Movimentos divergentes

Enquanto Bolsas de valores caem, bolsas de luxo se valorizam nos últimos doze meses

Segundo estudo da Front Row, a Chanel modelo médio couro caviar registrou alta de 32% entre o dia 24 de junho de 2021 e a mesma data no ano atual. 

Por  Equipe InfoMoney -

Enquanto as Bolsas de valores enfrentam forte volatilidade e perdas acumuladas em doze meses com temores de recessão, outro tipo de bolsa registra forte alta no mercado – de luxo.

É o que aponta a Front Row, marketplace de artigos de moda de luxo novos e seminovos. Segundo o estudo, a Chanel modelo médio couro caviar registrou alta de 32% entre o dia 24 de junho de 2021 e a mesma data no ano atual.

No mesmo período, destaca, o Ibovespa amargou perda de 23,81% e o Bitcoin caiu 36,2%. Do lado positivo, o ouro subiu 9,39% e o dólar teve alta de 6,2%. A inflação acumulada pelo IPCA foi de 12,04%.

Somente nos seis primeiros meses do ano, a bolsa Chanel teve valorização de 15%, enquanto todos os outros ativos exibem rentabilidade negativa: Ibovespa (-5,87%), dólar (-6,22%), ouro (-8,18%) e Bitcoin (-57,83%).

De acordo com Lilian Marques, CEO da Front Row, desde o início da pandemia há uma forte valorização dos artigos de luxo que tem movimentado o mercado de second hand (segunda mão).

“Bolsas e relógios de luxo continuam a superar outros colecionáveis quando se trata de retornos anuais tanto no mercado interno quanto no internacional. Especialmente as bolsas Chanel se destacam como reservas de valor devido à valorização e baixa volatilidade”, afirmou.

Os motivos para isso, apontou, são os inúmeros reajustes feitos pela própria Chanel, a falta de oferta destes itens (pós pandemia) e a alta na demanda reprimida, que impactaram em um reajuste de preços dos itens novos em loja que chega a ser de aproximadamente 60%.

“A Chanel também tem limitado o número de bolsas que o cliente pode comprar. A ideia por detrás é que a marca se torne ainda mais desejada. Toda esta conjuntura tem feito com que a demanda por second hand cresça exponencialmente, ainda mais que o ativo tem alta liquidez”, lembra Lilian. Na Front Row, ela aponta, a demanda por bolsas Chanel cresceu 50% em 2022, quando comparada com as vendas em 2021. Em média, os modelos oferecidos pela plataforma são vendidos em 7 dias.

Mas não são apenas as bolsas que têm atraído investidores ao mercado de luxo, destaca: os relógios são outros bens desejados tanto por colecionadores quanto por investidores.

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“Os modelos da marca Rolex têm registrado alta valorização e um crescimento forte da demanda, por motivos similares aos das bolsas, como a falta de produtos no mercado e lista de espera”, diz.

O índice Subdial50, que acompanha os preços do mercado global dos 50 relógios de luxo mais negociados, mostra que o modelo Rolex Daytona dourado subiu 32,2% nos últimos 12 meses. Já o Rolex Day-Date teve alta de 34,2%.

Resiliência do mercado de alta renda

Em relatório, a XP destacou que crises globais, como a pandemia do Covid-19 e a recente invasão russa da Ucrânia, afetaram todas as indústrias, incluindo o varejo, que reflete diretamente o poder e hábito de consumo das populações.

Mas, diferentes segmentos desse setor podem ser impactados de formas variadas, apontaram os estrategistas da casa.

“Analisando as empresas focadas no mercado de alta renda, temos uma visão construtiva para o segmento, favorecido pelo momento atual em que: 1) houve formação de poupança circunstancial durante a crise; 2) a reabertura econômica, com a volta de eventos sociais, movimenta o setor; e 3) o consumidor de alto padrão, menos afetado pela inflação, sustenta uma demanda pouco elástica”, destacaram.

No começo de 2022, o aumento de demanda com a volta do consumo phygital (combinação do físico e digital), impulsionado pela eficácia das campanha de vacinas sem grandes surtos nos países ocidentais, corroborou com o bom momento do setor, apontam os estrategistas.

O mercado de luxo reportou crescimento de dois dígitos no primeiro trimestre do ano, expandindo entre 17% e 19% em comparação com o mesmo período de 2021, significativamente acima da média do ano passado (aproximadamente 3% versus 2019, considerando a última base pré-pandemia) segundo dados da Bain & Company. As projeções da consultoria indicam números otimistas para o médio prazo, com expectativa que a indústria movimente entre € 360 bilhões e € 380 bilhões em 2025.

“Dito isso, esperamos um incremento nas vendas das varejistas focadas no público de alta renda”, avaliam.

Olhando por região, os Estados Unidos, a Europa e a China são os principais mercados para empresas focadas no público de alto padrão. No primeiro trimestre do ano, os Estados Unidos e a Europa lideraram o crescimento, enquanto a China sofreu com as restrições decorrentes da Covid-19 em cidades estratégicas. Entretanto, considerando a relevante participação do país como mercado consumidor, o desenvolvimento econômico da China, impulsionado pelas políticas econômicas com foco na aceleração do consumo e do crescimento da classe média, corrobora com o crescimento do mercado de luxo global.

Desdobrando a visão positiva sobre o mercado de luxo para as companhias de varejo que atendem o consumidor de alta renda, os analistas veem uma tendência similar de crescimento.

Durante a última temporada de resultados das empresas americanas, em que o tom foi de desaceleração, as companhias de varejo apresentaram movimentos bastante distintos, destaca a XP. Enquanto empresas focadas nos públicos de massa frustraram as expectativas de mercado, revisaram para suas projeções pra baixo e mostraram-se preocupadas com os estoques crescentes; as empresas focadas em um mercado de alto padrão apresentaram resultados fortes, reforçaram que a demanda segue resiliente e revisaram suas expectativas de venda para números altistas.

Analisando o cenário macroeconômico, contudo, apontam não poderem ignorar os riscos de uma desaceleração econômica global e o a crescente possibilidade de uma recessão nos Estados Unidos. “Entendemos que o mercado de alta renda é um subsegmento, no relativo, mais protegido dentro do setor de varejo e que pode surfar um momento positivo com a reabertura. Entretanto, mantemos no radar, como ponto de atenção, a deterioração do cenário macro”, avaliam os estrategistas.

Para os analistas da XP, Macy’s (MACY34), Lululemon (L1UL34), Estée Lauder (ELCI34) e Ferrari ([ativo=RACE34]) podem se beneficiar do contexto de maior resiliência de alta renda.

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