BofA eleva Brasil a compra com aposta em “cortes profundos nos juros” e muda carteira

O banco seguiu overweight em Argentina e marketweight em México, enquanto não tem mais exposição a Chile e Colômbia

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Publicidade

Em relatório de estratégia para a América Latina, o Bank of America elevou a exposição para as ações do Brasil de marketweight (exposição em linha com a média do mercado) para overweight (exposição acima da média do mercado), destacando a visão positiva em meio a um cenário de queda de juros em breve. “Cortes profundos de juros para quem esperou — Brasil passa a overweight“, diz o banco americano no título do relatório.

O banco seguiu overweight em Argentina e marketweight em México, enquanto não tem mais exposição a Chile e Colômbia.

“Começamos 2026 com uma visão construtiva para a América Latina. O Brasil está prestes a iniciar um ciclo profundo de cortes de juros, possivelmente já no 1º trimestre”, avalia a equipe de estrategistas.

Viva do lucro de grandes empresas

O banco ressalta ainda que, no México, a renegociação do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá) deve ser positiva, enquanto Chile e Argentina aguardam reformas estruturais. Contudo, uma possível alta do DXY (US Dollar Index, que mede o desempenho do dólar norte-americano frente a uma cesta de moedas estrangeiras) e a redução das expectativas de cortes pelo Fed podem pressionar os preços no curto prazo.

Os estrategistas ponderam que, após a forte alta de 2025, os valuations na América Latina estão menos atrativos do que há um ano, enquanto os riscos eleitorais permanecem, com Brasil, Colômbia e Peru tendo pleitos este ano.

Nas commodities, o cobre deve continuar sustentando o mercado, enquanto minério de ferro e petróleo não devem mudar de patamares no ano.

Continua depois da publicidade

Sobre o Brasil especificamente, o banco aponta que as ações tiveram desempenho semelhante a outros mercados da América Latina no último ano e mantinha posição cautelosa desde junho de 2025, devido a poucos catalisadores domésticos e visão também cautelosa sobre commodities.

“Para 2026, esperamos que o ciclo de afrouxamento seja o principal motor, já que o Brasil apresenta uma das maiores correlações com queda de juros entre os emergentes”, aponta a equipe.

Neste sentido, aponta gostar de nomes domésticos ligados a juros e bancos. “O Brasil também tem muitas empresas que geram caixa mesmo em ambiente de juros altos e empresas com forte crescimento, escala e rentabilidade”, muitas empresas às quais a equipe do BofA se refere como ‘Magnificent Seven’ do Brasil.

No portfólio de ações, o BofA adicionou RD Saúde (RADL3) e Anima (ANIM3), enquanto removeu Yduqs (YDUQ3) por falta de catalisadores. Na Argentina, trocou Pampa por Central Puerto, devido à exposição à desregulamentação do setor elétrico. No Chile, removeu Plaza após rebaixamento duplo para underperform (desempenho abaixo da média do mercado) por valuation elevado, não tendo mais assim exposição ao Chile.

Já na Argentina, após as eleições de meio de mandato em outubro de 2025, vê maior probabilidade de avanços em reformas estruturais. Espera-se aprovação de medidas-chave, incluindo trabalhistas, fiscais e desregulamentação, até 1T26. “Mantivemos overweight e preferência por utilities e financeiras”, aponta.

No México, juros mais baixos e possível resultado positivo no USMCA podem apoiar as ações, tendo preferência por nomes defensivos com forte fluxo de caixa livre e exposição ao dólar em setores financeiros, de consumo básico e imobiliário. No Peru, a exposição é underweight (abaixo da média do mercado).

Continua depois da publicidade

Confira abaixo o portfólio do Bank of America para América Latina:

NomePaís*SetorExposição na carteira do BofA (%)
Anima EducacaoBZConsumo Discricionário2,5
MercadolibreBZConsumo Discricionário3,0
Raia DrogasilBZConsumo Básico3,0
JBSBZConsumo Básico3,0
ArcaMXConsumo Básico3,5
Assai AtacadistaBZConsumo Básico3,0
Coca-Cola FemsaMXConsumo Básico4,0
SigmafaMXConsumo Básico4,0
Petrobras PNBZEnergia6,5
BradescoBZFinanceiro3,0
Itau UnibancoBZFinanceiro6,0
B3 SABZFinanceiro3,0
BTG PactualBZFinanceiro3,0
Banco MacroARFinanceiro3,0
GenteraMXFinanceiro4,0
IFSPEFinanceiro4,0
RegionalMXFinanceiro4,0
Rede D’OrBZSaúde3,0
Hypera PharmaBZSaúde3,0
LocalizaBZIndustriais3,0
EcorodoviasBZIndustriais2,5
Vale SABZMateriais6,5
FUNOMXImobiliário3,5
VestaMXImobiliário3,5
AxiaBZUtilidades3,5
SabespBZUtilidades3,0
COPELBZUtilidades3,0
Central PuertoARUtilidades3,0

BZ = Brasil; MX = México; AR = Argentina; PE = Peru

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.