucra R$ 151 mi no 4º tri; Morgan eleva Vale e mais destaques

Confira os destaques do noticiário corporativo da sessão desta terça-feira (3)

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SÃO PAULO – O noticiário corporativo tem como destaque os balanços da MRV, BRF e para a elevação de recomendação da Vale pelo Morgan Stanley.

Já a Azul aprovou na noite de ontem o subarrendamento de 28 jatos bimotores E-195 da sua frota para a empresa americana Breeze Aviation. O objetivo da Azul é substituir sua frota inteira de E-195 por aviões E-2, uma versão mais econômica e moderna do jato bimotor da Embraer. Os E-195 restantes deverão ser arrendados para a companhia aérea LOT, da Polônia.

Azul (AZUL4)

A Azul aprovou na noite de ontem o subarrendamento de 28 jatos bimotores E-195 da sua frota para a empresa aérea americana Breeze Aviation, uma start-up. A Azul possui 53 jatos E-195 (que a empresa chama de E-1). O objetivo da Azul é substituir a frota inteira por jatos E-2, uma versão mais econômica e moderna do 195 da Embraer, que tem custo de viagem 14% menor. A Azul planeja substituir a frota até 2027, o que proporcionará à empresa uma economia de R$ 2,9 bilhões no período. Os E-195 restantes deverão ser subarrendados para a empresa aérea LOT, da Polônia.

BRF (BRFS3)

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A BRF, controladora das marcas Sadia e Perdigão, publicou balanço do quarto trimestre de 2019 e do ano passado inteiro. Os números não recorrentes vieram muito fortes. No quarto trimestre do ano passado, a BRF teve um lucro líquido de operações continuadas de R$ 690 milhões, enquanto no ano inteiro o resultado líquido foi de R$ 1,2 bilhão. Descontado o efeito não recorrente, isto é, os créditos do PIS e da Cofins sobre o ICMS, o lucro líquido recorrente em 2019 foi menor, de R$ 297 milhões, mas o primeiro lucro anual desde 2015, e de R$ 680 milhões no quarto trimestre. Em 2018, o prejuízo anual foi de R$ 4,4 bilhões.

O lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) avançou 67,7% no quarto trimestre do ano passado, para R$ 1,4 bilhão, enquanto em 2019 inteiro o Ebitda cresceu 115,9% sobre 2018, para R$ 5,3 bilhões. Os resultados são muito fortes porque a empresa incorporou os ganhos líquidos de R$ 884 milhões, de créditos tributários referentes ao PIS e à Cofins sobre a base do ICMS.

A receita líquida no quarto trimestre avançou 12,1% para R$ 9,2 bilhões, enquanto no fechamento de 2019 teve alta de 10,8% sobre 2018 para R$ 33,4 bilhões. A BRF encerrou 2019 com uma posição caixa sólida, de R$ 5,5 bilhões. Mesmo totalmente descontados os créditos tributários – a maioria incorporada no segundo e terceiro trimestres do ano passado – os resultados da empresa vieram robustos. A alavancagem, que estava perigosa em 2018, de 5,12 vezes (5,12x) da dívida líquida sobre o Ebitda em 2018, foi reduzida pela metade, para 2,50 vezes (2,50x) em 2019, o que é um nível suportável.

Em 2018, a BRF fechou o ano com um prejuízo de R$ 1,2 bilhão, revertido em 2019 para o lucro não recorrente de R$ 1,2 bilhão – como citado acima, se levados em conta apenas fatos recorrentes, o lucro líquido é de R$ 297 milhões. “Ao perseverarmos na nossa estratégia, fomos capazes de reverter o prejuízo registrado em 2018 e preparar a BRF para o futuro”, diz a mensagem do Conselho da gigante de alimentos. A empresa afirma que a virada ocorreu com ganhos de escala nas suas compras de commodities (usadas na alimentação das granjas e pocilgas), rígido controle dos estoques, otimização do mix de produtos e aumento da rentabilidade dos canais de vendas.

A BRF atualizou ainda, seu guidance de alavancagem, relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado, ao final de 2020 para uma faixa entre 2,35 vezes e 2,75 vezes. A estimativa anterior da companhia estava em 2,65 vezes. O cálculo, acrescenta a BRF, desconsidera efeitos tributários relevantes. Em 2019, a alavancagem da empresa ficou em 2,5 vezes.

A decisão, acrescenta a empresa em fato relevante divulgado pela manhã, é resultado da revisão de suas premissas futuras para o mercado de câmbio, commodities, notadamente milho, e de proteínas, “incluindo os efeitos da peste suína africana na Ásia, os recentes casos de gripe aviária na Europa, Ásia e Oriente Médio e os impactos conhecidos até o momento do coronavírus no mundo, dentre outros”.

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A última atualização do guidance da BRF havia ocorrido em novembro, quando sua estimativa de alavancagem para 2019 foi atualizada de 3,15 vezes para 2,75 vezes.

MRV (MRVE3)

A construtora e incorporadora imobiliária MRV divulgou balanço e informou que no quarto trimestre de 2019 teve lucro líquido de R$ 151 milhões, uma queda de 20,7% sobre igual período de 2018. Outros números da construtora mineira também mostraram retração: o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 231 milhões no quarto trimestre de 2019, queda de 15,4% sobre o mesmo período do ano anterior. Se os números do quarto trimestre da MRV foram piores, no ano inteiro de 2019 eles mostraram um avanço relativo. A receita líquida da empresa cresceu 11,7% para R$ 6 bilhões, enquanto o Ebitda avançou 2,1% para R$ 1 bilhão.

Como a empresa apontou, “houve queima de caixa” por causa do “descasamento entre produção e repasse e o desembolso com terrenos”. A construtora produziu 39,6 mil unidades em 2019, enquanto os repasses somaram 33,5 mil unidades, resultando “em um descasamento de 6.421 unidades e em um aumento temporário de estoque”. Para 2020, a MRV reforçará sua atuação nos empreendimentos Luggo, imóveis que constrói nas capitais para depois alugar. Como dado positivo, a empresa conseguiu reduzir em 50% os distratos entre 2018 e 2019, de R$ 990 milhões para R$ 489 milhões.

Os bancos Itaú BBA e Bradesco BBI avaliaram como negativos os resultados da construtora e incorporadora imobiliária. Embora as avaliações sejam negativas, ressaltaram que a empresa pode melhorar o desempenho em 2020 e por isto as recomendações foram mantidas.

Segundo o BBA, os resultados pioraram no quarto trimestre de 2019 e não alcançaram as projeções. “A receita líquida recuou 9% na base trimestral e 7% na anual. Provavelmente, a queda na receita ocorreu por um recuo nas pré-vendas e uma desaceleração na produção de unidades”, avalia o BBA. “O lucro líquido de R$ 151 milhões (no quarto trimestre) chegou 8% abaixo das nossas projeções”, comentou o banco.

O BBA elogiou o Luggo, um modelo de negócios que mistura fundo imobiliário e aluguel de imóveis feitos pela construtora, mas comenta que os resultados da iniciativa foram prejudicados por desempenho mais fraco nos preços das ações. O BBA avalia que a MRV tem potencial para recuperar terreno em 2020. Por isto, não alterou a recomendação do papel MRVE3, que continua “outperform” (acima da média) com preço-alvo de R$ 24,50 para a ação. O preço-alvo projeta uma alta de 25,7% sobre os R$ 19,49 de fechamento da véspera.

Já o Bradesco BBI ressaltou que a MRV adotou uma linha mais correta, dadas as condições de mercado, ao priorizar lançamentos e obras para a classe C, mas notou que as margens deverão permanecer sob pressão em 2020, o que deve levar a uma lucratividade mais baixa. “Por causa das restrições de crédito no FGTS e no programa Minha Casa, Minha Vida, a MRV deverá aumentar seus financiamentos não garantidos para sustentar suas operações. Priorizar o segmento mais popular é o correto, mas ele só representa 20% do total de unidades da MRV”, avalia o BBI. O banco também manteve a recomendação neutra para o papel MRVE3, com um preço-alvo de R$ 18,00 para a ação em 2020 – que representa uma queda de 8% sobre o fechamento de ontem na B3 (R$ 19,49).

Vulcabras (VULC3)

A Vulcabras Azaleia publicou balanço na noite de ontem. A empresa teve um crescimento de 8,9% nos volumes produzidos em 2019, com a fabricação de 27,2 milhões de pares de calçados – ante 25 milhões em 2018. Já o resultado financeiro, embora positivo, mostrou que a margem está apertada para os fabricantes brasileiros de calçados. A empresa reportou um lucro líquido de R$ 45 milhões no quarto trimestre de 2019, uma queda de 2,4% em comparação a igual período de 2018. No fechamento de 2019, a fabricante de calçados também teve pequena queda no lucro líquido, de 5,9%, para R$ 143,1 milhões.

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A receita líquida cresceu 5,6% para R$ 343 milhões no quarto trimestre do ano passado, sobre igual período de 2018; no fechamento de 2019, o faturamento líquido da Vulcabras Azaleia teve expansão de 8,9% para R$ 1,3 bilhão. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 222,5 milhões em 2019, um declínio de 2,1% sobre 2018. No balanço, a Vulcabras Azaleia destaca que o varejo calçadista no Brasil cresceu 0,1% em 2019, ou seja, ficou estável.

Vale (VALE3)

O Morgan Stanley elevou a recomendação para os ADRs (American Depositary Receipts) da Vale de equalweight para overweight, com preço-alvo de US$ 13,50 por ativo. “Estimamos que as ações da Vale agora descontem totalmente todos os passivos potenciais relacionados ao colapso da barragem de Brumadinho. Vemos a forte geração de fluxo de caixa e o aprimoramento das práticas ESG como dois importantes fatores de nova classificação. Esperamos que os dividendos sejam retomados no segundo semestre”, avaliam os analistas, que apontam que a ação agora está muito barata para ser ignorada.

Helbor (HBOR3)

O Itaú BBA iniciou recomendação para as ações da Helbor com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 4,50, destacando que o portfólio de terrenos premium da companhia em São Paulo pode suportar uma forte expansão em lançamentos e de margens, enquanto as vendas de estoque provavelmente serão menos prejudiciais aos resultados, levando a um rápido crescimento dos ganhos.

Sabesp (SBSP3)

A Sabesp, empresa de água e esgoto do Estado de São Paulo, criticou a “possível alteração das regras do jogo” por parte da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp). A crítica consta em documento, divulgado na noite de segunda pela empresa, com seus comentários à consulta pública aberta pela Arsesp, no dia 8 de fevereiro, para a agenda regulatória de 2020-2021.

No documento, a Sabesp diz que essa mudança na base de remuneração regulatória “é altamente indesejável, com efeitos adversos que aumentam a percepção do risco regulatório no setor de saneamento brasileiro.”

Até o segundo semestre de 2020, a Arsesp planeja concluir uma revisão da metodologia da “base blindada” que faz parte da base de remuneração da companhia no âmbito da 3ª revisão tarifária da Sabesp – que vai até o período de junho de 2016. O objetivo da agência é atualizar a metodologia da “base blindada” – os valores dos ativos aprovados por laudo de avaliação ajustados após a fiscalização regulatória, incluindo baixas e depreciação.

Para a Sabesp, que não traz no documento projeções sobre o impacto financeiro desta possível mudança em seu balanço, não há necessidade de se estabelecer uma nova metodologia desta base. “A decisão de rever a base blindada não fornece garantias claras e aplicáveis aos investidores de que a estrutura regulatória que rege seus investimentos permanecerá inalterada”, diz o documento da Sabesp.

“Para enfrentar essa questão, é essencial que os princípios de atuação do regulador cumpram sua função econômica, garantindo a estabilidade regulatória necessária para permitir o planejamento futuro das decisões de investimento em saneamento”, acrescenta a Sabesp, que solicita a exclusão deste item da agenda regulatória.

Stone

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A Stone, cuja ação é negociada na Nasdaq, registrou um lucro líquido de R$ 804,2 milhões em 2019, enquanto o lucro ajustado foi de R$ 857,1 milhões. No quarto trimestre do ano passado, o lucro totalizou R$ 264 milhões, crescimento anual de 107,7%. O lucro ajustado para o mesmo período foi de R$ 275 milhões, alta de 76,4%.

No ano, a receita total foi de R$ 2,576 bilhões, alta de 63,1%, registrando uma alta de 47,9% nos últimos três meses, para R$ 782,9 milhões.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)