Criptoativos

Bitcoin cai mais de 35% em maio e tem seu pior mês desde 2018; é uma boa hora para comprar?

Apesar do movimento negativo em maio, o Bitcoin ainda acumula valorização de 28,7% em 2021, e ganhos de 294% no acumulado de 12 meses

SÃO PAULO – O Bitcoin encerrou maio com uma queda de mais de 35%, em seu pior desempenho desde 2018, após renovar sua máxima histórica no meio de abril passado, na casa de US$ 65 mil.

Além de uma correção natural por conta da forte alta da criptomoeda no início do ano, este mês também foi marcados por más notícias, envolvendo principalmente restrições da China e comentários do CEO da Tesla, Elon Musk.

O Bitcoin ficou a US$ 37.332 na última cotação do mês, marcando perdas de 35,35%, sendo a maior queda mensal desde novembro de 2018, quando caiu 36,54%. Durante a tarde de ontem, a moeda digital chegou a acumular perdas de mais de 37%, o que levaria ao pior desempenho mensal desde setembro de 2011, quando recuou 37,32%.

Apesar do movimento negativo em maio, o Bitcoin ainda acumula valorização de 28,7% em 2021, e ganhos de 294% no acumulado de 12 meses.

Na manhã desta terça-feira (1), a criptomoeda registrava leve queda de 1,22% às 8h35 (horário de Brasília), a US$ 36.697. Em reais, a moeda digital cai 1,32% hoje, para R$ 191.661.

O explica a queda do Bitcoin em maio

Até o dia 12 de maio, o Bitcoin estava “andando de lado”, oscilando em torno dos US$ 57 mil. Foi então que Elon Musk anunciou que a Tesla iria suspender a compra de seus veículos usando a criptomoeda, o que iniciou um forte movimento de queda dos preços. Segundo o executivo, a preocupação é com o uso crescente de combustíveis fósseis na mineração de novas moedas digitais, prejudicando o meio ambiente.

A decisão pegou todos de surpresa, já que havia um grande otimismo no mercado desde o ano passado com a entrada de grandes investidores institucionais no mercado, com um ápice atingido após a Tesla informar em fevereiro a aquisição de US$ 1,5 bilhão em bitcoins e a permissão de uso da criptomoeda para compra de seus produtos.

Isso gerou um temor não só pela notícia em si, mas de que outras companhias pudessem tomar decisões parecidas, deixando os investidores em clima de tensão. Porém, foi outro fator que acentuou as perdas do mês.

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O Bitcoin perdeu mais de 20% de valor em poucas horas após notícias de que a China colocou restrições a transações que envolvam moedas digitais. Na ocasião, agências de notícias divulgaram que instituições financeiras e empresas de meios de pagamento da China não poderiam mais participar de quaisquer transações relacionadas a criptomoedas, nem deveriam fornecer serviços relacionados aos seus clientes.

Apesar de analistas apontarem que aquela decisão não era uma novidade, já que a China já tinha restrições com criptoativos, a forte queda acabou impulsionada pela grande quantidade de posições em aberto que havia no mercado. Com investidores operando alavancados e com ordens automáticas de vendas – buscando evitar perdas muito acentuadas -, o início de uma derrocada criou um efeito cascata que acionou essas ordens e piorou ainda mais a queda dos preços.

Por dois dias o mercado tentou encontrar um novo equilíbrio, até que uma nova notícia pressionou novamente os preços. Dessa vez, o Conselho de Estado da China emitiu uma nota sobre uma discussão para reprimir a mineração e negociação da criptomoeda no país.

Em uma declaração do vice-premiê chinês Liu He e do Conselho de Estado, as autoridades disseram que uma regulamentação mais rígida é necessária para proteger o sistema financeiro. Essa foi a primeira vez que um alto órgão do governo discutiu o assunto.

Nos dias que se passaram, outros países também emitiram comunicados sobre negociação de criptoativos, caso dos Estados Unidos, Argentina e Bolívia, mas o impacto no mercado não foi tão grande, até pela queda que já havia ocorrido.

Desde então, na última semana, o Bitcoin tem conseguido se sustentar acima da casa de US$ 35 mil, apesar de ainda estar mostrando forte volatilidade e sem conseguir retomar de forma consistente o nível dos US$ 40 mil.

Vale a pena comprar agora?

Diante da forte queda dos preços, há quem aponte que este momento pode ser uma boa oportunidade para se comprar bitcoins. Entre os entusiastas, Robert Kiyosaki, autor do livro “Pai Rico, Pai Pobre”, disse no último domingo que a queda do Bitcoin é uma “ótima notícia”

“Bitcoin caindo. Boas notícias. Quando o preço atingir US$ 27.000 posso começar a comprar novamente. Muito dependerá do ambiente macro global. Lembre-se de que o problema não é ouro, prata ou Bitcoin. O problema são os incompetentes no governo, Fed e Wall Street. Lembre-se de que o ouro custava US$ 300 em 2000”, escreveu ele em seu Twitter. Atualmente o ouro é cotado em torno de US$ 1.900.

Em abril, Kiyosaki afirmou em uma entrevista que o preço do Bitcoin deve chegar a US$ 1 milhão nos próximos cinco anos. Mesmo assim, ele disse que ainda prefere o ouro e a prata como investimento.

Já para Sebastian Serrano, CEO da Ripio, agora é um “bom momento para a entrada de pessoas que visam o longo prazo”. “Os investidores mais experientes sabem hora de comprar Bitcoin não é na máxima histórica, é agora”, afirma.

Ele aponta que a história mostra que, até hoje, nenhum investidor que comprou Bitcoin e apostou na estratégica de segurar por mais de quatro anos (200 semanas) jamais perdeu dinheiro. “Essa é uma tendência que deve se manter”, afirma.

Safiri Félix, diretor de produtos e parcerias da Transfero, por sua vez, explica que o mercado conseguiu resistir à pressão vendedora, formando um suporte já testado várias vezes na região de US$ 34 mil. “A tendência de curto prazo é passarmos por um período de acumulação, com a cotação ganhando força para retomar a trajetória de alta caso rompa a resistência na faixa dos US$ 42 mil”, afirma.

“Compras próximas ao suporte podem representar boas oportunidades em um horizonte de longo prazo, mesmo que o mercado volte a enfrentar momentos de maior volatilidade. Caso perca o suporte, não podemos descartar a possibilidade do preço voltar a testar o patamar dos US$ 20 mil, nível da alta histórica anterior ao último rali”, completa o especialista.

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