Mercados

Bolsas em alta, com avanço de commodities e à espera de indicadores nos EUA

Petróleo e ouro sobem, enquanto ISM Services se destaca na agenda; para regular os bancos, é melhor quebrá-los em partes?

Por  Valter Outeiro da Silveira -

SÃO PAULO – Os mercados futuros dos EUA mostram alta nesta segunda-feira (5), enquanto as bolsas europeias não operam, devido ao feriado da Páscoa. As cotações do petróleo e do ouro sobem, desfavorecendo o dólar, que se desvaloriza frente ao iene e a libra, mas se aprecia diante do euro.

Nos EUA, olhos atentos ao Pending Home Sales (11h00), com o número de casas existentes já vendidas, mas ainda sem assinatura de contrato. Simultaneamente será publicado o ISM Services (Institute for Supply Management Services), que mede o nível de atividade não-industrial.

Cautela no FMI
Dominique Strauss Kahn, diretor-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), disse que a economia global não está fora de perigo, a despeito da recuperação mais acelerada que o previsto inicialmente.  

“Você vê o crescimento sendo retomado em quase todos os lugares, mas esses números estão relacionados ao incentivo público”, disse Kahn, acrescentando uma premissa para o fim da crise: a retomada da procura privada.

Boicote férreo
A Cisa (Associação Chinesa de Ferro e Aço, na sigla em inglês) clamou às siderúrgicas chinesas para que boicotem as importações de minério de ferro de Vale (VALE5), Rio Tinto e BHP Billiton por dois meses, segundo listado em website do governo local.

A associação chinesa afirmou que a paralisação é a maneira mais efetiva de combater o “comportamento monopolista” do tripé minerador. “Nossas siderúrgicas possuem amplos estoques de minério de ferro para assegurar uma produção por dois meses”, disparou Shan Shanghua, secretário-geral da Cisa.

Quebra em partes menores…
Thomas Hoenig, presidente do Federal Reserve regional de Kansas City, acredita que os EUA precisam implodir seus “megabancos” e impor leis restritivas à complexidade e ao tamanho das instituições financeiras, conforme entrevista dada ao The Hunffington Post, alinhando-se ao pensamento de Paul Volcker, ex-presidente do Fed. Cabe ressaltar que Hoenig é o membro mais antigo do Fed e votante no Fomc (Federal Open Market Committee), o que confere peso a sua posição.

…talvez não adiante nada
Contudo, Paul Krugman – Nobel de Economia – discorda. “A quebra dos bancos grandes não resolverá realmente nossos problemas, porque é perfeitamente possível ter uma crise financeira proporcionada por instituições menores”, disse o professor de Princeton, em sua coluna no The New York Times. Como exemplo, o economista cita a crise de 1930, quando a maioria dos bancos que colapsarem eram relativamente pequenos, “o suficiente para que o Fed acreditasse que seria OK deixá-los falirem”.

Erros, aprendizagem e ego de Greenspan
Para Michael Burry, redator do The New York Times, a declaração de Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, sobre a não possibilidade de ter previsto a crise financeira depõe contra colapsos futuros. “Greenspan deveria usar seu conhecimento para explicar exatamente como ele e outros oficiais perderam o barco”, discorre Burry, ressaltando que tal movimento melhoraria a regulação financeira, além de assegurar que futuros chairmans do Fed não façam os mesmos erros.

Da dívida para a poupança
Matéria publicada na revista inglesa The Economist evidencia como os EUA sofrem a maior transformação em várias décadas, ao passarem de uma economia focada no consumo e nas dívidas para um país de olho nas exportações e na poupança. Além da mudança no âmbito macroeconômico, “isso trará alterações microeconômicas, como no estilo de vida”.

Para fundamentar a tese, o periódico solicitou o olhar de Bruce Kasman, economista-chefe do JPMorgan Chase, que ressaltou o maior consumo dos emergentes em relação aos EUA: projeções do banco apontam que os emergentes responderão por 34% do consumo global, contra apenas 27% dos norte-americanos.

Por aqui
No Brasil, o Banco Central divulga o tradicional Relatório Focus, que compila a opinião das instituições financeiras sobre os principais índices macroeconômicos do País. Mais tarde, às 11h00, o Ministério do Desenvolvimento publicará a Balança Comercial.

Além disso, foram divulgados o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal da FGV (Fundação Getulio Vargas), referente à quarta quadrissemana de março; e o Índice de Preços ao Consumidor de março, da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Os indicadores registraram inflação de 0,86% e 0,34%, respectivamente.

No âmbito corporativo, há o início das negociações das ações da Hypermarcas, referente à oferta primária. Por último, a Tempo Participações realizará às 12h00 teleconferência com seus acionistas sobre os resultados do último trimestre.

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