Brasileiros embolsaram R$ 11 milhões com cripto da Binance após falência da FTX, apontam dados da Receita

Volume anômalo mostra o dobro de ganhos de capital com BNB na comparação com os meses anteriores à falência da corretora rival

Paulo Barros

Changpeng "CZ" Zhao, CEO da Binance (Antonio Masiello/Getty Images)
Changpeng "CZ" Zhao, CEO da Binance (Antonio Masiello/Getty Images)

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No mês de novembro, em que a corretora FTX abriu falência após ficar insolvente, investidores brasileiros dobraram o volume de liquidações da criptomoeda BNB Chain (BNB), da exchange rival Binance.

Segundo dados da Receita Federal, investidores declararam ganhos de capital de R$ 10,8 milhões, quase o dobro do volume registrado nos dois meses anteriores. Em setembro e outubro, contribuintes apuraram R$ 5,8 milhões e R$ 5,6 milhões de ganhos de capital em BNB, respectivamente.

O movimento ocorreu em meio à migração de usuários para a Binance após traders ficarem sem poder operar na FTX, que até então era uma das maiores corretoras do mundo. A quantia de lucro registrada em novembro figura como a terceira maior de 2022 para investidores de BNB, atrás apenas de junho, com R$ 13 milhões, e janeiro, com R$ 14,1 milhões.

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O fenômeno aconteceu pouco antes de uma crise de confiança que se instalou nas exchanges, com investidores duvidando da integridade das plataformas de negociação e fazendo saques para carteiras pessoais. A Receita ainda não disponibilizou dados de dezembro.

Naquele mês, a BNB chegou a cair 5% em um dia na contramão do mercado, em meio a uma onda de saques que se iniciava na corretora. Segundo dados da plataforma de inteligência blockchain Nansen, os resgates na plataforma alcançaram US$ 902 milhões em um dia, quase nove vezes mais que a segunda colocada.

Horas depois, a empresa anunciou a suspensão momentânea de saques da stablecoin USDC, apontada por especialistas como crescentemente preferencial por investidores que passaram a duvidar da saúde financeira da Binance, que patrocina a BUSD (ambas são indexadas ao dólar).

O movimento não parece ter cessado. Segundo levantamento da Forbes publicado ontem, a corretora já acumula US$ 12 bilhões em retiradas nos últimos dois meses – ou seja, desde que eclodiu a crise com a FTX, que faliu em 11 de novembro.

Em nota, a Binance nega que os saques de clientes estejam acelerando, e argumenta que a análise da Forbes “é mal concebida e os números que eles elencam estão errados em bilhões”. A empresa ressaltou que, recentemente, levantamentos das casas de análise Bernstein Research, CryptoQuant e Arcane Research indicaram “que a situação da Binance permanece forte e bem posicionada a longo prazo”.

A exchange recomenda consultar, como indicador de saúde da plataforma, o volume diário de transações mostrado no site CoinMarketCap, que faz parte do mesmo grupo.

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Na semana passada, dados do agregador CoinGecko apontaram que a BUSD de fato perdeu espaço no segmento de stablecoins e sua capitalização caiu de US$ 22,1 bilhões no início de dezembro para US$ 16,4 bilhões em 3 de janeiro, a mínima de 11 meses.

Já a BNB chegou a acender um sinal de alerta para traders em dezembro após cair 23% em 30 dias. No entanto, a criptomoeda vem apresentando recuperação em 2023 – em uma semana, o criptoativo recupera 12% do valor, a US$ 275, e agora está a 59% do seu preço mais alto da história, US$ 686. O Bitcoin, por exemplo, ainda acumula queda de 75% desde a máxima.

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Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)