Mercados mundiais

Bolsas europeias e futuros dos EUA caem forte monitorando Rússia-Ucrânia e impacto de novas sanções; petróleo sobe 5%

Sessão promete ser de volatilidade, com os traders acompanhando negociações entre Kiev e Moscou e reunião do Conselho de Segurança da ONU

Por  Equipe InfoMoney -

A sessão desta segunda-feira (28) é de B3 fechada por conta do Carnaval, só voltando a reabrir na quarta-feira (2) a partir das 13h (horário de Brasília). Contudo, os investidores seguirão acompanhando os desdobramentos da invasão da Ucrânia pela Rússia, com diversos acontecimentos durante o fim de semana.

Os índices futuros americanos registram queda de mais de 1% em sua maioria, enquanto diversas bolsas europeias têm queda ainda mais intensa; já as bolsas asiáticas fecharam sem movimento definido.

Os olhos ficarão voltados nesta manhã para um encontro entre a delegação ucraniana, que foi para os arredores da fronteira com Belarus, com autoridades russas para negociação. As forças armadas da Ucrânia continuam a deter as tropas russas, defendendo e mantendo o controle de cidades-chave e retardando o avanço da Rússia em Kiev.  “As próximas 24 horas serão cruciais para a Ucrânia”, disse o presidente do país, Volodymyr Zelensky, logo no início do dia.

Além disso, o  Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou na véspera a convocação da assembleia geral extraordinária da ONU sobre o tema, em encontro que será realizado nesta segunda. Essa é apenas a 11ª vez que a reunião é convocada em 70 anos de história da ONU. O placar da votação foi o mesmo do debate do Conselho na última sexta-feira (25), com 11 votos a favor, um contra (da própria Rússia) e três abstenções (China, Emirados Árabes Unidos e Índia).

O quinto dia do ataque da Rússia contra a Ucrânia foi marcado por menos ataques militares. Segundo as autoridades ucranianas, as tropas russas estão “diminuindo o ritmo da ofensiva” com militares que permanecem a cerca de 30 quilômetros do centro da capital Kiev.

Mas, os russos pedem que seja reconhecida “sua supremacia aérea” na Ucrânia, algo não feito pelos ucranianos. Em um segundo pronunciamento, Zelensky fez dois apelos contundentes. O primeiro foi político para a União Europeia. O mandatário quer que seu país tenha uma “adesão imediata” ao bloco, que vem se movimentando intensamente para aplicar duras sanções contra Moscou e para fazer um inédito fornecimento de armas e equipamentos militares a um país em guerra.

O fim de semana foi de aumento das sanções de diversos países contra a Rússia em meio ao avanço das tropas pela Ucrânia.
Na véspera, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou novo pacote de sanções e confirmou que os 27 Estados-membros fecharão o espaço aéreo para aviões da Rússia. Há punições também contra a mídia russa, os bancos e a confirmação do inédito envio de armas.
Os EUA, aliados europeus e Canadá concordaram no sábado em remover os principais bancos russos do Swift, sistema de transferências internacionais que conecta bancos em todo o planeta.

“Alguns bancos russos sendo removidos do Swift (transações de energia isentas) e o congelamento do acesso do banco central russo às suas reservas em moeda estrangeira mantidas no Ocidente aumentam claramente o risco econômico”, disse à CNBC Dennis DeBusschere, da 22V Research.

No entanto, ele acredita que a Rússia ainda pode vender petróleo e pode haver “brechas” nos ativos congelados da Rússia, o que “pode limitar o desastre nos mercados por alguns dias”.

O banco central da Rússia na segunda-feira mais que dobrou a taxa de juros do país de 9,5% para 20%, com sua moeda, o rublo, atingindo um recorde de baixa em relação ao dólar, devido à série de novas sanções e penalidades impostas no fim de semana.

O aumento da taxa, disse o banco central, “foi projetado para compensar o aumento do risco de depreciação e inflação do rublo”.

Isso segue a ordem do banco central de interromper as ofertas de estrangeiros para vender títulos russos em um esforço para conter as consequências do mercado. O rublo chegou a cair até 119,50 por dólar, uma baixa de 30% em relação ao fechamento de sexta-feira.

“Os traders estarão atentos a quaisquer sinais de resolução da crise russa (negociação de paz ou sinais de uma vitória de curto prazo para qualquer um dos lados) ou sinais de que as tensões podem estar piorando, aumentando a chance de uma guerra mundial envolvendo membros da Otan”, disse. Jim Paulsen, estrategista-chefe de investimentos do Leuthold Group. “À medida que as notícias se espalham apoiando qualquer tese, espere que o mercado de ações permaneça volátil.”

Em meio a esse cenário, os futuros de ações dos EUA registram queda, com os investidores preocupados com as ramificações econômicas da crise geopolítica, enquanto os futuros do petróleo subiam mais de 5%, com o brent com vencimento em abril superando os US$ 103 o barril.

Na Europa, o movimento individual do preço das ações nesta segunda-feira é fortemente ditado pelo conflito.

As empresas de defesa subiam fortemente no início das negociações, caso da Rheinmetall, com ganhos de quase 30% após a decisão do governo alemão de aumentar os gastos com defesa. Na parte inferior dos índices de blue chip europeu, a Polymetal International caiu mais de 48%, uma vez que a mineradora anglo-russa continuou a despencar como resultado de sua exposição na Rússia.

Veja os principais indicadores às 8h (horário de Brasília):

EUA

Dow Jones Futuro (EUA), -1,33%

S&P 500 Futuro (EUA), -1,52%

Nasdaq Futuro (EUA), -1,36%

Ásia

Shanghai SE (China), +0,32%

Nikkei (Japão), +0,19%

Hang Seng Index (Hong Kong), -0,24%

Kospi (Coreia do Sul), +0,84%

Europa

FTSE 100 (Reino Unido), -1,38%

DAX (Alemanha), -2,76%

CAC 40 (França), -2,94%

FTSE MIB (Itália), -2,83%

Commodities

Petróleo WTI, +4,57%, a US$ 96,17 o barril

Petróleo Brent, +5,08%, a US$ 102,90 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve alta de 2,69%, a 705,5  iuanes

Bitcoin

Os preços do Bitcoin caíam 2,68%, a US$ 38.330,98, em relação à cotação das últimas 24 horas

(Com Ansa Brasil)

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