BNP prevê continuidade do rali em 2010, com destaque para os países do “BIC”

Analistas dão ênfase para os BRICs, exceto a Rússia; fatores históricos sugerem que estamos na fase final do "bull market"

Publicidade

SÃO PAULO – Após um começo de ano conturbado por conta da crise, os mercados acionários acumularam forte valorização ao longo de 2009, acompanhando os sinais de recuperação da economia global. Mesmo com esse rali, a expectativa do BNP Paribas é de que essa tendência se mantenha em 2010. Contudo, alguns fatores históricos mostram que podemos estar na fase final do bull market nos países desenvolvidos.

O banco francês também avaliou as perspectivas em torno da política monetária. Apesar de muito alarde feito por alguns membros do Federal Reserve e do próprio presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, levantando os riscos de manter os juros nos baixos patamares atuais, os analistas do BNP não acreditam que isso possa causar ajuste iminente nessas taxas.

“A recuperação das economias norte-americana e europeia está aquém da retomada dos asiáticos e produtores de commodities”, afirma a equipe de análise, argumentando que, por conta disso, a estratégia atual de manter as taxas de juros próximas a 0% ao ano deverá ser mantida durante 2010.

Resultados positivos são esperados

Partindo da esfera econômica para a corporativa, os analistas do BNP Paribas enxergam na próxima temporada de resultados corporativos uma base de sustentação para a trajetória positiva dos mercados. De acordo com eles, os balanços do quarto trimestre deverão evidenciar a retomada dos níveis de lucratividade, o que deve contribuir para melhores perspectivas durante o exercício de 2010.

Aliado a isso, os especialistas ressaltam os dividendos anunciados pelas empresas europeias, cujo valor tem sido maior do que o esperado pelos mercados. “Esse é um sinal de que as large caps estão mais confiantes acerca das perspectivas de médio prazo”, afirmam.

Fim do bull market?

Contudo, mesmo diante das perspectivas positivas para o curto prazo, os analistas do BNP se baseiam em padrões históricos de bull market, que evidenciam um provável estágio final para o rali no mercado acionário norte-americano e europeu. Segundo o relatório do banco, três fatores evidenciam essa provável “reta final” dos ganhos.

Continua depois da publicidade

O primeiro está associado ao desempenho das small caps. Por serem ações menos líquidas, elas estão mais expostas à volatilidade. Durante o movimento de retomada dos mercados, as ações das empresas consideradas de menor porte dispararam. No entanto, a tendência já demonstra sinais de enfraquecimento, com esses papéis reportando um desempenho bem próximo ao do restante do mercado.

O segundo ponto está ligado ao setor financeiro. Devido ao fato da crise ter se originado neste segmento, as ações dessas instituições despencaram nos principais mercados do mundo. Nos primeiros sinais de recuperação, esses mesmos papéis tomaram a frente no movimento de valorização. Contudo, a equipe do BNP afirma que o setor claramente perdeu esta liderança nos últimos dois meses, tanto nos EUA quanto na Europa.

Por fim, o terceiro sinal que evidencia o fim do bull market está no fato de que, diferentemente de alguns meses atrás, é muito menor o número atual de empresas que estão sustentando o rali nesses dois mercados acionários, ou seja, a quantidade de ações que continua reportando forte valorização é menor do que antes.

Continua depois da publicidade

Foco para o BRIC, exceto Rússia

Tendo em vista as projeções macroeconômicas para 2010, os especialistas do banco francês seguem com o foco dos investimentos para os próximos doze meses nos países que compões o “BIC”, que seria o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) menos a economia russa.

As bolsas europeias e norte-americanas também deverão tirar benefícios do “momentum”, em virtude das expectativas de melhores guidances das companhias no próximo ano. “Enquanto o risco de aumento nos juros básicos da Zona do Euro e dos Estados Unidos não se consolida, nós vemos possibilidade de valorização nos mercados desenvolvidos”, afirmam os avaliadores.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers