Linha de R$ 12 bi para crédito rural: positiva, mas não muda o jogo para BBAS3

Citi vê a notícia como positiva, mas ainda com muitas incertezas e mantém recomendação neutra para os ativos

Lara Rizério

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Agência do Banco do Brasil - 04/08/2022
(Foto: REUTERS)
Agência do Banco do Brasil - 04/08/2022 (Foto: REUTERS)

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A medida provisória assinada na sexta-feira (5) pelo governo brasileiro, que criou uma linha especial de crédito rural de até R$ 12 bilhões para produtores afetados por eventos climáticos adversos, tem implicações importantes para o Banco do Brasil (BBAS3), aponta o Citi.

Os analistas do banco apontam que o banco detém cerca de 50% de fatia no segmento rural e que seu portfólio nessa área vem em deterioração: os empréstimos com atraso superior a 90 dias somavam R$ 12,7 bilhões no segundo trimestre de 2025, equivalentes a 3,5% da carteira rural, enquanto R$ 57,7 bilhões estavam classificados como reestruturados.

Segundo a CEO do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, pelo menos R$ 6 bilhões poderiam ser direcionados ao BB (fundos equalizáveis), aponta o Citi. O montante corresponde a cerca de metade dos créditos rurais inadimplentes há 90 dias e a 10% dos empréstimos rurais reestruturados.

Porém, a redução das provisões dependerá da demanda dos produtores, e o banco espera impacto direto nas despesas com provisões do banco apenas se exposições problemáticas forem liquidadas ou amortizadas usando essa nova linha de crédito.

“Embora achemos cedo para assumir que todo o valor de R$ 6 bilhões será amortizado, vemos isso como uma notícia positiva para o BB”, avalia. Atualmente, cerca de 48 mil clientes rurais do BB estão em default entre os 100 mil contemplados pelo programa governamental.

Assim, o Citi vê a notícia como positiva, mas ainda com muitas incertezas. “Embora achemos cedo para assumir que todo o valor de R$ 6 bilhões será amortizado, vemos isso como uma notícia positiva para o BB. Em nossa visão, o fato de o Governo Brasileiro sinalizar apoio ao segmento rural deve ser bem recebido”, aponta. No entanto, pondera, é prematuro mudar a sua visão devido às incertezas, reiterando a recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 22.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.