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SÃO PAULO – Revisando suas estimativas para os grandes bancos brasileiros, a Bradesco Corretora cortou as recomendações das ações do Itaú Unibanco (ITUB4) e das units do Santander (SANB11), passando de outperform (desempenho acima da média do mercado) para market perform (desempenho em linha com o mercado). A percepção de que ambas ações estão sendo negociadas a um valuation menos atrativo colaborou para o corte da sugestão.
Os analistas Carlos Firetti, Bruno Chemmer e Gustavo Lôbo mantiveram o preço-alvo para 2012 dos ativos ITUB4 em R$ 42,00, o que configura um potencial de valorização de 11,42% em relação ao fechamento de sexta-feira (2). Já para SANB11, o target foi elevado de R$ 19 para R$ 21, indicando um upside de apenas 7,97% ante o último fechamento.
Selic menor, margens menores
Em um ambiente de menores margens com uma taxa de juro Selic cada vez mais baixa, a percepção é de que os níveis de valuation do Itaú Unibanco e do Santander estão menos atrativos, avaliam Firetti, Chemmer e Lôbo. Para os analistas, essas instituições também poderão sofrer impactos de uma possível retração dos spreads bancários (diferença do custo do dinheiro captado e ofertado pelas instituições financeiras) num cenário de melhora econômica tanto no ambiente doméstico quanto no internacional.
Além disso, esses dois bancos contam com um maior grau de risco relacionado ao uso de medidas macroprudenciais pelo Banco Central, ao invés de medidas de política monetária pura caso a inflação retorne, avaliam.
Pontos positivos
Do lado positivo, os analistas destacam o desempenho do Itaú Unibanco em termos de custos, cuja gestão avalia que a taxa de eficiência a ser alcançada em 2013, de 41%, dependerá mais de mudanças no lado da receita do que nos custos. Já com relação à qualidade do crédito, os analistas se apresentam mais conservadores do que o banco, com possíveis aumentos na taxa de inadimplência para o Itaú Unibanco, assim como para o setor em geral.
Essa estimativa de aumento da inadimplência também foi incluída na avaliação para o Santander. Entretanto, os analistas não acreditam que os gastos com empréstimos impactem os resultados do banco da mesma maneira como ocorreu em 2011. Para Firetti, Chemmer e Lôbo, apesar do resultado do Santander ter se mantido fraco durante o quarto trimestre de 2011, os números do período foram bem mais fortes do que no período anterior, mas não suficiente para levar a uma visão positiva para o banco.