Destaques da Bolsa

BB, siderúrgicas e Petrobras afundam entre 10% e 21%; Suzano dispara 9%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa acelerou perdas nesta terça-feira (15) e fechou com queda de 3,56%, a 47.130 pontos, no pior dia do “rali da Lava Jato”, desde 2 de fevereiro. O pessimismo do mercado aumentou em meio aos rumores de que o ex-presidente Lula aceitou virar ministro do governo Dilma, enquanto delação de Delcídio do Amaral trouxe revelações de que a presidente e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, tentou comprar silêncio do senador.

No depoimento, homologado hoje, além de integrantes do governo, Delcídio cita outros políticos, inclusive da oposição como o senador Aécio Neves, além do banqueiro André Esteves, ex-presidente do BTG Pactual, e as empreiteiras Odebrechet, Andrade Gutierrez e OAS, ao lado do grupo JBS e Marfrig. 

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Diante da tensão política, 11 das 61 ações do Ibovespa registraram quedas acima de 8%. As maiores baixas foram dos papéis BB e as siderúrgicas Metalúrgica Gerdau, Usiminas e CSN, que afundaram mais de 12%. Do outro lado, as exportadoras saltaram até 9% com a disparada do dólar frente ao real. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira: 

Siderúrgicas
Seguindo a derrocada da Bolsa, as ações das siderúrgicas desabaram hoje, com os papéis da Gerdau (GGBR4, R$ 4,72, -10,61%), CSN (CSNA3, R$ 6,08, +12,14%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 1,63, -18,91%) e Usiminas (USIM5, R$ 1,56, -15,68%) nas maiores quedas do Ibovespa. 

Nesta manhã, a Gerdau reportou seu resultado, registrando prejuízo líquido ajustado de R$ 41 milhões no quarto trimestre, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 911 milhões. A receita líquida somou R$ 10,4 bilhões no período, ante estimativa de R$ 11,1 bilhões da Bloomberg. A companhia projeta capex de R$ 1,5 bilhão em 2016, queda de 35%.

Ainda no setor, segundo a Reuters, a Usiminas está preparando aumentar os preços do aço em cerca de 10%. A companhia luta para melhorar suas margens e reduzir sua dívida para evitar ter que pedir recuperação judicial.

Bancos 
Os papéis dos bancos, principalmente o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,50, -21,17%), que vinha sendo o mais beneficiado pelo “rali da Lava Jato”, desabaram nesta sessão. Embora com queda mais amena, os bancos privados Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,80, -4,29%), Bradesco (BBDC4, R$ 25,20, -5,26%), Santander (SANB11, R$ 15,91, -4,27%) e Itaúsa (ITSA4, R$ 7,99, -6,37%) – holding que detém participação no Itaú – registraram fortes quedas nesta sessão. Nesta terça-feira, o Bradesco foi iniciado com recomendação underperform (desempenho abaixo da média) pelo Scotiabank.

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JBS (JBSS3, R$ 10,85, -7,74%) e Marfrig (MRFG3, R$ 6,50, -2,69%)
Em dia que o mercado fica focado no noticiário político, em especial na divulgação da delação premiada do senador Delcídio do Amaral, a JBS voltou a ser ligada aos esquemas de corrupção. Na mínima do dia, os papéis recuaram 7,48% após a companhia ser citada pelo senador.

O frigorífico foi citado pelo petista como um dos maiores doadores em uma esquema para liberação de crédito do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). De acordo com Delcídio, José Carlos Bumlai foi um dos intermediadores para que o banco de fomento liberasse crédito para a Friboi.

Enquanto isso, a Marfrig disse que não tem nenhuma relação com Bumlai desde 2006, mas confirmou que antes disso ele era fornecedor de gado da companhia. Por outro lado, em relação ao esquema envolvendo o BNDES, a empresa disse que o pecuarista nunca intermediou empréstimos.

Vale (VALE3, R$ 13,48, +0,30%; VALE5, R$ 9,69, -0,10%)
As ações da Vale amenizaram as perdas, com as ordinárias virando para alta, após caírem 5% na mínima do dia, em meio ao mau humor do mercado e forte queda do minério de ferro lá fora. A commodity negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza fechou em queda de 4,81%, a US$ 52,88 a tonelada seca. Com a queda de hoje, o minério já devolveu todo o rali de 20% que fez na segunda-feira da semana passada. Na época, os analistas disseram que não havia fundamentos para a disparada.  Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 4,97, -1,19%), holding que detém participação na Vale. 

Cosan Logística (RLOG3, R$ 0,54, -4,22%)
A Cosan Logística aprovou na segunda-feira o grupamento de suas ações na proporção de uma para quatro. A companhia também aprovou o aumento de capital de R$ 580 milhões, com emissão de 1.054.545.455 ações ordinárias. A operação será feita por meio de subscrição privada, ao preço de R$ 0,55 por ação. O aumento de capital visa fazer frente ao compromisso assumido pela companhia de aportar, no mínimo, R$ 500 milhões em capitalização que vem sendo estruturada pela Rumo Logística (RUMO3, R$ 2,90, -11,31%), conforme aprovado em reunião de 18 de fevereiro, informa a empresa. As ações da Cosan Logística adquiridas a partir do dia 15 de março não farão jus ao direito de preferência na subscrição do aumento de capital. 

Petrobras (PETR3, R$ 8,91, -6,60%; PETR4, R$ 6,61, -10,68%)
Dando sequência à derrocada da Bolsa, os papéis da Petrobras estenderam as perdas da véspera, diante da notícia de que Lula pode assumir ministério no governo Dilma e queda do petróleo lá fora. O contrato do Brent registrava queda de 1,80%, a US$ 38,82 o barril. 

Exportadoras
O dia de alta do dólar frente ao real favorece as exportadoras, que foram tão penalizadas nesse começo de ano. Entre as maiores altas do Ibovespa, os papéis do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 34,70, +7,60%), Suzano (SUZB5, R$ 13,89, +8,94%) e Klabin (KLBN11, R$ 20,43, +2,05%), além da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 23,28, +3,33%). 

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