Destaques da Bolsa

Blue chips nas máximas: Vale e Petrobras disparam até 4%; Sabesp cai com Lava Jato e Gafisa salta 11%

Confira os principais destaques de ações da bolsa desta terça-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa ganhou força e fechou na máxima desta terça-feira (25), com Wall Street – Nasdaq encerrou pela primeira vez acima dos 6.000 pontos – e a aprovação da reforma trabalhista em comissão especial na Câmara, por 27 votos a 10. Com isso, o índice subiu 1,18% nesta sessão, a 65.148 pontos, puxado principalmente pelas ações da Petrobras, Vale e bancos. As maiores, contudo, ficaram com as ações da Marfrig e Eletrobras, que subiram mais de 6%. 

Das 58 ações que compõem a carteira teórica do benchmark da bolsa brasileira, apenas 10 fecharam em queda. Entre elas, destaque para Sabesp e BRF, que caíram cerca de 2% e figuraram como as maiores quedas do Ibovespa. Enquanto a Sabesp foi impactada por delação relacionando obra da empresa a pagamentos de propina na campanha do governador Geraldo Alckmin, a BRF caiu em meio ao temor de que a Operação Carne Fraca atrapalhe o lançamento de ações de sua unidade voltada ao público do Oriente Médio.

Confira abaixo os principais destaques de ações da bolsa desta terça-feira: 

Petrobras (PETR3, R$ 14,68, +2,02%;PETR4, R$ 14,34,  +2,21%)

As ações da Petrobras ganharam força nesta tarde e fecharam nas máximas do dia, puxada pela euforia dos investidores com o cenário político e Wall Street. Lá fora, ajudou o movimento também os preços do petróleo, que viraram para alta nesta tarde. Os contratos do WTI subiram 0,7%, a US$ 49,56 o barril, depois de registrarem queda mais cedo, em meio ao ceticismo sobre se a Opep será efetiva em conter a produção da commodity. 

Vale  (VALE3, R$ 28,35, +3,28%;VALE5, R$ 27,30, +3,80%)
Entre as maiores altas do Ibovespa figuraram as ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 20,62, +4,04%) – holding que detém participação na mineradora -, que se descolaram de mais um dia de queda do minério de ferro e fecharam em ganhos de mais de 3%. A commodity negociada em Qingdao registrou baixa de 0,69%, a US$ US$ 66,07 a tonelada. Vale ressaltar que na próxima quinta-feira, antes da abertura do pregão, a companhia divulgará o balanço do primeiro trimestre. 

Siderúrgicas também subiram, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,84, +1,86%), CSN (CSNA3, R$ 7,62, +3,25%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,05, +0,50%). Vale destacar que, nesta manhã, o Instituto Aço Brasil informou que o crescimento do consumo sobe 5% no primeiro trimestre na comparação anual. As importações de aço subiram 73% no período, enquanto a produção deverá aumentar 3,8% este ano para 32,5 milhões de toneladas. As projeções são de o consumo aumente 2,9% este ano. 

Bancos

As ações dos bancos também ganharam força, virando para o positivo nesta tarde, em meio ao sentimento positivo do mercado com o cenário político e Wall Street. São elas: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 38,72, +0,65%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 32,50, +0,62%) e Bradesco (BBDC3, R$ 31,70, +0,32%; BBDC4, R$ 32,00, +0,91%) e Santander Brasil (SANB11, R$ 26,20, +1,99%).

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Em relação ao Santander, o banco subiu na esteira da elevação de recomendação do Itaú BBA de underperform para marketperform,  de forma a incorporar novas premissas macroeconômicas e novo custo de capital. O preço-justo para a SANB11 ao final do ano é de R$ 27,00 por unit, de R$ 23,3 anterior. Segundo os analistas do banco, o Santander Brasil parece estar no caminho certo para reduzir gap de lucratividade com bancos privados brasileiros de grande capitalização.

Gafisa (GFSA3, R$ 28,79, +10,86%)

As ações da Gafisa dispararam após a cisão da subsidiária da Tenda ser aprovada e com elevação de recomendação pelo Bradesco BBI para outperform (desempenho acima da média). Vale menção que o analista gráfico Rodrigo Cohen, da Rico Corretora, recomendou a compra da ação nesta sessão, vendo espaço para alta até os R$ 33,08, o que daria mais 15% de potencial de valorização (veja aqui). 

A Gafisa informou na segunda-feira o término do prazo para que os credores se opusessem a uma redução de capital em R$ 220 milhões, relacionada à cisão e listagem da unidade Tenda. Os acionistas da Gafisa receberão ações da unidade em 4 de maio, negociações terão início no mesmo dia.  O Bradesco recomenda compra de ações da Gafisa antes do dia 27 de abril, prazo máximo para se obter direito a 50% dos títulos da Tenda quando a cisão for concluída.

Setor de telecomunicações

Ainda no radar de recomendações, a Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 48,04, +3,02%) foi iniciada com recomendação outperform pelo Safra, e as ações sobem, enquanto a Tim Participações (TIMP3, R$ 10,46, +1,45% ) foi iniciada com recomendação neutra. 

No setor de telefonia, atenção ainda para a Oi (OIBR3, R$ 4,20, -0,24%; OIBR4, R$ 3,49, -2,24%), com os seus papéis PN e ON registrando movimentos díspares nesta sessão.  O ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Telecomunicações, Gilberto Kassab, disse nesta segunda-feira que a Medida Provisória para eventual intervenção do governo na Oi deve ser publicada nos próximos dias, segundo informações do jornal Valor Econômico. Segundo ele, a MP prevê alternativas para a Oi solucionar sua dívida pública, citando como uma das opções a troca do pagamento das dívidas por investimentos, com a assinatura de um termo de ajustamento de conduta (TAC). 

Kroton (KROT3, R$ 14,70, +2,65%)

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As ações da Kroton são destaque de alta do Ibovespa, sendo seguidas pela Estácio (ESTC3, R$ 17,15, +2,69%). A Kroton teve alta de 10 por cento na captação de alunos de graduação presencial no primeiro trimestre sobre o mesmo período do ano passado, mas as rematrículas recuaram 4 por cento na mesma comparação, informou o maior grupo de educação superior privada do país nesta terça-feira. No ensino a distância (EAD), a taxa de captação de alunos de graduação subiu 11 por cento nos dois três primeiros meses do ano, enquanto as rematrículas recuaram 1 por cento no mesmo período.

Hypermarcas (HYPE3, R$ 30,00, -1,15%)

Após a alta de cerca de 4% na véspera, as ações da Hypermarcas registraram queda, em meio à notícia sobre venda de participação ou fusão negadas pela empresa. 

A companhia negou na manhã desta terça-feira que esteja negociando fusão ou quaisquer outras formas de combinação de negócios com outras empresas e negou também que tenha contrato bancos ou assessores financeiros para auxiliá-la em quaisquer operações desta natureza. A negativa ocorreu após o Valor Econômico informou que a empresa estaria de olho em oportunidades de fusão no país, preferencialmente com outro laboratório de capital nacional. Segundo uma fonte ouvida pelo jornal, a companhia já teria contrato bancos que poderiam auxiliá-la em uma eventual operação, entre os quais o Bradesco. Outra fonte comentou que a ideia é buscar um parceiro nacional para a combinação dos negócios. Na tarde de segunda-feira, a companhia negou que estivesse em tratativas para ser vendida por um player estrangeiro. como comunicado pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, na manhã de ontem. 

Copasa (CSMG3, R$ 35,10, -2,99%)

As ações da Copasa registraram o seu terceiro pregão seguido de queda, acumulando baixa de 25% no período. Na quinta-feira, os papéis despencaram quase 21% após a divulgação da revisão tarifária preliminar pela Arsae, que decepcionou e muito o mercado (veja mais clicando aqui). Vale destacar que, após a forte queda, o Scotia Bank elevou a recomendação para os papéis com  preço-alvo sendo reduzido de R$ 45,00 para R$ 43,00. No setor, as ações da Sanepar (SAPR4, R$ 10,31, -2,00%) e da Sabesp acompanharam o movimento negativo. 

Sabesp (SBSP3, R$ 29,58, -2,54%)

Embora acompanhe o movimento do setor, a Sabesp tem outro motivo para cair hoje. Isso porque uma delação de um ex-executivo da Odebrecht, no âmbito da Operação Lava Jato, vincula uma obra da empresa a pagamentos de propina, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo. Essa é a primeira vez que a companhia paulista é envolvida no esquema de corrupção.

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Segundo o jornal, planilhas entregues aos investigadores da Lava Jato pelo ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior vinculam uma obra da empresa a pagamentos ilícitos para as campanhas eleitorais em 2014 do governador Geraldo Alckmin e do deputado federal João Paulo Papa, ambos do PSDB.

O documento aponta o pagamento de R$ 1,5 milhão no dia 5 de agosto de 2014 para o que seria a campanha de Alckmin. Na planilha, o pagamento está vinculado à obra “Emissário Praia Grande”, que refere-se a um contrato de R$ 225,8 milhões assinado pela Sabesp com um consórcio liderado pela Odebrecht em 2007 para obras de esgoto no litoral sul paulista. Pouco depois, em 12 de agosto, aparece outro pagamento no valor de R$ 300 mil, que teria sido feito para “Benzedor”, codinome dado ao deputado Papa, ex-prefeito de Santos (2005-2012) e que foi superintendente da Sabesp entre 1991 e 1995 e diretor da estatal entre 2013 e 2014.

Helbor (HBOR3, R$ 2,60, +5,26%)

As ações da Helbor dispararam nesta sessão, apesar de dados operacionais ainda fracos no 1° trimestre deste ano, segundo avaliação do BTG Pactual.  A empresa divulgou que seus lançamentos no período atingiram alta de 117% na comparação anual. As vendas contratadas totais foram de R$ 261,5 milhões, queda de 1,2% na base anual, enquanto as vendas contratadas parte Helbor foram de R$ 203,4 milhões, queda de 1,6% na base anual. 

Segundo o BTG Pactual, as vendas e lançamentos ainda vieram fracos no 1° trimestre deste ano, ressaltando que a empresa lançou somente um projeto no período. O banco possui recomendação neutra para os papéis. Já o Bradesco BBI comentou que as baixas margens devem prevalecer até que os estoques diminuam para níveis mais sustentáveis e ainda “há um longo caminho até que a lucratividade melhore”. 

Papel e celulose

As ações da Fibria (FIBR3, R$ 28,95, +1,08%) subiram mais de 1%, enquanto a Suzano (SUZB5, R$ 13,08, +0,15%) fechou praticamente estável, apesar de ter anunciado nesta tarde um reajuste de preços. Os papéis da Fibria acompanharam o dia positivo do dólar frente ao real. O dólar comercial encerrou em alta de 0,79%, a R$ 3,1515 na venda. 

Seguindo o anúncio da Fibria feito no começo deste mês, a Suzano informou nesta tarde que vai aumentar os preços da celulose para Europa, América do Norte e China a partir de 1° de maio.

Segundo o comunicado, o preço na Europa será de US$ 820 a tonelada; na América do Norte, o novo preço será de US$ 1.000 a tonelada e na China, US$ 680 a tonelada. Segundo a empresa, os fundamentos de mercado neste momento suportam anúncio,

Além disso, o preço da celulose hardwood na Europa registrou alta de 0,96%, a US$ 752 a tonelada, segundo dados semanais do FOEX, enquanto os preços da celulose softwood ficaram estáveis a US$ 840 a tonelada. 

WEG (WEGE3, R$ 17,25, +0,58%)

A fabricante de motores elétricos e tintas industriais WEG anunciou nesta segunda-feira planos de entrar no mercado de energia eólica indiano e fabricar aerogeradores na fábrica de Hosur, na Índia.

A companhia pretende adequar a fábrica de motores e geradores no Estado indiano de Tamil Nadu, perto de Bangalore, para também fabricar aerogeradores de 2,1 megawatts (MW).

A empresa afirmou que sua unidade indiana estará apta para fornecer os equipamentos a partir de 2018. “Enquanto isso, a companhia iniciará atividades comerciais de captura de contratos de fornecimento e de desenvolvimento dos fornecedores locais”, afirmou a companhia em comunicado ao mercado.