Brava (BRAV3): nova gestão detalha prioridades e caminhos para destravar valor

A administração também reiterou o compromisso com a desalavancagem e, no médio prazo, com a possível retomada da remuneração aos acionistas

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Divulgação / 3R Petroleum
Divulgação / 3R Petroleum

Publicidade

O recém-nomeado CEO da Brava (BRAV3), Richard Kovacs, e o CFO, Luis Carvalho, realizaram uma teleconferência com analistas de mercado, durante a qual a gestão compartilhou suas visões sobre o futuro da companhia e os caminhos para destravar todo o seu potencial.

Segundo a XP Investimentos, a principal mensagem da nova liderança está no reforço do foco em alocação de capital e maximização de valor, sem apego a ativos específicos — o que indica maior disposição para eventuais desinvestimentos.

A casa não interpreta o movimento como um rompimento com a estratégia atual da petrolífera, mas como um aprofundamento dessa abordagem, com potencial aceleração na execução de oportunidades de fusões e aquisições. A administração também reiterou o compromisso com a desalavancagem e, no médio prazo, com a possível retomada da remuneração aos acionistas.

Além disso, Kovacs reiterou a importância de fazer distribuições aos acionistas. Na opinião da XP, nos níveis de valuations atuais, as recompras seriam um mecanismo mais eficaz do que os dividendos. No entanto, a administração acredita que este não é o momento certo para aumentar as distribuições. A prioridade é continuar a desalavancar e reduzir a dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para menos de 1,5 vez.

“Uma alavancagem mais baixa é particularmente importante para posicionar a empresa de forma a aproveitar oportunidades futuras — como possíveis aquisições, caso a Petrobras (PETR4) ou outros players vendam ativos — ou para investir de forma anticíclica durante períodos de preços mais baixos do petróleo”, explica XP.

O Bradesco BBI, por sua vez, vê a atual composição da gestão da Brava de forma favorável, com perfis mais voltados para a área financeira nos cargos de CEO e CFO, mas ainda com uma forte equipe técnica liderada por Carlos Travassos na área offshore e Jorge Boeri na área onshore.

Continua depois da publicidade

Contudo, o BBI mantém sua preferência pela PRIO (PRIO3) no segmento de E&P (exploração e produção) júnior, considerando sua perspectiva de crescimento de produção mais clara (consolidação de Wahoo e Peregrino), o que proporciona maior segurança para a redução do endividamento e pode abrir espaço para recompras de ações mais ativas no segundo semestre de 2026.

O Bradesco BBI reiterou classificação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 24.

O Santander também tem recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 20, saindo da reunião com uma visão positiva, pois esperava uma alocação de capital mais focada nos acionistas e a continuidade de uma sólida execução.