BBI vê menor apetite por risco na América Latina, mas mantém aposta no Brasil

Sentimento em relação à região esfriou no terceiro trimestre em comparação com a pesquisa anterior, embora os investidores ainda mantenham exposição relevante ao Brasil

Felipe Moreira

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Divulgação / Pixabay
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O Bradesco BBI identificou uma redução generalizada do apetite por risco entre investidores locais e estrangeiros na América Latina, mas ressaltou que o movimento está longe de representar uma capitulação (quando investidores abandonam uma tese de investimento e promovem vendas generalizadas de ativos).

Segundo o banco, o sentimento em relação à região esfriou no terceiro trimestre em comparação com a pesquisa anterior, embora os investidores ainda mantenham exposição relevante ao Brasil e expectativa de desempenho superior dos mercados emergentes.

Apesar do Brasil seguir com recomendação overweight (exposição acima da média de mercado), a convicção dos investidores diminuiu. O movimento se reflete em posições menores, maior cautela em relação ao risco e uma postura mais defensiva na alocação de recursos.

Nesse contexto, os investidores ampliaram a exposição aos setores financeiro e de utilities, enquanto reduziram posições em empresas ligadas ao consumo e em companhias mais sensíveis ao ciclo doméstico.

Segundo o relatório, as eleições presidenciais de 2026 passaram a ser o principal fator de atenção para os investidores, ofuscando temas como o ciclo de juros e a trajetória dos lucros corporativos. A maior parte dos entrevistados espera a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que mantém uma visão cautelosa em relação ao real.

Itaú (ITUB4) lidera as preferências

Segundo o relatório, o Itaú (ITUB4) aparece como a ação de grande capitalização preferida, enquanto Vale (VALE3) é a menos favorecida entre os grandes nomes.

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O consenso, porém, é menor entre outras companhias. Investidores estrangeiros demonstram maior otimismo com o Nubank (BDR: ROXO34), enquanto investidores locais estão mais cautelosos com Petrobras (PETR4;PETR3).

Entre as empresas mais citadas também aparecem Sabesp (SBP3) e BTG Pactual (BPAC11).

Entre as small caps (empresa de baixa capitalização), C&A (CEAB3), Orizon (ORVR3), Smart Fit (SMFT3) e Pague Menos (PGMN3) foram os nomes que mais se destacaram entre os investidores consultados.

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México volta ao radar, enquanto Chile perde espaço

O Bradesco BBI observa sinais de retomada do interesse pelo México, apesar da cautela em relação ao acordo comercial USMCA. O Grupo México atingiu o maior nível de preferência da pesquisa, enquanto o interesse pela Walmex caiu para os menores níveis.

A Argentina ampliou sua vantagem como mercado preferido entre os países menores, embora ainda seja considerada subvalorizada. Já o Peru ganhou espaço após o cenário político mais favorável, com a Credicorp como a ação preferida nos Andes.

Na contramão, o Chile perdeu atratividade, apesar de continuar com classificação sobreponderada (OW), enquanto a Colômbia apresentou apenas uma melhora moderada após as eleições.

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O banco mantém uma visão contrária e otimista para a América Latina, destacando uma possível segunda oportunidade de valorização no segundo semestre, apoiada em valuations descontados, potenciais cortes de juros, eleições brasileiras e fatores globais favoráveis, como dólar e ciclo tecnológico.