Nova máxima

Bitcoin bate nova máxima histórica ao superar a marca de US$ 65 mil

Movimento de alta tem sido puxado nos últimos dias pelo lançamento do primeiro ETF de Bitcoin nos EUA

SÃO PALO – O Bitcoin (BTC) atingiu sua nova máxima histórica nesta quarta-feira (20) após superar a marca de US$ 64.863, antiga máxima que havia sido atingida em 14 de abril deste ano, em um movimento de forte valorização ocorrido desde o fim da semana passada.

Nos últimos 7 dias, a maior criptomoeda do mundo saltou cerca de 20%, ganhando US$ 10 mil de valor, e às 12h30 (horário de Brasília) de hoje operava com valorização de mais de 6% no acumulado de 24 horas, cotada a US$ 66.580. Com isso, agora o Bitcoin acumula valorização de 127% em 2021.

O movimento é acompanhado por outros ativos digitais, como Ethereum (ETH), que sobe 4,6%, para US$ 4.000, também se aproximando de sua máxima histórica, além da Cardano (ADA), com menor intensidade.

A alta é generalizada e entre as 20 maiores criptos do mundo em valor de mercado, apenas duas, Shiba Inu (SHIB) e Algorand (ALGO) não registram ganhos. Com isso, a capitalização total do mercado de criptomoedas sobe para US$ 2,56 trilhões.

Nos últimos dias, alimentou o otimismo dos investidores a notícia dada na sexta-feira (15) pela agência de notícias Bloomberg de que a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) iria aprovar o primeiro ETF de Bitcoin do país, o que de fato aconteceu.

Começou a ser negociado na terça o ProShares Bitcoin Strategy ETF, que não investe diretamente em Bitcoin, mas sim em contratos futuros da criptomoeda negociados na bolsa de derivativos de Chicago (CME).

E mesmo que esse modelo desagrade os entusiastas mais puristas, o produto é visto como essencial para trazer uma nova leva de investidores para o Bitcoin, principalmente os institucionais, o que, por sua vez, ajuda na valorização do ativo (veja mais aqui).

“A aprovação do ETF tem dois aspectos extremamente relevantes. O primeiro é a facilitação do acesso a investimentos em cripto para uma ampla gama de investidores americanos, bastante acostumados às bolsas de valores. O segundo e, talvez, mais relevante, é a chancela do regulador do maior mercado de capitais do mundo, mostrando que os criptoativos estão em uma fase de maior maturidade como classe de ativos para investimento”, explica João Marco Cunha, gestor de portfólio da Hashdex.

Com taxas menores que fundos, os ETFs também possuem maior liquidez e costumam agradar mais por estarem dentro da regulação do mercado financeiro. Isso serve como porta de entrada para investidores menores que ainda têm medo de comprarem diretamente criptoativos, ao mesmo tempo que dá tranquilidade para os institucionais entrarem nesse mercado.

Cenário indica novas altas até o fim do ano

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Para a equipe da Binance Research, com o lançamento da ProShares, podemos esperar “uma enxurrada de ETFs de Bitcoin seguindo o exemplo, com a Grayscale já pedindo para converter seu carro-chefe, o fundo Bitcoin Trust (GBTC), em um ETF”.

Vinicius Frias, CEO do Alter e Diretor do Méliuz, por sua vez, diz que o ETF realmente ajudou na alta, mas que o cenário é mais amplo: “As pessoas gostam de procurar justificativas de curto prazo – e, as vezes existem, a mais forte foi a atual aprovação do ETF de Bitcoin na Nasdaq. Mas gosto de pensar que os fundamentos sólidos são os mesmos que impulsionam a alta desde o ano passado, que é ainda mais expressiva: maior adoção pelo mercado institucional de forma geral e, principalmente, por ser um ativo contra a expansão monetária que atinge o mundo desde o inicio da pandemia”.

Já Ricardo Dantas, CO-CEO da Foxbit, destaca que após a baixa da criptomoeda desde maio, o cenário reverteu nas últimas semanas com uma sequência de boas notícias. “O fato de El Salvador aceitar o Bitcoin como moeda e até mesmo o fato da mineração sair da China e migrar para os EUA foi algo positivo para o mercado”, avalia.

Sobre o que esperar até o fim do ano, Bernardo Schucman, vice-presidente sênior de operações de Data Center da CleanSpark acredita que a combinação do ETF nos EUA e a migração da mineração devem manter os ganhos até dezembro. “A minha aposta continua em uma forte alta do Bitcoin para esse último trimestre, levando o preço a US$ 150 mil”.

Alex Buelau, CTO da Parfin, também acredita que os ganhos deve seguir, e lembra ainda que um dos modelos mais populares de análise de preço do Bitcoin, chamado de Stock-to-Flow, já previa que os US$ 65 mil fossem atingidos esse ano. “Além disso, historicamente, nos últimos três meses do ano seguinte ao halving [redução da recompensa dos mineradores], são sempre um período bem forte para o preço do Bitcoin”, afirma.

“Em geral, as perspectivas para o Bitcoin e outras criptomoedas continuam sendo extremamente positivas, ainda mais num cenário econômico mundial de inflação elevada pela impressão de dinheiro pelas maiores economias nos últimos meses por causa da Covid”, diz.

Por fim, Henrique Teixeira, country manager do Grupo Ripio, recomenda certa cautela aos investidores: “Por um lado é importante se manter cauteloso pois existe um risco de liquidação no curto prazo considerável e neste caso poderá recuar rapidamente, porém de um outro lado, os estudos de casos e a utilidade vem se expandindo rapidamente e existe uma possibilidade de uma pressão de compra que poderia funcionar como um catalisador para as próximas altas atingindo novos patamares”.

“O mercado todo está de olho em quando será atingido a nova marca de US$ 70 mil, que pode acontecer bem antes do que se previa no início de outubro”, conclui.

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