Bitcoin retoma alta e sobe acima de US$ 71 mil, maior valor em quase um mês

Mercado cripto se recupera após liquidação recente, com forte entrada em ETFs

Bloomberg

Logotipo do Bitcoin (Foto: Chan Long Hei/Bloomberg)
Logotipo do Bitcoin (Foto: Chan Long Hei/Bloomberg)

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Os mercados de criptomoedas se recuperaram nesta quarta-feira (4), revertendo parte das perdas provocadas pela escalada do conflito no Oriente Médio e deixando para trás a pressão observada anteriormente em outras classes de ativos.

O Bitcoin (BTC) avançou até 5,7%, chegando a superar brevemente o nível de US$ 71.890, seu maior valor em quase um mês. No início do pregão da manhã em Nova York, porém, devolveu parte dos ganhos e era negociado perto de US$ 71.343. O Ethereum (ETH) também disparou, com alta de até 6,3%, para US$ 2.092, em meio a um mercado amplamente positivo para as criptomoedas.

A maior criptomoeda do mundo enfrentou alguns dias turbulentos desde que forças dos Estados Unidos e de Israel atacaram o Irã no sábado, quando chegou a cair até US$ 63.038. Desde então, investidores voltaram a apostar nos ativos digitais, com os ETFs de bitcoin à vista nos EUA registrando mais de US$ 680 milhões em entradas na segunda e na terça-feira, segundo dados compilados pela Bloomberg.

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“Isso é uma vitória para as criptomoedas, considerando a forte liquidação que os mercados financeiros e o ouro sofreram no dia anterior”, disse Alex Kuptsikevich, analista-chefe de mercado da FxPro. “Talvez alguns traders estejam olhando para o cripto como um porto seguro.”

Os futuros das ações americanas se recuperaram, enquanto o índice europeu Stoxx 600 avançou. O principal índice de ações da Ásia havia despencado mais cedo nesta quarta-feira, na maior queda em quase um ano, liderado por uma liquidação recorde nas ações da Coreia do Sul. O ouro chegou a ser negociado abaixo de US$ 5.000 por onça na terça-feira, antes de subir novamente e operar acima de US$ 5.180 na manhã de quarta.

“O sentimento segue bastante cauteloso nos mercados financeiros, enquanto investidores avaliam os desdobramentos mais recentes no Oriente Médio e se preparam para novas turbulências”, afirmou Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos da Wealth Club.

Apesar da recuperação desta quarta-feira, o mercado cripto ainda permanece sob tensão, com o Bitcoin cerca de 40% abaixo do pico registrado em outubro após meses de vendas. Esse cenário coloca a criptomoeda em uma posição particular em meio à turbulência geopolítica, criando espaço para uma recuperação enquanto outras classes de ativos podem precisar de uma pausa.

“Considerando todos os fatores, o cenário até a semana passada refletia uma anomalia estatística no bitcoin e um regime muito diferente em comparação tanto com o ouro quanto com os índices de ações”, disse Vetle Lunde, chefe de pesquisa da K33.

Defensores das criptomoedas frequentemente comparam o Bitcoin ao ouro, tratando-o como uma versão digital do ativo de proteção ao qual investidores recorrem em momentos de turbulência. Essa narrativa perdeu força nos últimos meses, quando o bitcoin caiu enquanto o ouro avançava. Nos últimos dias, porém, o token voltou a superar o metal: acumula alta de cerca de 9% desde sexta-feira, antes do início do conflito com o Irã. O ouro recua quase 2% no mesmo período.

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“O ouro enfrenta dificuldades à medida que os mercados de títulos reprecificam o risco de inflação”, disse Fadi Aboualfa, chefe de pesquisa da Copper Technologies Ltd. “É possível que investidores estejam fazendo apostas especulativas antecipadas em um futuro afrouxamento monetário caso a guerra se prolongue.”

Ainda assim, a volatilidade das criptomoedas e a continuidade da ação militar indicam que qualquer recuperação pode ser de curta duração. O conflito ampliado entrou no quinto dia nesta quarta-feira, com Israel e Irã continuando a trocar ataques aéreos e disparos de mísseis. Centenas de pessoas morreram no Irã e dezenas em outros pontos da região, enquanto os Estados Unidos afirmam que seis de seus militares foram mortos.

“Continuamos considerando a situação frágil demais para afirmar que o fundo já foi atingido”, acrescentou Kuptsikevich. “O bitcoin permanece vulnerável devido ao aumento da volatilidade nos índices de ações, o que está levando investidores institucionais a reduzir alavancagem.”

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