Bernanke defende orçamento de Obama e diz que déficit é necessário para evitar piora

Governo prevê saldo negativo de US$ 1,8 trilhão neste ano; situação ainda está ruim e pede mais medidas, afirma Bernanke

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SÃO PAULO – O discurso de Ben Bernanke ao Comitê de Orçamento do Senado norte-americano trouxe a ideia de que o atual cenário econômico dos Estados Unidos pede maiores ações por parte do governo. “Embora algum progresso tenha sido alcançado na frente financeira desde o outono passado, mais precisa ser feito”, declarou o presidente do Federal Reserve.

Segundo ele, apesar de alguns mercados terem demonstrado certa recuperação após as medidas adotadas pelo governo norte-americano, outros ainda permanecem problemáticos. “Por exemplo, a maioria dos mercados de securitização permanece fechada e algumas instituições financeiras permanecem sob pressão”.

Dessa forma, o presidente do Fed ressaltou a adoção do pacote de US$ 787 bilhões, recentemente aprovado pelo Senado dos Estados Unidos. De acordo com Bernanke, embora ainda sejam incertos tanto a magnitude quanto o tempo em que esse programa fará efeito, a importância do pacote reside em seu objetivo de deitar as bases para uma recuperação sustentável da economia.

Déficit acima de US$ 1 trilhão

No geral, a fala de Bernanke diante do comitê defende a necessidade dos investimentos previstos na primeira requisição de orçamento da administração de Barack Obama, enviado ao Congresso na semana passada. O documento prevê a reserva de até US$ 750 bilhões para uma nova ajuda à indústria financeira do país.

Um dos problemas vistos no plano de gastos do novo governo dos Estados Unidos é o enorme déficit que ele deve gerar nas contas públicas, com previsões de que este ano fiscal termine com saldo negativo de US$ 1,8 trilhão, enquanto 2010 e 2011 registrariam déficit de US$ 1 trilhão.

“É claro que esse é um desenvolvimento que todos nós preferiríamos evitar”, comentou Bernanke, acrescentando que os extraordinários desafios que os mercados econômicos e financeiros enfrentam e o fracasso da política monetária em se dirigir a eles seriam mais custosos no final.

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“Nós estamos melhor nos movendo agressivamente hoje para solucionar nossos problemas econômicos; a alternativa poderia ser um episódio prolongado de estagnação econômica que iria não somente contribuir para a maior deterioração da situação fiscal como também implicaria menor produção, emprego e renda por um período extenso”, concluiu Bernanke.