Banif inicia cobertura de Brookfield e Tecnisa com recomendação de compra

Ações são negociadas com múltiplos abaixo de seus pares; também em início, ações da Viver são classificadas como neutra

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SÃO PAULO – O Banif iniciou a cobertura para as ações da Brookfield, Tecnisa e Viver, com a recomendação de compra para as duas primeiras e de manutenção para a última. “A diferença básica (…) é a capacidade de crescimento ancorada por adequada estrutura de capital”, escreve o analista Flávio Conde, em relatório.

Segundo Conde, a aversão ao risco dos investidores com relação ao setor diminuiu desde fevereiro deste ano, mas “ainda há espaço para melhorar tão logo a inflação comece a baixar de forma mais consistente e os juros parem de subir e acreditamos que isso possa ocorrer durante os próximos três meses”, destaca.

Além do mais, o setor continua atrativo para o Brasil, uma vez que o volume de crédito imobiliário continua a representar uma parcela pequena do PIB (Produto Interno Bruto), de 4%, enquanto ainda há uma grande demanda reprimida por moradia, revela.

Por fim, desde 2007 o crescimento interno sustenta uma alta no crédito imobiliário, que dobrou de valor até 2010, explica. Portanto, a expectativa é que esse cenário “deverá continuar por muitos anos até que os níveis desse crédito atinjam níveis próximos de países semelhantes ao do Brasil”.

Custos ainda elevados
Por outro lado, o analista ressalta que os custos de construção permanecem altos no Brasil, principalmente os de mão de obra e materiais, os quais tendem a pressionar as margens das empresas durante este ano. “Acreditamos que no curto prazo os riscos são maiores hoje e estão afetando mais as ações do que os riscos específicos, mas no médio prazo os específicos tendem a pesar mais”, escreve.

Já com relação às questões específicas de cada empresa, Conde destaca os papéis da Brookfield e da Tecnisa, uma vez que as empresas devem crescer mais em lançamentos, receitas, lucros e fluxo de caixa no período de 2010 a 2014, além de uma redução na dívida e com maior lucratividade.

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Empresa Ticker Recomendação Preço-alvo Upside*
Brookfield BISA3 Compra R$ 12,50 60,87%
Tecnisa TCSA3 Compra R$ 17,00 39,91% 
Viver VIVR3 Neutra R$ 3,20 22,13%

*Potencial teórico de valorização calculado com base na cotação de fechamento de 20 de junho 

Brookfield
A Brookfield atua em todos os segmentos do mercado e em oito estados, sendo que a visão positiva é estruturada com base em lançamentos de R$ 4,5 bilhões neste ano, “o maior da indústria”, além de que as projeções do Banif indicam forte crescimento na parte financeira e na geração operacional de caixa, que deve atingir R$ 500 milhões em 2014.

Por fim, as ações da companhia são negociadas abaixo dos múltiplos das maiores construtoras (PDG Realty, Cyrela e MRV), o que é explicado por conta de uma liquidez menor, atuação em todos os segmentos – o que pode dificultar a análise sobre o momento da empresa e as perspectivas – e pelo não crescimento em termos de lançamentos entre 2009 e 2010, ao contrário de seus pares.

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No entanto, Conde refuta todas essas hipóteses como justificáveis, uma vez que a liquidez diária de R$ 17 milhões é “suficientemente grande para qualquer tamanho de investidor”, ao passo que a atuação em diversos segmentos ajuda a reduzir o risco e a projeção de lançamentos deste ano é a maior da indústria.

Tecnisa
Já a Tecnisa, empresa focada em média-renda e com forte presença no mercado paulista, deverá passar de R$ 2 bilhões em lançamentos em 2010 para R$ 2,9 bilhões em 2014, com forte crescimento na parte financeira – destacando-se a geração operacional, que deverá alcançar R$ 360 milhões em 2014 – e, assim como as ações da Brookfield, as da Tecnisa registram múltiplos de rentabilidade e patrimônio inferior à média de seus pares.

Segundo Conde, a única justificativa para este fato é a de que a companhia realizou uma emissão de ações de R$ 414 milhões, o que antecipou o movimento de entrada na empresa por parte de investidores que já se sentiam atraídos por ela. “Esse efeito, no entanto, nos parece temporário e não tira a atratividade da empresa”, revela.

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Viver
Por fim, a Viver, antiga Inpar, é uma empresa em recuperação, chama a atenção o analista, com uma firme mudança promovida pelos novos controladores, o que já começa a surtir efeito nos resultados operacionais, enquanto os financeiros serão sentidos posteriormente.

Por outro lado, apesar do crescimento na receita, as perspectivas são de margens abaixo das de seus pares, enquanto os lançamentos de 2010 a 2014 deverão passar de R$ 804 milhões a R$ 1,2 bilhão.

“No caso da Viver, olhando o múltiplo preço/lucro e ROE percebemos que tem números piores que seus pares em virtude de margens ainda estreitas e herdadas da administração do antigo controlador, e que demorarão mais alguns anos, além de 2012, para atingir o nível de seus pares”, ressalta.