Teleconferência de resultados

Bradesco (BBDC4) projeta inadimplência em alta ainda no 2º semestre e desaceleração da carteira de crédito

Para Octavio de Lazari, inadimplência deve encontrar um ponto de equilíbrio no ano que vem; índice no 2º tri subiu 1 ponto, para 3,5%

Por  Mitchel Diniz

O Bradesco (BBDC4) apresentou crescimento da carteira de crédito expandida de 17,7% em doze meses, conforme apontou a companhia em seu resultado do segundo trimestre de 2022. Contudo, ela deve convergir para o centro do guidance, de crescimento de 10% e 14%, afirmou Octavio de Lazari, CEO do banco, em teleconferência de apresentação dos números do período.

“Esse crescimento deve convergir para o centro do guidance por alguns fatores. Há uma cautela natural, pois as carteiras que estão crescendo são de maior risco (cartão de crédito, crédito pessoal) e deve haver mais rigor na análise de crédito”, explicou Lazari. O CEO também destacou que a inadimplência voltou para os níveis pré-pandemia e o apetite por crédito, com uma Selic a 13,75%, também arrefeceu.

Em apresentação dos resultados para jornalistas, Octavio de Lazari disse ainda acreditar que a inadimplência deve seguir crescendo no segundo semestre de 2022 e encontrar um ponto de equilíbrio no ano que vem. “Quando você cresce em carteira de maior risco, você traz mais inadimplência, mas melhora margens”, explica Lazari. A margem com clientes do Bradesco ficou em 22,7% no segundo semestre, acima do guidance para o ano, entre 18% e 22%.

O índice de atrasos acima de 90 dias do banco teve alta de 0,3 ponto percentual entre março e junho na base trimestral e de 1 ponto na anual, para 3,5%. A alta teria sido ainda maior, ao redor de 0,6 ponto na comparação trimestral, não fosse uma venda de carteiras de crédito vencidas, o que o Citi estimou em R$ 2 bilhões.

Lazari afirmou que a venda de carteira de créditos estressados é normal. “Não tem a ver com taxa de inadimplência, mas de eficiência”, apontou, explixando que o custo para cobrar esses créditos, geralmente de valores pequenos e vencidos há mais de cinco anos, custa muito mais do que vender a carteira.

“O mercado inteiro está vendendo carteira hoje, não faz sentido administrar isso dentro do banco. Vamos continuar vendendo carteiras quando tivermos boas oportunidades em nome da eficiência de custos internos”, disse Lazari.

Para o executivo, a margem financeira com mercado deve melhorar. A margem financeira com mercado do Bradesco ficou negativa em R$ 587 milhões no segundo trimestre, enquanto a margem com clientes cresceu, atingindo R$ 16,947 bilhões.

“Ninguém imaginava que teríamos uma taxa de juros próxima a 14%. Todos os grandes bancos enfrentam esse desafio”, explicou Octavio de Lazari, em apresentação dos resultados do Bradesco no segundo trimestre aos jornalistas. O CEO acredita que o Banco Central já pode ter encerrado o ciclo de aperto monetário elevando a Selic a 13,75% ao ano, conforme decisão desta semana.

“Não tendo novas subidas de juros, a margem começa a se recuperar”, disse Lazari.

Em equilíbrio

Para Lazari, as variáveis econômicas entraram um pouco mais em equilíbrio. “A gente ter conseguido chegar no teto dos juros é uma boa notícia, com mais emprego e mais renda também. No cenário internacional, os Bancos Centrais estão tomando medidas para conter inflação, mas a gente vê o petróleo recuando e isso é muito importante”, destacou.

“Esse cenário é bom principalmente pra quem tem menos renda, sem considerar que o Auxílio Brasil ajuda. É um cenário mais sereno”.

Ele ainda apontou que o Bradesco não deve operar com empréstimo consignado do Auxílio Brasil.

“É uma operação de taxa de juros muito alta, pra pessoas que tem o auxílio por um período definido. Nós entendemos que é a melhor a gente não operar nessa carteira, pois são pessoas vulneráveis”, afirmou.

O executivo avalia que o consignado do Auxílio Brasil não é uma boa operação nem para o banco, nem para o cliente. “Eles terão dificuldades quando o benefício cessar”, disse Lazari.

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