R$ 15,3 bilhões em investimentos

Brasil tem 2º maior leilão de transmissão da história com grandes grupos e Eletrobras (ELET3) vitoriosa

Vitória da “ex-estatal” é a primeira em um leilão do segmento desde 2014, no primeiro movimento pós-privatização.

Por  Reuters -

SÃO PAULO (Reuters) – O leilão de transmissão de energia elétrica realizado nesta quinta-feira garantiu ao país R$ 15,3 bilhões em investimentos em linhas e subestações em 13 Estados, configurando o segundo maior volume de aportes da história dos certames do segmento, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica.

Como esperado, o leilão repetiu a tendência de forte competição entre grupos tradicionais do setor elétrico, e marcou a primeira vitória da Eletrobras (ELET3;ELET6) em um leilão do segmento desde 2014, no primeiro movimento pós-privatização.

Os lotes 1, 2 e 3, maiores empreendimentos ofertados na licitação, envolvem instalações em Minas Gerais, Estado onde o rápido crescimento da geração renovável –principalmente a partir da fonte solar fotovoltaica– passou a exigir reforços de sua capacidade de escoamento da energia para outras regiões.

Os projetos em Minas foram arrematados pela Neoenergia NEOE3 (lote 2), ISA Cteep TRPL4 (lote 3) e um consórcio da Cymi com um fundo de investimentos da Brookfield (lote 1). Ao todo, os três empreendimentos respondem pela maior parte dos investimentos previstos, somando 12,3 bilhões de reais.

A Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola, levou ainda o lote 11, que prevê obras no Mato Grosso do Sul.

Outro destaque do certame foi o retorno da Eletrobras enquanto uma empresa competitiva. A maior elétrica da América Latina, recém-privatizada, chegou a participar de leilões nos últimos anos, mas não levou nenhum ativo. A última vez que havia arrematado um lote de transmissão foi em 2014.

No certame desta quinta-feira, a Eletrobras venceu a disputa pelo lote 8, que prevê trechos de linhas de transmissão e subestação em Porto Velho (RO), com investimentos estimados em 134,7 milhões de reais. A empresa ofereceu 12,25 milhões de reais em receita anual permitida, um deságio de 38,57% ante o valor máximo.

Também saíram vencedoras na licitação desta quinta-feira a indiana Sterlite (lotes 5 e 9), ISA Cteep (lotes 3 e 6), Taesa TAEE11 (lote 10), Engie Brasil EGIE3 (lote 7), Energisa ENGI11 (lote 12), Zopone Engenharia e Comércio (lote 4) e consórcio Norte, formado por Zopone e Sollo (lote 13).

O leilão encerrou com a contratação de todos os lotes ofertados, com um deságio médio de 46,16% em relação à receita anual permitida (RAP) total prevista para os empreendimentos.

Ao todo, os 13 projetos de transmissão somam 5.425 quilômetros de linhas de transmissão e de 6.180 mega-volt-ampéres (MVA) em capacidade de transformação de subestações.

Próximos leilões

A expectativa é de que o segmento de transmissão continue rendendo grandes licitações nos próximos anos, conforme aumenta a necessidade de escoamento da energia renovável gerada principalmente em Minas Gerais e em Estados do Nordeste, enquanto o setor é considerado por investidores um porto seguro, com remunerações fixas e ganhos previsíveis.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê uma bateria de novos projetos de transmissão e mais dois bipolos, em corrente contínua, para reforçar a capacidade de transmissão de energia do Nordeste para os centros de carga do Sudeste.

Um dos bipolos, que está com estudos mais avançados, deve ligar Graça Aranha, no Maranhão, a Silvânia, em Goiás, exigindo cerca de 10 bilhões em investimentos, disse Erik Rego, diretor de estudos de energia elétrica da EPE.

Segundo Rego, ainda não há definição de quando esses empreendimentos serão ofertados ao mercado, mas o governo vem se preparando para incluí-los em leilões entre 2023 e 2024.

Quando esses empreendimentos estiverem em operação –inclusive os dois novos bipolos–, a capacidade de escoamento de energia do Nordeste deve atingir 32 GW, quadruplicando em relação aos valores atuais.

Margem de escoamento

O governo está elaborando ainda uma proposta definitiva sobre o chamado “leilão de margem de escoamento”, que ajudará a organizar o estoque gigantesco de pedidos de outorgas de empreendedores de energia renovável que querem se conectar ao sistema de transmissão.

O projeto, porém, ainda está em etapa inicial e ainda não há previsão para a realização desse leilão, afirmou Guilherme Zanetti Rosa, coordenador-geral de Planejamento da Transmissão no Ministério de Minas de Energia.

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