Bitcoin acelera perdas abaixo de US$ 95 mil e Ethereum cede 10% com aversão ao risco

Movimento acompanha a abertura negativa dos futuros de NY, saídas fortes de ETFs e baixa liquidez no mercado

Paulo Barros

Ilustração da criptomoeda Bitcoin – 24/11/2024 (Foto: Ilustração de Dado Ruvic/Reuters)
Ilustração da criptomoeda Bitcoin – 24/11/2024 (Foto: Ilustração de Dado Ruvic/Reuters)

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O Bitcoin (BTC) acelerou as perdas na manhã desta sexta-feira (14) e recuou para a faixa de US$ 94,8 mil, acompanhando o tom negativo dos futuros de Nova York. O ativo chegou a cair 2,8% mais cedo, aprofundando o recuo iniciado ontem e acumulando perda de 8% nas últimas 24 horas. O movimento coloca o BTC mais de 20% abaixo do recorde registrado no início de outubro.

A pressão ganhou força após uma onda de resgates nos ETFs de Bitcoin, que registraram saídas líquidas de cerca de US$ 870 milhões na quinta-feira, o segundo maior volume diário desde o lançamento desses produtos. A liquidação de posições alavancadas também permanece intensa, com mais de US$ 1 bilhão eliminado nas últimas 24 horas, segundo dados da Coinglass.

O recuo desta sexta se espalhou entre os principais criptoativos, com Ethereum (ETH), XRP, Cardano (ADA) e Chainlink (LINK) cedendo mais de 10%. Já a BNB tinha baixa de 7,9%, enquanto a Solana (SOL) perdia ainda mais, atingindo 12,4% negativos em 24 horas.

Oportunidade com segurança!

O ambiente mais amplo de mercado segue pressionado pela cautela com a política monetária nos EUA. A rápida dissipação do alívio observado após o fim do shutdown indica que traders continuam céticos quanto a cortes de juros no curto prazo. A falta de dados econômicos atualizados, consequência direta da paralisação do governo, reforça a incerteza sobre os próximos passos do Federal Reserve.

Os sinais de deterioração na liquidez também ajudam a explicar a intensidade do ajuste. Segundo a Kaiko, a profundidade de mercado caiu cerca de 30% em relação ao pico do ano, reduzindo a capacidade de absorver ordens maiores sem grandes oscilações de preço.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)