Disparada ou nova queda?

Bitcoin prepara movimento violento após atingir menor volatilidade em 17 meses

Formadores de mercado podem ser a força invisível que ajuda a criar um limite de preços para a criptomoeda

Por  CoinDesk

O mercado do Bitcoin (BTC) está em uma calmaria vista pela última vez apenas antes do início do grande rali de preços de 2020.

Segundo dados da Arcane Research, a volatilidade de 30 dias do Bitcoin, que mede o desvio-padrão dos retornos diários das últimas quatro semanas, caiu para 2,20%, o índice mais baixo desde novembro de dois anos atrás.

Em junho de 2021, o indicador alcançou a máxima de pouco mais de 6%. Desde então, a tendência tem sido de queda, com exceção da subida temporária para 4,5% próximo da reunião de março do Federal Reserve.

Essa queda uniforme pode ser atribuída a vários fatores, como a decisão das grandes exchanges de criptomoedas Binance e FTX de diminuir oferta de alavancagem, a diminuição no interesse por futuros com margem em criptomoedas e, mais recentemente, a redução no interesse especulativo, como pode ser visto no declínio dos volumes de negociações.

Dados observados pela Kaiko Research mostram que o volume semanal de negociações de Bitcoin e Ethereum (ETH) alcançou o menor nível desde o meados de 2021.

“Tanto o volume de Bitcoin quanto de Ethereum caíram significativamente desde dezembro, conforme os investidores deixam seus portfólios menos arriscados com a crescente incerteza dos fatores macroeconômicos”, informou a newsletter semanal da Kaiko Research publicada na segunda-feira (18).

“A tendência acelerou no começo de abril, com o volume semanal de trading de BTC e ETH caindo mais de 30% e chegando a US$ 7 bilhões e US$ 5 bilhões, respectivamente, com relação ao fim de março”.

Segundo a plataforma de gráficos TradingView, o Bitcoin caiu 10% no acumulado do ano, enquanto o Ethereum caiu 15%.

Força invisível

Outros fatores técnicos também têm um papel nesse cenário, ajudando a trazer tranquilidade ao mercado do Bitcoin.

Segundo a Two Prime, formadores de mercado, que compram opções de compra e venda out of the money (inúteis se forem exercidas no preço presente) oferecidas por vaults de opções descentralizadas (DOV) toda sexta-feira, minimizam os riscos da exposição à tendência de alta ou baixa através de posições contrárias no mercado de futuros e de futuros perpétuos. Com isso, criam um limite para os preços dentro de cada ciclo de expiração.

Os formadores de mercado são indivíduos ou entidades que têm obrigação contratual de manter um nível saudável de liquidez em uma exchange. Eles se certificam de que existe profundidade suficiente em um livro de ofertas ao se oferecer, a qualquer momento, a comprar ou vender um ativo, um contrato de futuros ou uma opção de compra ou venda. Essas entidades sempre ficam do lado oposto das negociações dos investidores e sustentam um livro neutro ao comprar e vender o ativo subjacente conforme o preço varia.

Os DOVs cresceram exponencialmente desde a segunda metade de 2021 e agora acrescentam mais de US$ 100 milhões de exposição nocional ao mercado toda semana. Ou seja, os formadores de mercado ficaram mais suscetíveis a grandes movimentações de preço. Assim, a atividade de diminuição dos riscos pode estar ajudando a segurar as movimentações mais radicais de preço no mercado.

“Segurar grandes posições em aberto requer uma alta atividade de diminuição de riscos. Isso serve como um teto ou piso natural dos preços à vista que coincidem com os preços de exercício de puts [níveis em que os DOVs vendem as opções]”, afirmou a Two Prime em nota publicada no dia 8 de abril.

“Quando seguram essas opções até expirarem, tal qual fazem os DOVs, o gamma da opção subjacente cresce, o que demanda uma redução de riscos de delta dos formadores de mercado, intensificando ainda mais a dinâmica do piso e teto do preço.”

Seria a calmaria antes da tempestade?

O desfecho de um período prolongado de baixa turbulência no preço costuma ser um movimento violento em qualquer direção.

Por exemplo, o último momento de baixa volatilidade durou mais de dois meses, do final de setembro ao começo de novembro de 2020, quando as negociações de Bitcoin ficaram na faixa entre US$ 10 mil e US$ 13 mil. A ruptura ocorreu no dia 5 de novembro daquele ano, com rali que levou o preço da criptomoeda acima do topo do ano anterior, que havia sido de US$ 13.800.

Não se sabe se a história vai se repetir agora. Dito isto, há sinais de que uma grande movimentação pode ocorrer em breve.

“A volatilidade de 7 dias está acima da de 30 dias, o que pode sugerir que o mercado está começando a acordar”, declarou a Arcane Research.

No fechamento da matéria, o BTC era negociado a US$ 41.374, próximo da estabilidade (+0,1%) nas últimas 24 horas.

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