Bolsa brasileira na contramão de Wall Street: o que explica o movimento neste começo de 2024?

Mercados americanos são impulsionados por ações de IA, apesar de ajuste na curva de juros; Brasil também sofre com fiscal

Vitor Azevedo

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O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, acumula uma queda de 4,41% em 2024, após subir mais de 20% em 2023. Do outro lado, o S&P 500, benchmark americano de maior destaque, avança cerca de 2% neste ano, estendendo os ganhos de mais de 24% do ano passado e constantemente renovando as máximas históricas neste início de ano.

Durante o último trimestre de 2023, foram principalmente notícias provindas do exterior que ajudaram a puxar o Ibovespa para cima. A perspectiva de que o Federal Reserve vai, em breve, iniciar seu ciclo de queda dos juros puxou as Bolsas americana e brasileira.

Por lá, agora, essa projeção está precificada e o mercado ficou até um pouco mais cauteloso, após dados macroeconômicos mais fortes do que o esperado e de falas de dirigentes consideradas duras, ou “hawkish”. Para analistas, o que sustenta o otimismo quanto aos ativos de risco americanos, por agora, é o fato de a economia do país continuar aquecida, com a inflação desacelerando, e também os resultados das empresas expostas à inteligência artificial. 

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“A economia americana permanece com perspectivas bastante positivas com destaque para as empresas de tecnologia e a disseminação de ferramentas de inteligência artificial sendo uma grande aposta este ano como alavanca para o crescimento de produtividade em diversos setores”, aponta Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad. 

A gigante dos chips TSMC, por exemplo, sobe 30% desde setembro – sendo que o mercado espera que a ação vá além. Já os papéis da Nvidia, apenas em 2024, acumulam um avanço de mais de 23%. 

Fora essas companhias, diretamente impactadas pelo aumento da popularidade da IA, já que vendem produtos que permitem o uso da tecnologia, a expectativa é que as empresas, no geral, conseguirão produzir mais e reduzir custos. 

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De forma simultânea, o Brasil vê um fluxo de saída de capital estrangeiro, que chegou no ano passado. O movimento é normal quando há otimismo com a Bolsa americana, com o mercado procurando o país que traz “performance mais certa”, mas ele é fortalecido por questões internas.

Bolsa brasileira sente peso de questões internas

“No começo do ano, há uma baixa liquidez, mas, fora isso, há a saída de dinheiro estrangeiro. Estamos sofrendo um pouco mais do que os pares, por conta do fiscal”, explica Jansen Costa, sócio fundador da Fatorial Investimentos.

Igliori, da Nomad, avalia que o ano começou trazendo maiores preocupações sobre as chances das metas fiscais serem atingidas e sobre os potenciais desafios no relacionamento entre executivo e legislativo. Exemplo maior disso é a questão da desoneração das folhas de pagamento, que ameaça o faturamento da União e separa executivo e legislativo.

“O anúncio da nova política industrial também não foi muito bem recebido por analistas de mercado que temem um retorno ao ativismo estatal que não deu certo no passado”, fala, em menção ao pacote de R$ 300 bilhões anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem. 

As notícias fizeram a curva de juros brasileira subir. Os DIs para 2027, por exemplo, no fechamento de segunda negociavam a uma taxa de 9,96%. No começo do ano, esse número era de 9,78%.