Bens de capital: quem se destacou positivamente e quem ficou para trás no 2º tri

Cenário macroeconômico incerto pressionou os resultados de grande parte dos segmentos

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Iochpe-Maxion (Divulgação)
Iochpe-Maxion (Divulgação)

Publicidade

A XP Investimentos avaliou que as empresas do setor de bens de capital apresentaram desempenhos distintos na temporada de balanços do segundo trimestre de 2025 (2T25), em meio a um cenário macroeconômico incerto que pressionou os resultados de grande parte dos segmentos.

Entre os destaques positivos, a corretora citou Marcopolo (POMO4) e Embraer (EMBR3), que apresentaram resultados acima do esperado por fatores microeconômicos específicos.

Já os destaques negativos ficaram com Randoncorp (RAPT4) e Kepler Weber (KEPL3), impactadas pela redução dos investimentos relacionados ao agronegócio, o que prejudicou a performance de receita.

No caso da Marcopolo, a XP apontou que uma combinação de melhor sazonalidade, mix de produtos e desempenho nos mercados externos sustentou números sólidos, abrindo espaço para melhora contínua de resultados no segundo semestre de 2025 — visão reforçada durante a conferência de CEOs organizada pela casa.

A Embraer, por sua vez, começou a colher benefícios das iniciativas de nivelamento de produção e da disciplina operacional, com resultados acima das estimativas, puxados principalmente pela aviação executiva.

A fabricante de aeronaves reiterou sua projeção de lucratividade, considerada conservadora pela XP, o que abre espaço para surpresas positivas nas margens em 2025. Com isso, a XP manteve classificação neutra e preço-alvo de R$ 68.

Continua depois da publicidade

A XP destacou ainda números mais fracos da WEG (WEGE3), com desaceleração do crescimento orgânico, refletindo riscos já apontados na tese de investimento. Segundo a corretora, as incertezas macroeconômicas levaram ao adiamento de projetos de maior porte, impactando a demanda da área de equipamentos elétricos industriais (EEI). A XP reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 44.

Entre as companhias mais expostas ao agronegócio, a XP ressaltou o ambiente desafiador diante dos juros elevados. A Kepler Weber mostrou resultados pressionados, embora com sinais melhores para o terceiro trimestre, enquanto a Randoncorp revisou seu guidance para baixo. Além disso, o nível de alavancagem próximo ao limite dos covenants pode ter gerado preocupações adicionais. A empresa, no entanto, vem implementando iniciativas para reduzir a alavancagem até o fim do ano, como o aumento de capital e a melhora de performance dos negócios adquiridos.

O time da XP manteve recomendação de compra para Kepler e Randoncorp, com preço-alvo de, respectivamente, R$ 10 e R$ 14.

A XP também avaliou positivamente os números da Iochpe (MYPK3), que tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 18. Segundo a corretora, a presença global da companhia ajudou a mitigar pressões de mercado.

Já a Tupy (TUPY3), que possui recomendação neutra e preço-alvo de R$ 20, enfrenta um cenário mais desafiador devido à sua exposição ao segmento de veículos pesados nos Estados Unidos. A empresa vem ajustando sua capacidade de produção, mas a XP ainda enxerga espaço para revisões negativas adicionais.