Com visão construtiva

BofA eleva projeção para o Ibovespa de 125 mil para 135 mil pontos ao final de 2022 e aponta ações preferidas

Estrategistas do banco incorporaram o impacto de estimativas de lucros mais altas para ações de commodities e bancos.

Por  Lara Rizério

O Bank of America elevou a projeção para o Ibovespa ao final de 2022 de 125 mil pontos para 135 mil pontos, o que configura um potencial de valorização de 14% em relação ao fechamento da véspera.

Os estrategistas do banco mantiveram overweight (exposição acima da média do mercado) para o Brasil em sua carteira de estratégia para a América Latina, incorporando o impacto de estimativas de lucros mais altas para ações de commodities e bancos.

“Nós nos tornamos mais otimistas quando o sentimento sobre o Brasil estava começando a melhorar e até agora continuamos construtivos. O Brasil deve continuar a ser um importante destino nos mercados emergentes devido ao peso dos nomes de valor. O fluxo estrangeiro e o desempenho no acumulado do ano ficaram acima das expectativas (surpreendendo muitos participantes do mercado), mas há mais upside, em nossa opinião”, avaliam David Beker, Paula Andrea Soto e Carlos Peyrelongue, que assinam o relatório. Eles ainda mantiveram o México com um “pequeno underweight” (exposição abaixo da média).

Os estrategistas apontam estarem mais otimistas do que o consenso em várias commodities (especialmente petróleo, alumínio e celulose) e com os lucros para os bancos. Eles apontam que o crescimento do lucro por ação para o Ibovespa  é favorável, mas apontam que o valuation já não está mais tão descontado como no início do ano.

Para eles, os nomes relacionados a commodities têm espaço para uma reavaliação para cima devido aos grandes rendimentos de fluxo de caixa livre previstos para este ano e o próximo. Também assumem que os grandes bancos podem ter um desempenho superior devido ao crescimento dos lucros e uma pequena reavaliação para aqueles abaixo dos níveis históricos.

“Nossa percepção é que as preocupações com as eleições e as condições fiscais no Brasil diminuíram na margem, o que nos deixa confortáveis ​​com o valuation do Ibovespa negociando em torno das médias históricas”, destacam.

Olhando de forma setorial, os estrategistas apontaram que mantiveram as alocações orientadas a ações de valor, enquanto “os nomes de crescimento parecem em apuros”, uma vez que seguem preocupados com a inflação e os custos de captação.

“As histórias de crescimento se recuperaram nas últimas 2 semanas (vários nomes de e-commerce e fintechs subiram cerca de 30% em relação às mínimas), já que as taxas de curto prazo do Brasil caíram cerca de 1 ponto percentual ao mesmo tempo”, avaliam, mas ressaltando que o movimento foi global – enquanto questões internas seguem no radar.

Em sua carteira principal para América Latina, os estrategistas adicionaram a a ação da Suzano (SUZB3), destacando que os estoques estão abaixo dos ciclos anteriores, os problemas de logística estão piorando, a entrada em operação de algumas plantas ainda em 2022 não é mais uma grande preocupação e os fabricantes de papel estão realmente entregando retornos positivos, avaliam.

Além disso, possuem exposição em bancos, sendo os brasileiros o Itaú (ITUB4), o Bradesco (BBDC4) e o Banco do Brasil (BBAS3). O BofA ainda incluiu a Arezzo (ARZZ3), por conta de sua história de qualidade e por ser do segmento de alta renda (mais resiliente), enquanto retirou Lojas Renner (LREN3) por conta do valuation e pressão de custos.

CPFL (CPFE3) saiu da carteira por falta de catalisadores, enquanto Usiminas (USIM5) também devido à pressão de custos. Já nas financeiras, a Caixa Seguridade (CXSE3)  foi retirada.

Outros projeções

Na última semana, a XP elevou a sua projeção para o Ibovespa de 123 mil pontos para 130 mil pontos., ou potencial de valorização de 10%. “As visões otimistas se devem à falta de alternativas sólidas entre outros grandes mercados emergentes, à forte exposição a bancos e commodities da Bolsa brasileira, o valuation barato e ao real mais forte em relação ao dólar”, apontaram.

A Ativa Corretora também subiu na semana passada a sua projeção de 117 mil para 135 mil pontos, enquanto a Guide, em meados de março, alterou sua projeção de 120 mil pontos para 130 mil pontos, assim como a XP.

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