Maiores gestores do mundo

Bill Gross e El-Erian alertam contra descartar ação do Fed

Bill Gross, ex-gerente do maior fundo de títulos do mundo, disse que o Fed poderá agir em sua próxima reunião, em junho; Mohamed El-Erian, conselheiro econômico-chefe da Allianz, disse que o Fed poderá se movimentar duas vezes neste ano

(Bloomberg) – Três dos mais influentes investidores em títulos do mundo e o presidente do Federal Reserve de Nova York dizem que o banco central americano está a caminho de elevar as taxas de juros mesmo após um aumento nos empregos, em abril, menor do que o previsto pelos economistas.

Bill Gross, ex-gerente do maior fundo de títulos do mundo, disse que o Fed poderá agir em sua próxima reunião, em junho. Mohamed El-Erian, conselheiro econômico-chefe da Allianz, disse que o Fed poderá se movimentar duas vezes neste ano. Mark Kiesel, da Pacific Investment Management Co., e o presidente do Fed de Nova York, William Dudley, fizeram coro.

Gross e seus colegas estão alertando os investidores a não descartarem uma ação do Fed depois que o Departamento do Trabalho reportou que os empregadores americanos contrataram 160.000 trabalhadores no mês passado, menos que os 200.000 projetados em uma pesquisa da Bloomberg com economistas. A presidente do Fed, Janet Yellen, também está examinando as remunerações, que subiram 2,5 por cento em relação ao ano anterior, mais do que o previsto. Os yields das notas de dois anos estão muito baixos, segundo Gross.

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“Não tenho certeza de que junho esteja fora da mesa”, disse Gross, que atualmente administra o Janus Global Unconstrained Bond Fund, à Bloomberg Television em 6 de maio. “Mais do que nos empregos, Yellen está focada nos salários. Essa alta de 2,5 por cento mostra que eles estão subindo”.

Os títulos do Tesouro dos EUA pouco mudaram na segunda-feira. O yield de referência de 10 anos era de 1,79 por cento às 7:15 em Londres, segundo dados da Bloomberg Bond Trader. O preço do título de 1,625 por cento para fevereiro de 2026 estava em 98 18/32.

Os yields das notas de dois anos estavam em 0,73 por cento após caírem para 0,68 por cento em 6 de maio, nível mais baixo em quase três meses. O yield era 23 pontos-base maior que o limite superior da faixa do Fed para sua referência. O diferencial médio dos últimos 12 meses é de 41 pontos-base.

Um aumento de 0,25 por cento elevaria a faixa-meta do Fed para 0,50 por cento a 0,75 por cento, com o limite superior da faixa indo além do yield de dois anos, segundo Gross. “Eu acho que isso não está precificado apropriadamente”, disse ele.

Anteriormente Gross havia anunciado de forma prematura o fim da alta global dos bonds. “Os yields do mercado desenvolvido tocaram o piso”, escreveu ele no Twitter, em 10 de março. O yield do Bloomberg Global Developed Sovereign Bond Index caiu de 0,79 por cento no dia do comentário para 0,65 por cento.

O que diz El-Erian
Os mercados financeiros relativamente calmos e o dólar mais fraco facilitarão a ação do banco central, disse El-Erian, que também é colunista da Bloomberg View, à Bloomberg Television em 6 de maio. “Eu acho que o Fed elevará os juros pelo menos uma vez e poderia até elevá-los duas vezes neste ano”, disse ele. O Fed “tem uma janela”, disse ele.

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As probabilidades de um aumento dos juros em junho são de cerca de 8 por cento, subindo para 53 por cento no fim do ano, segundo dados compilados pela Bloomberg com base nos futuros dos fundos federais.

Kiesel, da Pimco, disse que o mercado de trabalho está melhorando gradualmente. “Eles provavelmente começarão com um ou dois aumentos no fim do ano”, disse ele à Bloomberg Television em 6 de maio.

Dudley, do Fed, disse que é razoável esperar dois aumentos neste ano, em entrevista ao New York Times publicada no site do jornal em 6 de maio, após a divulgação do relatório de emprego.

Um aumento do Fed em junho é improvável e isso significa que a economia global terá tempo de crescer sem precisar enfrentar um movimento do banco central americano capaz de conter a expansão, segundo Enna Li, da Mirae Asset Global Investments, em Taipé, Taiwan.