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Contrariando as expectativas de boa parte do mercado em uma semana marcada por anúncio de nova gestão, a Brava (BRAV3) anunciou a compra de ativos por um importante valor.
Com isso, a ação abriu em alta na sessão desta sexta-feira (16), mas virou para queda, fechando com forte baixa de 5,05%, a R$ 17,10.
A petroleira anunciou a aquisição de 50% da participação atualmente detidas pela Petronas no campo Tartaruga Verde e no campo Espadarte. O valor totaliza US$ 450 milhões, estruturado da seguinte forma: (i) US$ 50 milhões pagos na assinatura, (ii) US$ 350 milhões devidos no fechamento – sujeitos a ajustes relacionados à data efetiva da transação (1º de julho de 2025) e (iii) duas parcelas diferidas de US$ 25 milhões a serem pagas dentro de 12 e 24 meses após o fechamento da transação. A transação permanece condicionada às aprovações do Cade (autoridade antitruste do Brasil) e da agência reguladora nacional de petróleo e gás (ANP). A operadora (Petrobras) tem direitos de preferência sobre o ativo.
Viva do lucro de grandes empresas
Na visão da XP Investimentos, o anúncio foi inesperado, mas positivo. “Nós (e o mercado) estávamos atentos a possíveis desinvestimentos ,portanto uma aquisição é uma surpresa neste momento”, avalia.
No entanto, acredita que o negócio se enquadra no balanço da Brava, considerando a redução no valor do negócio esperada a partir de ajustes de preço e da estrutura de pagamento. Além disso, do ponto de vista da dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), o negócio provavelmente reduzirá a alavancagem.
Os campos Tartaruga Verde e Espadarte estão localizados na Bacia de Campos e iniciaram suas operações em 2018. O petróleo produzido é leve (27° API), diferindo da atual composição da produção da Brava, concentrada em petróleo pesado. A unidade conta atualmente com 14 poços produtores, dos quais 11 em Tartaruga Verde e 3 em Espadarte. Em 2025, o ativo produziu uma média de 55,6 kboed (27,8 kboed na participação da Brava).
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O Goldman Sachs, por um lado, nota que notícias de alguns meses atrás já indicavam a possibilidade de a Brava adquirir a participação da Petronas nesses ativos. Por outro lado, com base em conversas recentes com investidores, o mercado esperava mais detalhes sobre a estratégia de desinvestimentos da Brava (após a mudança recente na gestão e como sugerido pelo noticiário). “Assim, o anúncio de hoje pode ser visto como uma surpresa”, avalia.
A avaliação preliminar aponta para um múltiplo implícito de EV (valor da firma)/Ebitda em torno de 2 vezes, significativamente abaixo do nível em que o setor negocia (cerca de 3 vezes o esperado para 2026 para E&Ps brasileiras), ainda que em um contexto de produção em declínio.
“Embora uma aquisição possa aumentar a dívida líquida, o múltiplo baixo sugere que esse movimento provavelmente não deve comprometer a estratégia de desalavancagem da Brava”, avalia o Goldman.
Com uma visão parecida, o Bradesco BBI vê que a aquisição traz surpresa para o mercado dado o nível atual de alavancagem da Brava e, talvez, um consenso de que a companhia estaria mais voltada a vender ativos do que a comprar. Ainda assim, gosta da operação e vê cinco principais pontos positivos: i) valuation atrativo; ii) aquisição alinhada à estratégia de desalavancagem; iii) “DNA” de nova gestão mais ousada e em mercado de compradores; iv) maior diversificação da base de ativos e v) gestão fez o “dever de casa” em hedge para 2026.
Sobre o ponto ii), o BBI estima que a operação deva elevar o CFPS (fluxo de caixa por ação) da Brava em R$ 1,80/ação em 2027, assumindo petróleo a US$ 60/barril. Embora a relação dívida líquida/Ebitda no fim de 2026 deva permanecer praticamente estável, em cerca de 1,8–2,0x (pré e pós-negócio), para o fim de 2027 a alavancagem pós-deal deve cair para 1,0–1,2x (versus 1,5–1,7x antes da operação), assumindo petróleo a US$ 63/barril em 2026 e US$ 65/barril em 2027.
Já sobre o iii), a oferta reflete o DNA de uma gestão nova e arrojada, que não se deixa paralisar pelo balanço. “Dado o cenário atual mais negativo para o preço do petróleo, acreditamos que o mercado caminha para uma fase de “compradores”, com boas oportunidades. A Brava tem a desalavancagem como um de seus principais objetivos, e a história mostra que boas aquisições, feitas no timing certo, tendem a acelerar esse processo via crescimento de CFPS”, avalia.
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O banco também vê, destacando o ponto iv), que a transação ajuda a Brava a diversificar seu portfólio, reforçando o perfil de alocadora de ativos dentro do setor de O&G (se associando a bons operadores). “Hoje, a companhia ainda é bastante concentrada em Atlanta, que responde por cerca de 1/3 da produção. Com a aquisição, essa participação deve cair para cerca de 1/4”, ressalta.
Sobre o ponto v), o BBI ressalta que a administração se antecipou e acelerou a atividade de hedge para 2026, com cerca de 75% da produção do 1S26 protegida a cerca de US$ 63/barril. Isso reduz a preocupação de que a companhia possa enfrentar estresse de balanço para pagar a aquisição caso (e se) o preço do petróleo caia ainda mais.
O Morgan Stanley vê a transação fechada a um preço atrativo, com potencial para se tornar uma posição operacional no longo prazo. “Mas o timing parece desfavorável diante do cenário desafiador de preços de petróleo em 2026. O negócio teria sido mais convincente se viesse acompanhado de venda de ativos, para aliviar a pressão no balanço e reforçar a disciplina de capital”, avalia.
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O Morgan tem recomendação overweight (exposição acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 25. A recomendação do BBI segue outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 24. Por outro lado, o Goldman Sachs tem recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 15,80.

